Partilha de Margarida Maia: O que realmente importa é ir

PT

O desafio foi lançado aqui. Conhecendo a Margarida de outras aventuras e sabendo o quão bem consegue transmitir as emoções para o papel, não pude deixar de desafiá-la a partilhar a sua experiência ao longo do Caminho de Santiago. Aliada à escrita, as fotos complementam.
Fica sempre a esperança que motive outros a partirem e a fazerem o seu próprio Caminho! Obrigadaaaaa Margarida! :)

NOTA: O conteúdo (texto e fotografias) são da inteira responsabilidade do(s) seu(s) autor(es).

O que realmente importa é ir

Alguém um dia me disse: A vida não são números.
O “Caminho” vai para além dos quilómetros, dos metros, dos passos e dos dias decorridos.

O dia começa calmo e ao seu próprio ritmo…simples, natural. O acordar acontece bastante cedo, mesmo antes do sol nascer. E apesar de ser das coisas mais vulgares e certas no mundo observar o amanhecer tem uma beleza distinta entre todos os dias iguais. A natureza acorda também assim, com os pássaros a cantar sem sobressaltos e as árvores começam aos poucos a desenhar pequenas sombras onde antes só a noite existia.
Tudo segue o seu percurso normal, as setas amarelas dizem-nos que estamos na direção certa rumo a Santiago de Compostela. Cada seta é como uma lufada de ar fresco que nos alimenta a esperança e o sonho de que um dia vamos chegar ao destino tão desejado.

O dia decorre a par com o cansaço, é ele que dita o seu fim, mais ou menos tardio. Cada passo é uma novidade, é o riacho que corre lado a lado connosco e ouvimos a sua presença, é a árvore com uma silhueta estranha, é uma sombra que nos convida ao descanso, é uma paisagem que nos puxa para uma fotografia, é uma subida que nos faz ficar sem fôlego. É o tempo que, finalmente, agora temos para apreciar estas pequenas singularidades da vida e ainda assim tão banais. Mas é também a pausa para o almoço, para a partilha de experiências com outros peregrinos. As histórias ganham forma, algumas delas tiradas de filmes de ação, que nos fazem perceber que somos todos diferentes entre os iguais. No fim despedimo-nos: “Bom camino” e sorrimos.

O dia tão esperado aproxima-se, avistamos com os nossos próprios olhos a catedral de Santiago. Pensamos em tudo o que ficou para trás e tudo aquilo que nos levou até aqui. A catedral é grandiosa, olhamos à nossa volta uma imensidão de gente celebra a sua chegada, uns com mais euforia que outros. Contudo, acredito que em todos eles o sentimento de satisfação e concretização pessoal esteja bem presente. Eu gosto de acreditar que sim.

Alguma coisa em comum nos trouxe até aqui, quer tenha sido pela crença religiosa, quer tenha sido pelo simples prazer de fazer o caminho todos os motivos são válidos e legítimos. O que realmente importa é ir! “Bom camino”

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Outras partilhas:
– Margarida Maia: “O que realmente importa é ir”
– Teresa Fonseca: “O Meu Caminho”
– Mário C. e Teresa V.: “Sentir o Caminho”
– Cláudia Gouvinhas: “Comecei a caminhar tarde…”
– David Prior II: “Camino Primitivo 2014 – la puesta a prueba tres años después
– Joana Vaz Teixeira: “Caminhando se faz o Caminho”
– Daniela Mello : “Falar do Caminho de Santiago tira boa parte do encanto que é vivê-lo”
– David Prior: “De un reto a un camino de descubrimientos y experiencias”
– Luís: “Caminho de Santiago: Grandes dúvidas e grandes desafios”
– Juciara Nepomuceno: “Três lições do Caminho”
– David Rodrigues: “KM 0 – Quando pensares que o Caminho terminou…”

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