CR 23: Santana – Arco de S. Jorge

trio

PT / EN (English version, please scroll down)

A Madeira, pequena ilha, ainda encerra muitos mistérios até para quem a habita. Dispostos a conhecer mais sobre a mesma, aventurámo-nos no Caminho Real da Madeira nº 23.

A escolha da etapa (e dos seus pontos de partida e chegada) foi aleatória e tentámos seguir o “roadbook” disponibilizado. Apesar dos mapas, por nosso desconhecimento e/ou distracção, nem sempre seguimos o rumo adequado (por isso, não convém seguir todas as indicações aqui deixadas). Mea culpa! :)

O nosso ponto de partida foi a Quinta do Furão, no sítio da Achada do Gramacho, em Santana.
Deixámos para trás o hotel por um trilho de terra, que proporciona bonitas vistas sobre a costa .

Após um trilho curto, rapidamente desembocámos na estrada, para mais à frente, entrar no “Caminho Real da Achada do Gramacho”, que nos iria levar até ao calhau de S. Jorge.

Logo deixámos a zona habitacional e os terrenos cultivados, continuando a descer pelo caminho também conhecido como as “Voltas do Calhau”, num ziguezague ao longo da encosta.

Já ao nível do mar, podemos aproveitar o acesso directo à praia, de calhau, ou às piscinas, numa infra-estrutura também com bar e WC, ou ver a “Porta do Calhau de São Jorge, onde nasceu a freguesia e serviu de porta de entrada e de saída de mercadorias e também serviu de defesa militar de parte da costa norte da Madeira.” (fonte: aqui)

Como tudo o que desce sobe (ditado adaptado), na encosta em face sobe-se até o Cabo Aéreo, um miradouro maravilhoso com vista sobre o percurso acabado de ser calcorreado, com oportunidade para reabastecer energias no bar. Infelizmente, este troço encontra-se um pouco danificado em zonas pontuais, tendo o caminho antigo cedido. No entanto, a passagem não ficou impedida.

Energias repostas, continuámos a ganhar altitude (Rua São Pedro e Caminho da Achada Grande). Foi com alguma curiosidade que as poucas pessoas que encontrámos, sentadas nas varandas à sombra, nos viram passar e responderam à nossa saudação. Uns fregueses da venda ambulante alertaram-nos: “Está muito calor para passear!” Anuímos, mas ainda estávamos longe da meta definida e não havia espaço a tréguas.

Nesta altura do ano (Agosto), pudemos desfrutar da beleza de tantos novelos (hortênsias) à beira da estrada e de matármos saudades de amoras silvestres. Provavelmente devido a tantas distracções, não seguimos pelo desvio que apontava para a “Rocha de Baixo” e continuámos pela Estrada Regional (ER) rumo ao miradouro de S. Jorge.

Pela estrada encontrámos um senhor, bem mais à frente de nós. Na tentativa de lhe chamarmos a atenção, começámos a adivinhar o nome e a chamar: “Sr. João”.. nada.. “Sr. Manuel”.. nada.. “Sr. António”.. nada.. Sempre sem se virar e dar confiança, responde em alta voz “Pacheco!”O contacto estava estabelecido. Acelerámos o passo para pedir informações, pois começávamos a estranhar que o percurso fosse ao longo de tanta estrada.
– Deviam ter cortado lá atrás onde diz “Rocha de Baixo”. Mas aquele troço não é muito aconselhável a quem não tem prática. Aqui o rapaz ainda fazia, mas a menina (eu)… Já lá vi turistas à rasca, metem-se sem saber ao que vão.
Pelos vistos, a vereda tem alguma inclinação, pouca largura e falta (ou frágil) protecção. Para alguém medricas e com medo de alturas como eu, fiquei radiante por termos seguido pela estrada. Abençoado engano!

Despedimo-nos do Sr. Pacheco, com preciosas indicações sobre os passos seguintes.
Após o miradouro de S. Jorge, entrámos no Caminho da Cancelinha (e da rota do Museu do Vinho e da Vinha), Vereda da Ribeira Funda às Terras de Fora e Vereda do Enxurro, percurso com um desnível acentuado, impróprio a articulações mais sensíveis. Talvez por isso, alguém tivesse comentado a viva voz “Este é um caminho do inferno, nunca mais acaba!”

Finalmente chegados ao Arco de S. Jorge, impunha-se uma pequena pausa, mas a mesma voz de momentos antes acrescentou “Isto é suposto ser um passeio, não estou a pagar promessas. Apanhamos um táxi?” Já faltava “pouco” para a nossa meta pré-definida, 5/6km, mas acedemos todos à sugestão.
Enquanto esperávamos o único táxi da zona que levaria uma hora a chegar, aproveitei para visitar o tão afamado roseiral da Quinta do Arco. Uma delícia para os apreciadores de flores.
No final do passeio, num almoço tardio, ainda houve espaço para recuperar energias com uma bela refeição!

Alojamento: Pousada de Juventude (Santana), Quinta do Furão (Santana), Cabanas S. Jorge Village (S. Jorge), Quinta do Arco (Arco de S. Jorge)

Serviços: Piscinas do Calhau de S. Jorge (Bar+WC), fontes, Cabo Aéreo (bar+WC), Snack-Bar Adega Jardim (Caminho da Achada Grande), Bar Felpas, Bar Barreto, Café Park Central, Restaurante Cabanas Village.

Nota: A lista de Alojamentos e Serviços não tem a pretensão de ser exaustiva, mas de assinalar apenas o que encontrámos ao longo do caminho e que poderá vir a ser útil.

Outras etapas:

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EN

Madeira, small island, still has many mysteries even for its inhabitants. Willing to know more about it, we walked the Caminho Real da Madeira 23.

Despite the maps (“roadbook“), by our ignorance and / or distraction, we did not always follow the proper path (so do not follow all the directions given here).

Our starting point was the Quinta do Furão in Achada do Gramacho in Santana.
We left  the hotel behind by a dirt track, which offers beautiful views of the coast.

After a short rail, quickly we arrive on the road for more ahead, enter the “Real caminho da Achada do Gramacho,” which would take us to the São Jorge pebblestone.

Soon we left the residential area and the cultivated land, continuing down the path in a zigzag along the slope.

Already at sea level, we have a direct access to the beach (of pebblestone) or the swimming pools, an infrastructure also with bar and toilet, or see “the old gate of S. Jorge, where was born the village, the gate input and output of goods and also served as the military defense of the northern coast of Madeira.”

Like everything that goes down must go up, on the other hillside we have to go up to the Cableway, a wonderful viewpoint with opportunity to replenish energy at the bar. Unfortunately, this section is a little damaged in specific areas. However, the passage is not blocked.

With new energy we continued to gain altitude (Rua São Pedro and Caminho da Achada Grande). It was with some curiosity that the few people we have found, sitting on the balconies in the shade, saw us. Some of them warned us: “It’s too hot to walk!” We agreed, but we were still far from the goal set and there was no room for truce.

At this time of the year (August), we could enjoy the beauty of so many hydrangeas along the road and taste some blackberries. Probably due to so many distractions, we did not follow the detour that pointed to the “Rocha de Baixo” and continued by the regional road (ER) toward the viewpoint of S. Jorge.

Along the road we saw a gentleman, well ahead of us. We accelerated the pace to ask an information.
– You should have turn right where it says “Rocha de Baixo”. But that way is not very advisable to those who do not are used to. Here the boy could do it, but the girl (me) … I have seen already tourists in problems.
Apparently, the path has some inclination, narrowness and lack (or weak) protection. For someone “chicken” and scared of heights like me, I was delighted to have followed the wrong path. Blessed mistake!

Said goodbye to Mr. Pacheco, with valuable information for the next steps.
After the viewpoint of S. Jorge, we entered the path Caminho da Cancelinha (and the route of the Wine and Vineyard Museum), Vereda da Ribeira Funda às Terras de Fora and the Vereda do Enxurro, route with a steep slope, improper to sensitive joints. Maybe this was why someone had commented “This is a way to hell, it never ends!”

Finally arrived at the Arco de S. Jorge, we had to have a short break, but the same voice of moments before said “This is supposed to be a walk, I’m not paying promises. Do we take a taxi?” It lasted just a “little” part of our goal, 5 / 6km, but we all agreed.
While we waited the only taxi in the area that would take an hour to arrive, I took the opportunity to visit the famous rose garden of Quinta do Arco. A delight for flowers lovers.
At the end of the tour, a late tasty lunch!


Accommodation:
 Youth Hostel (Santana), Quinta do Furão (Santana), Cabanas S. Jorge Village (S. Jorge), Quinta do Arco (Arco de S. Jorge)

Services: Pool of Calhau de S. Jorge (Bar+WC), water sources, Cabo Aéreo (bar+WC), Snack-Bar Adega Jardim (Caminho da Achada Grande), Bar Felpas, Bar Barreto, Café Park Central, Restaurant Cabanas Village.

Note: The Accommodation and Service list does not claim to be exhaustive but to point out just what we found along the way and which may be useful.

Other stages:

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2 thoughts on “CR 23: Santana – Arco de S. Jorge

  1. I love following your Camino.I didn’t realize there is a Camino Real in Madeira! There’s one here in California too. Madeira has been on my bucket list, but now that I see the beautiful walking paths along the coast, I must plan a visit there soon. How is it walking with your adorable dog? How many KM a day do you do? Do you have any problems finding places to stay with a dog? I wish I could bring my doggies with me next time, but the long flight would be too much for them.
    I would like to feature your blog for Friday Favorites soon: https://thecaminoprovides.com/favorite-camino-blogs/
    Bom Caminho!

    • Hello Laurie,
      First of all, thanks for your feedback!
      Well, this Camino it’s a little bit different from the Camino de Santiago, as you don’t have albergues (pilgrim’s/walker’s hostels) and have to stay in private accomodations (or youth hostels sometimes), there’s no arrows pointing the path (yet, you can have a roadbook which is a great help). I’m not sure about the dogs, I’ll be aware about that to tell you later.
      The KM per day depends on you, you can chose your own stages. Don’t know all the camino yet, but it seems that the biggest one (from one village with accomodation to other one) can be 20 KM.
      Still now I have done 3 “stages” (will post the other 2 soon), and it was about 12 – 17 KM.
      More info about, check this: https://umcaminhoparatodos.wordpress.com/2016/09/03/cr23/
      It’s a great camino in a beatiful island, great views, very peaceful (and tasty food)! :) All good reasons to plan to come! ;)
      Bom Caminho!
      luisa

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