Caminhada / Walk: Caminho do Laranjal e da Capela

PT / EN

Longe vai o tempo em que “subir à Capelinha” era o passeio familiar de Domingo após o almoço para “ajudar a fazer a digestão”. Não era semanal mas quase, tal a frequência com o que o percorríamos, por estar perto de casa,  ser um momento de convívio, ter uma bonita vista que valia o esforço e por haver tantas histórias associadas ao passado dos “mais crescidos”, mas em que os mais novos ouviam com algum desinteresse por lhes parecer um tempo demasiado longínquo.

Longe vai o tempo em que subíamos por um trilho de terra entre vegetação, poios de videiras, árvores, flores e algumas cabras a pastarem. No topo, havia um caminhito que dava acesso à “Capelinha”, o resto era vegetação em altura, algumas árvores e numa delas, um baloiço improvisado com um pneu amarrado, a alegria da criançada. As portas da Capela de Nossa Senhora de Fátima eram de madeira, apenas através do buraco da fechadura podíamos ter ideia do seu interior, o que muito nos aguçava a curiosidade. Na hora de descer, por outro trilho de terra no lado oposto da colina, de quando em vez estendia a mão ao meu pai, pois a folhagem no caminho fazia-me escorregar e a travessia das levadas obrigavam a alguns saltitos, se a transbordar estivessem. Era uma pequena aventura este passeio, adaptada à idade da altura.

Alguns dos “mais crescidos” partiram, as crias dispersaram, a frequência da casa que sempre serviu de ponto de encontro para tantos diminuiu.

Durante muito tempo não “subi à Capelinha”, apesar de notar algumas mudanças ao longo da colina e saber das obras que foram sendo feitas.

Voltei recentemente e nada está igual. Os trilhos de terra deram lugar a estrada pavimentada, é possível ir de viatura 2/3 do caminho. Aqui chegados, 172 bonitos e arranjados degraus em pedra nos esperam para levar ao topo, com cruzes de Via-sacra ao longo dos mesmos. No cimo, o espaço é cuidado e limpo, encontramos turistas na área e na Capela as portas de madeira foram substituídas por outras de vidro.

São tais as mudanças que não parece ser o “meu” caminho que tantas vezes percorri e ainda menos aquele de que oiço falar e sobre o qual os mais novos dos dias de hoje escutam sem interesse. A história repete-se mas a “Capelinha” permanece, agora muito mais acessível a todos.

Nota: A Capela situa-se no Pico da Cova, em S. Vicente, Madeira, foi mandada construir nos anos 40 e a torre tem 14 metros de altura.

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EN

Long has gone since “to go up to the little Chapel” was the Sunday family walk after lunch to “help the digestion.” It was not weekly but almost. It was close to our home, a time of fellowship, had a beautiful view and had so many stories associated with the past of the “elders”, but whose the younger listened with disinterest in as them seemed too distant.

Long has gone since we climbed by a natural path between vegetation, terraces of vines, trees, flowers and a few goats to graze. At the top, there was a little path that led to the “little Chapel”, the rest was vegetation, some trees and in one of them an improvised swing with a tire tied, the joy of the children. The doors of the Chapel of Our Lady of Fatima were wooden, only through the keyhole we could get an idea of its interior, which greatly sharpened our curiosity. When it was time to go down by another trail on the opposite side of the hill, from time to time I asked the hand of my father to help me because the foliage along the way made me slip and to cross the water channels we needed to jump. It was a little adventur for the younger.
Some of the “elders” passed away, the youngers scattered, the visits of that house that always served as a meeting point for many declined.

For a long time I did not “climbed to the little Chapel” despite have notice some changes over the hill and know the works that were being made.

Recently I returned and nothing is the same. The natural paths gave place to paved road and it’s possible to do by car 2/3 of the way. Arrived at this point, 172 beautiful stone steps await us to take to the top, with crosses of the Way/Stations of the Cross along the same. At the top, the space is care and clean, we see tourists in the area and in the Chapel the wooden doors have been replaced by glass.

Such are the changes that it did not seem “the” way I walked so many times and even the one I hear speak about and on which the youngers of today listen without interest. History repeats itself, but the “Little Chapel” remains, now more accessible to everyone.

Note: The Chapel is located in the Pico da Cova, in São Vicente, it was built in the 40s and the tower is 14 meters high.

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