Livro “Uma Mulher no Topo do Mundo”/ Book “A woman on top of the world”

mcf livroPT / EN (English version, please scroll down!)

Numa sociedade que exige cada vez mais a perfeição e em que esse lado é diariamente e amplamente anunciado e partilhado, o livro “Uma Mulher no Topo do Mundo” surge um pouco contra-corrente.

O livro, numa linguagem simples, apresenta o trabalho que Maria Conceição tem realizado junto das crianças em Dhaka, Bangladesh, através da Maria Cristina Foundation.

Primeiro, ficamos a conhecer a história de vida de Maria Conceição, que acaba por ser decisiva para o rumo que a sua vida seguiu. Maria foi adoptada por Maria Cristina, após a morte da sua mãe biológica, e ganhou novos irmãos. Esta família já vivia com algumas dificuldades, mas Maria Cristina não renunciou ajuda ao novo elemento que se juntou à família. Poucos anos depois, acabou por falecer, Maria Conceição começou a trabalhar cedo e não teve oportunidade de prosseguir nos estudos. Mais tarde entra para a Emirates como hospedeira de bordo e é numa dessas viagens, com escala em Dhaka que tem contacto directo com a realidade de extrema pobreza nos “bairros de lata”.

Este será o ponto de partida para todas as mudanças que se sucederão. Numa primeira fase faz recolha de bens essenciais para distribuir quando vai a Dhaka, depois cria uma associação que por má gestão das pessoas responsáveis e a ausência constante de Maria, acaba por ser encerrada, até que deixa o trabalho como hospedeira para se dedicar a 100% à causa e cria uma nova fundação, a Maria Cristina Foundation.

Após algum tempo de bonança, a angariação de fundos tornou-se uma tarefa hercúlea e como solução, Maria começa a entrar em desafios desportivos de extrema exigência. Anteriormente sem qualquer preparação física, começou a treinar e subiu ao topo do Evereste, correu ultramaratonas e prepara-se para o Ironman. [Entretanto, a Maria que não sabia nadar, aprendeu e participou na travessia do Canal da Mancha.] Na entrada nestes desafios com a causa social como bandeira, esperava ter outra visibilidade e angariar mais fundos, mas os resultados nunca foram os esperados. Ainda assim, Maria continua a tentar cumprir os objectivos a que se propõe, sempre com o mesmo objectivo, continuar a ajudar as crianças (e suas famílias) do Bangladesh.

O livro atravessa todo este percurso, focando os altos, baixos e muito baixos, sem panos quentes, com tanta realidade que magoa. Se é para ajudar os outros, não deveria ser tudo mais fácil?!

O trabalho da Fundação cativou-me há algum tempo, quando pela primeira vez ouvi a Maria falar num programa de rádio do José Candeias, e a força que passava através do seu testemunho não me deixou indiferente. Além de ter uma causa social como principal objectivo, os desafios físicos, de constante superação, também me cativaram.

Deixo dois pontos que me tocaram especialmente.

O primeiro, a extrema solidão da Maria quando alcançou o topo do Evereste. A descrição fez-me lembrar o livro do alpinista João Garcia, “A Mais Alta Solidão”, em que a alegria de atingir o objectivo é tão grande, mas tão pessoal simultâneamente, que se torna difícil partilhar com quem nunca a viveu. Como explicar o que é escalar o Evereste e chegar ao topo, com todas as dificuldades, o frio, a adrenalina, o esforço físico, etc.? No caso da Maria, que não é profissional na área, quando divulgou o seu objectivo, algumas pessoas acharam que era maluca, outras apoiaram, mas não visceral e convictamente. Após a chegada, as palmadas nas costas e os comentários “Sabíamos que ías conseguir”  quase desvalorizaram o seu esforço, como que dizendo “se tu consegues, qualquer pessoa consegue”. Tudo isto, aliado à pouca visibilidade nos media (e consequentemente parca angariação de fundos), fizeram com que Maria desanimasse. Mas claro, não seria por muito tempo e novos desafios surgiram.

Maria deixa ainda outra lição, antes de se terminar um grande desafio, devemos traçar um outro, maior de preferência, de modo a que a motivação não desmorone.

Estes dois aspectos são igualmente comuns ao Caminho. Se por um lado é difícil explicar as vivências ao longo do mesmo a quem nunca o percorreu e, por isso, se crie laços tão fortes com os companheiros de viagem, por outro, ajuda ter um novo projecto traçado ao terminar o caminho (e não tem de ser a nível físico).

Sem dúvida, um livro que me cativou, por ser tão humano, tão real e, simultaneamente, com feitos tão grandes!

NOTA: À semelhança de outros livros aqui comentados, este encontra-se à disposição de quem quiser ser o seu novo dono. Basta enviar e-mail para: sousaluisa1@gmail.com . Ou então, adquiri-lo numa livraria, pois os fundos revertem para a Fundação.

Outros livros de desportistas:
– “Correr ou Morrer”, Kilian Jornet: IIIIIIIV
– “A Mais Alta Solidão”, João Garcia: I
– “Mais Além: Depois do Evereste”, João Garcia: III
– “Auto-retrato do escritor enquanto corredor de fundo”, Haruki Murakami: IIIIII
– “Vagabundo dos Mares”, João Rodrigues: I
– “Uma Mulher no Topo do Mundo”, Maria da Conceição: I
– “Portugal de perto”, Nuno Ferreira: I

Actualização: 26/10/16

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EN

(Translation in progress… google translation for now) :\

In a society that increasingly demands perfection and which that side it is daily and widely advertised and shared, the book “A Woman on Top Of The World” comes up a bit counter-current.

The book, in a simple vocabulary, presents the work that Maria Conceição has performed with the children in Dhaka, Bangladesh, through the Maria Cristina Foundation.

First, we get to know the life story of Maria Conceição, who turns out to be decisive for the direction that her life followed. Maria was adopted by Maria Cristina, after the death of her biological mother, and got new brothers. That family already had some financial difficulties, but Maria Cristina did not resign to help the new element that joined the family. A few years later Maria Cristina passed away. Maria Conceição started to work early and had no opportunity to pursue her studies. Later she joins the Emirates as a flight attendant and it is in one of those trips, with a stop in Dhaka that she has a direct contact with the reality of extreme poverty in “slums”.

This will be the starting point for all the changes that will succeed. Initially she starts on collecting essential items to hand when going to Dhaka, then creates an association that for mismanagement of the persons responsible and the constant absence of Maria, turns out to be closed, until Maria leaves the job as host to devote 100 % to the cause and create a new foundation, the Maria Cristina Foundation.

After a period of calm, the fundraising has become a Herculean task. As a solution, Maria starts to participate in sporting challenges of extreme demand. Previously without any physical preparation, she started to train and climbed to the top of Everest, ran ultramarathons and prepared for the Ironman. (Meanwhile, she learned to swim in a year and something and tried to cross the English Channel.) The participation in these challenges with a social cause as flag, she hoped to have another visibility and raise more funds, but the results have never been the expected. Still, Mary continues to try to accomplish the targets she sets, always with the same goal, to continue to help children (and their families) of Bangladesh.

The book runs through this lifestory, focusing on the high, low and very low moments, so real that hurts when reading. If it is to help others, should not be easier ?!

The work of the Foundation captivated me a long time ago, when I first heard the Maria talk on a radio program hosted by José Candeias. The strength that passed through her testimony did not leave me indifferent. Besides having a social cause as main objective, the physical challenges and the constant improvement, also captivated me.

Two points that touched me especially.

The first, the extreme solitude of Maria when she reached the top of Everest. The description reminded me of the climber João Garcia’s book, “The Highest Solitude” in which the joy of reaching the goal is so big, but simultaneously so personal, that it becomes difficult to share with those who have never lived it. How to explain how is climbing Everest and reach the top, with all the difficulties, the cold, the adrenaline, physical exertion, etc.? In the case of Maria, who is not a professional climber, when she released her purpose, some people thought she was crazy, others supported her, but not very sure. After her arrival, the slaps on the back and comments “We knew you were going to do it” almost devalued her effort, as if to say (in a bad sense) “if you can do it, anyone can.” All this, coupled with poor visibility in the media (and thus meager fundraising), made Maria discouraged. Of course, it would not be long and new challenges have emerged.

Maria still leaves another lesson, before finishing a big challenge, we must draw another, preferably bigger that the one before so the motivation does not collapse.

These two aspects are also common to the Camino. On the one hand, it is difficult to explain the experiences to whom never did the same, on the other hand, it helps to have a new project in mind (it don’t need to be a physical one).

No doubt, a book that captivated me for being so human, so real and simultaneously  with so many great things!

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