Camino Sanabrés: 41. Castro Dozón – Bandeira (35,2 km). Fénix renascida / Phoenix reborn

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Etapa 41: Castro Dozón – Bandeira (35,2 km)

 Conforme combinado ontem, saio cedo do albergue com a Krystyna. A maioria dos peregrinos vai fazer uma etapa curta até A Laxe, o objectivo da Krystyna é chegar até Silleda e o meu é até onde o corpo aguentar, por isso, para precaver, na véspera despedi-me de todos.

Ontem foi um bom dia de descanso, como cheguei muito cedo ao albergue, tive tempo de tratar das coisas com calma e passar o resto do dia em repouso e com o mínimo de esforço e isso reflecte-se agora de manhã, com uma pequena benesse para caminhar. O Gordon tinha-me dito que até A Laxe a etapa é um constante sobe e desce, com alguns trilhos pedregosos, por isso já vou mais atenta para dosear o esforço. A minha companheirona de caminhada também não está a cem por cento, por isso seguimos sem pressa e sem fazer esforços desnecessários. Sinto-me uma felizarda por ter a sua companhia!

A caminhada começa sobre o asfalto, depois uma pista paralela à estrada, de novo asfalto, um painel que indica “Santiago 61 km”, atravessamos a pequena povoação de Santo Domingo, estrada secundária paralela à auto-estrada, mais estrada, um trilho agradável em ascenso e entre árvores, de volta a uma estrada secundária paralela à estação de comboios de Lalín, passamos por umas casinhas, dois dedos de conversa com uma senhora de idade que por ali varre a entrada da sua casa e seguimos.  Ao fim de 18km estamos em A Laxe e mantemos a tradição de parar no primeiro bar para uma pausa digna de registo (nada como não ter o Antonio por perto para controlar o tempo de repouso). Ou então não, já que aproveitamos para lhes ligar e ver se está tudo a correr bem. Quando digo que estamos a descansar, oiço do outro lado “Certamente já passaram 10 minutos, hora de voltar ao caminho”. :) A eles dizemos que vamos parar por ali, que será o fim da nossa etapa devido às condicionantes físicas de ambas, mas na verdade, logo de seguida retomamos o caminho. É uma pequena mentira, porque lá no fundo, ainda tenho esperança de lhes fazer uma surpresa e aparecer à frente… não sei como já que não existe teletransporte, mas é essa chama que me mantém motivada a continuar.

Retomamos o caminho, estrada, trilho, povoação, trilho, ponte antiga, trecho magnífico, subida longa entre árvores e voltamos a desembocar na Nacional 525. Andamos um pouco pela estrada prestes a voltar a entrar num novo trilho quando somos abordadas por um senhor que tem o carro estacionado na berma e que nos pergunta se queremos carimbar as credenciais na capela a 10 metros dali, do outro lado da estrada. Se estivesse só teria respondido imediatamente que não pela estranheza da situação, mas acabamos por aceder e depois de falar um pouco mais com o senhor, ri da situação. A capela às terças-feiras costuma estar encerrada, mas como o ele se esqueceu do seu casaco no dia anterior, voltou para o ir buscar e vendo duas peregrinas, ofereceu-se para carimbar as credenciais. Em frente à capela tem uma pequena estátua de S.Tiago e abraço-o antecedendo um pouco o grande abraço que quero dar ao chegar a Compostela.

Mais 4 km de caminhada e chegamos a Silleda. Vamos a um bar para uma derradeira bebida antes da despedida. A Krystyna fica por aqui e daqui a dois dias estará em Santiago, eu ainda me sinto com energia para caminhar mais um pouco, quero ir o mais longe possível.  Entretanto, recebo uma mensagem do Gordon, eles terminaram a etapa um pouco mais cedo do que inicialmente previsto, 4 km antes, em Ponte Ulla e este novo facto faz reavivar a chama de esperança. A Krystyna apoia-me na ideia insensata que me povoa o espírito desde ontem, “Luisa, tu vais conseguir! Manda cumprimentos meus aos rapazes.” e dá-me um abraço apertado. Afasto-me agradecida pelo privilégio de ter podido caminhar com ela e com a energia renovada, de tal forma que vou traulitando algumas músicas, a boa onda voltou, olé!

O guia menciona que se segue um “jogo de trilho-estrada nacional aborrecido” e constante e, assim sendo, opto por seguir apenas pela Nacional em vez de andar aos ziguezagues. Está muito, muito calor, não há praticamente sombras, o asfalto ajuda ainda mais a cozer os pés, o cansaço começa a abater-se sobre mim e as paragens são cada vez mais frequentes. Quando chego a Bandeira, 6,7 km depois, páro algures num bar, descalço-me e descanso. O objectivo é recuperar um pouco para voltar ao caminho, mas assim que leio o guia e faço contas ao tempo, vejo que será impossível fazer mais 12km até Ponte Ulla (já chegaria de noite) e antes disso não teria albergue, apenas alojamento privado daí a 5km. Quarenta minutos depois quando me levanto para falar com a senhora do bar, apenas pergunto onde fica o albergue, os pés estão numa lástima. A senhora deixa-me ficar o contacto de um taxista ali da zona, caso venha a precisar.

O albergue é a 5 minutos dali e sigo calmamente. Quando lá chego, já passou das 17h e encontro a Elena, uma peregrina espanhola que tinha conhecido em Ourense devido à máquina de lavar e a uma peça em falta. Ela reconhece-me, apresenta o resto do grupo, mais 4 espanhóis e ao contar os meus planos para o dia seguinte dizem-me “Hoje jantas connosco, não te preocupes com nada. Trata de descansar e aparece à hora do jantar.” Agradeço meia sem jeito e caio na cama para uma siesta. Quando o despertador toca vou finalmente tomar duche e aproveito para dar um saltinho ao supermercado, a 3 minutinhos dali para comprar uma sobremesa. No regresso ajudo na preparação da salada, a colocar a mesa e a degustar o que foi tão gentilmente cozinhado: tortilla de patata com salada, pão, queijo, vinho e sobremesa, nhamy, tão bom! Pessoal cinco estrelas, divertidos, simpáticos, já se conheciam de outros caminhos e agora reuniam-se para festejar a amizade num novo caminho. Eles pretendem prolongar um pouco mais o tempo juntos e irão dividir a próxima etapa até Santiago em duas, eu, uma vez mais, irei até onde puder.

Despeço-me deles, tenho de voltar ao descanso porque amanhã o dia será longo. A Maria ao despedir-se acrescenta “Tu és corajosa, eu não seria capaz de fazer isso [em relação ao meu plano para amanhã]”, respondo-lhe com a maior sinceridade “Eu também não sou, mas não há outra solução, só assim me fará sentido chegar a Santiago.” Ela anui, compreende perfeitamente.

Vou dormir completamente reconfortada, o dia foi longo, difícil, mas fui abençoada pelas pessoas que me acompanharam, um presente maior do que merecia. Sozinha provavelmente teria feito o mesmo, mas teria tão mais difícil e tão menos prazeroso!

Etapas Via de la Plata + Camino Sanabrés

LivroUm Caminho para Todos – Diário de uma peregrina no Caminho de Santiago, Via de la Plata e Camino Sanabrés

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EN

Stage 41: Castro Dozón – Bandeira (35,2 km)

(Translation in progress… google translation for now) :\

 As agreed yesterday, I leave early the hostel with Krystyna. Most pilgrims will make a short step to A Laxe, the objective of Krystyna is to get to Silleda and mine is as far as the body endure, so in order to guard the day before I said goodbye to everyone.

Yesterday was a good day of rest, as I arrived very early at the hostel, had time to deal with things calmly and spend the rest of the day at rest and with minimal effort and this is reflected in this morning with a small boon to walk. Gordon had told that to A Laxe step is a constant up and down, with some stony tracks, so I’m coming closer to dose the effort. My hiking companheirona is also not a hundred percent, so we walked unhurriedly and without unnecessary effort. Ssinto me a lucky girl to have your company!

The walk begins on the asphalt, then a parallel track to the road, new asphalt, a panel indicating “Santiago 61 km”, cross the small town of Santo Domingo, parallel side road to the highway, over the road, a pleasant trail on the rise and among trees, back to a parallel secondary road to Lalin train station, we passed some houses, a chat with an old lady over there that sweeps the entrance of his house and followed. After 18km we are in A Laxe and maintain the tradition to stop at the first bar for a dignified pause recording (nothing like not having Antonio around to control the standing time). Or not, as we take them to call and see if everything is going well. When I say that we are to rest, I hear the other side “Certainly already spent 10 minutes time to get back on track.” :) To them we say we will stop there, it will be the end of our stage due to the physical constraints of both, but in fact, immediately afterwards resumed the way. It’s a small lie, because deep down, I still have hope to surprise them and appear ahead … do not know how since there is no teleportation, but is this flame that keeps me motivated to continue.
We resume the walk, road, rail, town, rail, old bridge, magnificent stretch, long climb between trees and came to culminate in a National 525. We walked a bit down the road about to re-enter on a new path when we are approached by a man who have the car parked on the hard shoulder and asks us if we want to stamp credentials in the chapel to 10 meters away, across the road. If only would have responded immediately than by the strangeness of the situation, but we ended up access and then talk some more with you, I laugh at the situation. The chapel on Tuesdays is usually closed, but as he has forgotten his coat on the previous day, returned to the fetching and seeing two pilgrims, offered to stamp credentials. In front of the chapel has a small statue of S.Tiago and embrace it preceding a little big hug I want to give to reach Compostela.
More 4 km walk and we got to Silleda. We go to a bar for a last drink before the dismissal. The Krystyna stop there and in two days will be in Santiago, I still feel energized to walk a little longer, I would go as far as possible. However, I get a message from Gordon, they finished the stage a little earlier than originally planned, 4 km before in Ponte Ulla and this new fact is fan the flame of hope. Krystyna supports me in the foolish idea that people my mind since yesterday, “Luisa, you’re going to get! Send my regards to the boys. “And gives me a tight hug. I walk away grateful for the privilege of being able to walk with her and with renewed energy, so I will traulitando some songs, good wave back, olé!
The guide mentions that follows a “boring national rail-road game” and constant and, therefore, I choose to follow only the National instead of walking to zigzags. It’s very, very hot, there is virtually shadows, asphalt further helps to bake the feet, tiredness begins to befall me and the stops are more frequent. When I get the Flag, 6.7 km later, we stop somewhere in a bar, barefoot me and rest. The aim is to regain some to return to the path, but as soon as I read the guide and do accounts to time, I see that it is impossible to do more to 12km Ponte Ulla (already come evening) and before that would not hostel, only private accommodation there 5km. Forty minutes later when I get up to speak to the lady of the bar, just ask where the hostel is, the feet are a shame. You let me get in touch with a taxi driver there in the area, should you need.
The hostel is 5 minutes away and follow quietly. When I arrive there, I have passed from 17h and against Elena, a Spanish pilgrim who had met in Ourense due to washing machine and a piece missing. She recognizes me, shows the rest of the group, plus 4 Spanish and in telling my plans for the next day they tell me “Today dinners with us, do not worry about anything. It comes to rest and appears in time for dinner. “Thanks half embarrassed and fall into bed for a siesta. When the alarm sounds will finally take a shower and take this opportunity to take a little jump to the supermarket, 3 minutinhos there to buy a dessert. In return help in preparing the salad, set the table and enjoy what was so kindly cooking: tortilla with salad, bread, cheese, wine and dessert, nhamy, so good! Personal five stars, fun, friendly, knew each other ways and now gathered to celebrate their friendship in a new way. They plan to extend a little more time together and will split the next step to Santiago in two, I, once again, will far as you can.
I say farewell them, I have to go back to rest because tomorrow the day will be long. The Maria to say goodbye adds “You are brave, I could not do it [about my plan for tomorrow],” I reply you with the greatest sincerity “I am not, but there is another solution, only so will felt reach Santiago.” She nodded, she understands perfectly.
I sleep quite comforted, the day was long, difficult, but I was blessed by the people who accompanied me a greater gift than deserved. Alone probably would have done the same, but have so much harder and so much less pleasant!

Stages of Via de la Plata + Camino Sanabrés

Book: A Camino for All – A Pilgrim’s Diary on the Camino de Santiago, The Via de la Plata and the Camino Sanabrés

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