Livro “A Fronteira Invisível” / Book “he Invisible Border”

kilian

Kilian Jornet, “atleta multifacetado, tanto se distingue na corrida como na bicicleta e no esqui de montanha”. Li o seu primeiro livro “Correr ou Morrer” há algum tempo e, considerando-o bem melhor do que este, não deixa de ter o seu marco pessoal. Continua a ser inspiradora a forma como expõe os seus sentimentos e sede (pessoal) de ir cada vez mais longe, seja lá o que isso signifique.

Sinopse
Numa expedição épica ao Nepal, sem cordas e sem sherpas, sem redes nem apoios, eles correram, esquiaram, escalaram. Levaram o mínimo de material, enfrentaram o Inverno dos Himalaias, altura em que ninguém lá se atreve a fazer alpinismo.

Após a morte do seu mentor e amigo Stéphane Brosse, Kilian Jornet decidiu prestar-lhe uma última homenagem. Juntou-se a dois amigos, apostados em recuperar a essência da aventura, pôr em risco a própria vida, e enfrentar A Fronteira Invisível. Queriam ultrapassar a barreira que eles próprios se impuseram, vencer o desafio pessoal, vital, do homem que domina a natureza para se encontrar a si próprio.

Kilian Jornet, o mais conhecido trail runner do mundo, convida-nos a ir à procura da evasão. A viver os silêncios mais absolutos, a ouvir os ecos da montanha, a tomar decisões capitais em segundos, a reencontrar a emoção em estado puro. Para com ele atravessarmos a fronteira que separa a tristeza da felicidade, a vida da morte. E percebermos finalmente o que significa viver sem rede.

Excertos

Talvez a necessidade de passar ao papel os meus pensamentos seja motivada pelo medo de, no caso de eu não ser capaz de voltar para trás sozinho, a neve poder ter apagado as marcas que deixo enquanto avanço. Quem sabe se é porque desconfio da minha memória e quero contar-te o que os meus olhos veem para não me esquecer de alguns pormenores ao regressar. Ou talvez a perspetiva de um mês e meio sem electricidade, sem as distracções que a tecnologia oferece me tenha feito chegar à conclusão de que o entretenimento mais emocionante que aqui vou encontrar é escrever neste caderno. (Pg. 13)

Será coragem ou covardia, o que sinto? Estou nervoso, expectante, à espera de entrar no avião, à espera de aterrar em Catmandu e de me pôr a caminho das montanhas. Contudo, também estou impaciente por regressar, por reencontrar o que deixo para trás. Será coragem, porque enfrento estas montanhas desconhecidas, e me distancio do que conheço perfeitamente e do que desempenho com destreza? Ou será covardia porque fujo das coisas que conheço e que estão a adquirir umas proporções que tanto me assustam como admiro, e porque ainda tenho mais receio de as perder e penso que, enquanto estiver longe, se mantêm no seu auge, à minha espera, adiando o momento em que vão começar – pela tendência natural de todas as coisas – a decair? (Pg. 14)

Há pessoas que não suportam a solidão e que, quando o ego lhes falha, precisam de sentir a estima dos outros para conseguirem acender o fogo que se apagou no seu interior. Mas eu não sou assim, eu preciso de me distanciar dos abraços dos outros e só na solidão consigo encontrar a serenidade de que necessito para encontrar resposta para as questões que guardo numa gaveta para aparentar serenidade e segurança, quando estou na presença das pessoas que amo. (Pg. 29 e 30)

A diferença entre a droga e o desportp extremo é que depois de um dia a consumir droga nos sentimos miseráveis e depois de fazer uma ascensão extrema nos sentimos deuses. (Pg. 43)

– Não queres falar?
– Não. Gosto do silêncio, admiro as pessoas que não têm medo do silêncio. Falar por falar é fugir dos nossos mdos e dos nossos defeitos, pois só o silêncio nos permite encará-los de frente. (Pg. 109)

NOTA: À semelhança de outros livros aqui comentados, este encontra-se à disposição de quem quiser ser o seu novo dono. Basta enviar e-mail para: sousaluisa1@gmail.com .

Outros livros inspiradores:
– “Correr ou Morrer”, Kilian Jornet: IIIIIIIV
– “A Mais Alta Solidão”, João Garcia: I
– “Mais Além: Depois do Evereste”, João Garcia: III
– “Auto-retrato do escritor enquanto corredor de fundo”, Haruki Murakami: IIIIII
– “Vagabundo dos Mares”, João Rodrigues: I
– “Uma Mulher no Topo do Mundo”, Maria da Conceição: I
– “Portugal de perto”, Nuno Ferreira: I

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