Caminho de Santiago: Preparação – 10 Mitos / The Way: Preparation – 10 Myths

PT / EN (Please scroll down for the English translation)

pre

Por desconhecimento ou comparação com outros percursos e/ou actividades, há ideias que tomamos à partida como certas, mas que na realidade não fazem assim tanto sentido.

Na esperança de desmistificar um pouco a todos os que têm vontade de um dia partir para o Caminho, aqui ficam alguns pontos:

1. Tempo disponível

Não há tempo mínimo para se percorrer o Caminho, portanto não é necessário ter um mês para caminhar. Se tem apenas 1 semana disponível ou 4/5 dias, mais vale aproveitar isso do que nunca partir.


2. Ser crente

Longe vão os tempos em que a grande maioria dos peregrinos rumo aos locais de devoção eram crentes nalguma Religião. Hoje em dia, as motivações são as mais diversas, principalmente no Caminho de Santiago, em que há uma grande abertura nesse aspecto. Mais do que por motivações religiosas, verifica-se uma busca “espiritual”.


3. Altura certa

Esse dia nunca vai chegar, há sempre qualquer coisa que se sobrepõe e acaba por adiar os planos. Se pretende mesmo ir, é marcar uma data e comprometer-se que nesse dia parte para o seu caminho.


4. Não ser capaz

Os receios são normais e até servem para nos protegerem. Não podem é tornar-nos passivos. Há pessoas que teriam todos os motivos válidos para não irem e vão, dando o exemplo de que quando se quer, tudo é possível. Há peregrinos em cadeiras de rodas, pessoas com deficiências várias, com filhos menores (desde bebés de colo a crianças mais crescidas), invisuais, etc., etc. É um caminho acessível a todos.


5. Esperar que o Caminho se adapte a cada um de nós

Não vai acontecer, nunca. O Caminho é o que é e é acessível a todos desde que cada um se adapte à realidade. Se não pode caminhar 25/30km por dia, faça 15km; se não tem 2 semanas de férias, faça apenas uma ou os dias que tiver disponíveis; se a (falta de) privacidade nos albergues lhe causa confusão, opte pelos alojamentos privados; se não pode levar peso às costas, opte por trolleys ou pelas empresas de transporte de mochilas; etc. etc. Há sempre uma forma de se adaptar.


6. Idade

A maior parte das pessoas que fazem longas distâncias são reformados, pois implica tempo disponível. Portanto, ao longo dos vários Caminhos, a percentagem de pessoas acima dos 50 anos é elevada. O “peso da idade” é muito mais mental do que físico.


7. Equipamento

Lembro-me que no primeiro caminho que fiz, o meu único investimento em material foi numas sapatilhas. De resto, utilizei tudo o que já tinha e, que à partida, não era o equipamento mais apropriado: uma mochila do dia-a-dia, fato de treino e t-shirts (de algodão), saco-cama pesado… Não sabia se iria gostar da experiência e por isso, pareceu-me excessivo gastar dinheiro em muito material que poderia não vir a utilizar mais. Conforme as experiências se foram repetindo, fui investindo em material mais apropriado e que realmente ajudam num maior conforto ao longo da caminhada. Mas a falta dele não é desculpa para deixar de ir para o Caminho.


8. Só vs Acompanhado

Para quem parte uma primeira vez, frequentemente se sente inseguro em partir sozinho, seja por receio de que algo possa acontecer, seja por necessitar de conversar com alguém e ter uma figura de referência. Cada um saberá o que lhe traz maior conforto, mas em caso de não conseguir arranjar ninguém para as mesmas datas em que pretende partir, não deixe de ir! Ao longo do Caminho, irá encontrar outros peregrinos, com um ou outro terá maior empatia e poderão continuar a caminhar juntos. É uma óptima forma de se abrir aos outros e de criar novos laços.


9. Segurança

As notícias com que somos bombardeados diariamente, não raras vezes, transmitem aquilo que acontece de pior na sociedade. Mas, se formos a ter em conta, são as excepções e, daí, serem notícia. Quando desligamos os aparelhos e partimos para o Caminho, percebemos que o mundo que nos rodeia é bem melhor: voltamos a confiar em estranhos, reaprendemos a escutar o 6º sentido, a aceitar a bondade alheia sem desconfiar de segundas intenções. As precauções a ter em conta deverão ser as mesmas do dia-a-dia, mas quanto a isso, tanto no Caminho como noutro sítio qualquer.


10. Aventura

Para muitos de nós, partir para o Caminho é uma grande aventura, pois é bem diferente daquilo que estamos habituados. Se nunca fomos escuteiros, nunca acampamos e nem somos dados a grandes caminhadas, tudo soa a aventura com potenciais riscos associados. Na verdade, é apenas uma pequena aventura, pois se for minimamente preparado, todos os riscos são minimizados. Há sítios onde pernoitar, locais onde se alimentar, contactos de urgência/apoio, … Chega a ser abusivo apelidar de aventura, já que acaba por ser um ambiente minimamente controlado.


BOM CAMINHO!!

Ver também: Caminho de Santiago: 13 Mitos ao longo do Caminho

___

EN

By ignorance or comparison with other paths and / or activities, there are ideas that we take for granted, but which in reality do not make much sense.

To demystify a little to all those who have a desire to one day leave for the Way, here are some points:

1. Available time

There is no minimum time to walk the Path, so it is not necessary to have a month to walk. If you only have 1 week available or 4/5 days, you’d better take advantage of it than ever leave.

2. Being a believer

Gone are the days when the great majority of pilgrims to places of devotion were believers in some religion. Nowadays, the motivations are the most diverse, mainly in the Way of Santiago, in which there is a great opening in this aspect. More than by religious motivations, there is a “spiritual” search.

3. The perfect day

This day will never come, there is always something that overlaps and ends up postponing the plans. If you really want to go, you have to set a date and make a commitment that on that day you leave for your journey.

4. Not being able to

Fears are normal and even serve to protect us. They can not become passive. There are people who would have every valid reason for not going and go, giving the example that when we want, anything is possible. There are pilgrims in wheelchairs, people with various disabilities, with minor children (from babies to older children), blind people, etc., etc. It is a path accessible to all.

5. Wait for the Path to suit each of us

It will not happen, ever. The Way is what it is and is accessible to everyone as long as each one adapts to reality. If you can not walk 25 / 30km per day, do 15km; if you do not have 2 weeks of vacation, only make one or the days available; if the (lack of) privacy in the hostels causes confusion, opt for private accommodation; if you can not carry weight on your back, opt for trolleys or backpack carriers; etc. etc. There is always a way to adapt.

6. Age

Most people who make long distances are retired because it implies time available. Therefore, along the various Pathways, the percentage of people over 50 is high. The “age” is much more mental than physical.


7. Equipment

I remember that in the first way I did, my only investment in material was in shoes. Besides, I used everything I already had and that, at the outset, it was not the most appropriate equipment: a day-to-day backpack, tracksuit and t-shirts (cotton), heavy sleeping bag … I did not know if I would like the experience and therefore it seemed to me too much to spend money on much material that I could not use more. As experiences have been repeating, I have been investing in more appropriate material that actually helps in greater comfort along the way. But his lack is no excuse for letting go the depart for the Way.

8. Lonely vs Accompanied

For first-timers, they often feel insecure about leaving alone, either for fear something might happen, or because they need to talk to someone and have a reference figure. Each one will know what brings you more comfort, but in case you can not find anyone for the dates you want to leave, do not miss it! Along the Path, you will meet other pilgrims, with one or the other will have greater empathy and can continue to walk together. It’s a great way to open up to others and create new bonds.

9. Security

The news with which we are bombarded daily, not infrequently, conveys what is worse in society. But if we are to take into account, they are the exceptions and, hence, news. When we turn off the devices and set off for the Way, we realize that the world around us is much better: we come back to trust in strangers, relearn to listen to the 6th sense, to accept the goodness of others without distrusting ulterior motives. The precautions to take into account should be the same as day-to-day, but in this regard, both on the Way and elsewhere.

10. Adventure

For many of us, going to the Path is a great adventure because it is very different from what we are accustomed to. If we have never been scouts, we never camp and are not given to great walks, everything sounds like adventure with potential risks associated. In fact, it is only a small adventure, because if it is minimally prepared, all risks are minimized. There are places to stay overnight, places to eat, emergency contacts / support, … It is even abusive to call adventure, since it turns out to be a minimally controlled environment.

BUEN CAMINO!!

See also: The Way: 13 Myths Along the Way

Anúncios

2 thoughts on “Caminho de Santiago: Preparação – 10 Mitos / The Way: Preparation – 10 Myths

  1. Boa noite! Fiquei maravilhado com este artigo! Se já tinha vontade de realizar esta peregrinação, ainda fiquei mais motivado! Belo trabalho e OBRIGADA pela motivação que transmite! É um privilégio ler coisas assim.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s