Camino Sanabrés: 35. Lubian – A Gudiña. Dia molhado, dia abençoado / Rainy day

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Etapa 35: Lubian – A Gudiña (23,8 km)

Desperto na expectativa de ver se a chuva continua a cair, enquanto não me sai da cabeça uma música de infância da qualsó me lembro do tom e não da letra “A chuva cai, cai, …”. Enfim, é o desespero de tentar encontrar alguma animação num dia que será passado com os pés encharcados.

Praticamente todo o albergue desperta à mesma hora, é pequeno e com o alvoroço de alguns, é quase impossível continuar a descansar. Aproveito para descer e ir até à cozinha comer algo, enquanto espero pelos rapazes. Apesar de sairmos todos juntos, como infelizmente, e mais uma vez, a minha opção será seguir pela estrada nacional N-525, é com a Daniela, brasileira que conheci ontem no albergue, que acabo por caminhar duante toda a manhã. Ela é brasileira, mas vive em Espanha há vários anos, é um pouco mais jovem do que eu e a sua simpatia cativou todos no albergue, muito especialmente a ala masculina. Começou o Caminho há poucos dias em Granja de Moruela, mas como muitos de nós já algum dia fizemos, entusiasmada por se sentir em forma fez etapas mais longas e agora queixa-se de um tornezelo. Assim, seguiremos as duas “mancas” pela estrada.

Ter companhia, ainda para mais num dia de chuva, é sempre bom. Quando chove mais, vamos em silêncio e uma ajuda a marcar o ritmo da outra, quando suaviza, vamos à conversa e o tempo passa mais depressa. Com excepção do primeiro troço à saída do albergue, tudo o resto não tem interesse nenhum a nível de paisagem.

Ao fim de 15 km, quando o caminho volta a coincidir com a estrada, chegamos ao Pereiro e decidimos parar num bar para descansar e beber algo quente. Tento confirmar se os rapazes estão por perto e, de facto, estão nas proximidades, mas no café de uma pensão a 100 metros dali. Voltamo-nos a reunir todos e, agora sim, seguiremos juntos até ao final, pois segundo eles  as condições pelo trilho não estão favoráveis devido à muita lama.

O tempo começa a melhorar, o tímido sol aparece, os ponchos voltam para as mochilas e torna-se mais agradável caminhar.

A uns 3 km do final da etapa encontramos a Krystyna e o Michel, a Armel e o Loïc seguem mais à frente. O caminho agora é a descer e como já vemos A Gudiña à nossa frente, parece que nos dá novo fôlego e todos queremos chegar depressa.

Finalmente em A Gudiña, os rapazes preferem ficar numa pensão, eu e a Krystyna acabamos por ficar também e partilhamos o quarto as duas. Foi uma oportunidade de passar mais tempo com ela e a conhecer melhor, foi muito bom! Deixo-a à vontade para ir tomar banho primeiro e lavar a roupa, apetece-me um duche bem quente e sem pressa e esse será o meu luxo do dia. Quando saio da casa-de-banho já quase não conseguo respirar com o vapor ali concentrado, mas estou como nova!

De tarde aproveito para dar uma volta pela cidade. Encontro uma loja que entre outras coisas, tem uns pares de sapatilhas. Entro e começo a ver se tem algumas mais apropriadas para mim. Os preços não são nada animadores, para a (pouca) qualidade apresentada. Saio da loja e continuo o périplo pela povoação, mas sinto uma espécie de dois seres pendurados em cada ouvido a defenderem teses contrárias: “Na falta de melhores sapatos, pelo menos com aqueles consegues chegar a Santiago”, “Não compensa pagares tanto, agora já estás quase na recta final”, “Não ficas com os pés constantemente húmidos e com bolhas desnecessárias”, “Com aquela falta de qualidade, ainda acabas por perder as solas e gastaste dinheiro em vão”. Indecisa ainda de qual seria a melhor opção, volto à loja para averiguar se tem o meu tamanho. Não tem, é tamanho único. Um misto de sentimentos invade-me, afinal, só não compro porque não tem o meu número…

De volta à pensão, vejo passar do outro lado da estra dois peregrinos com quem nunca falei (apenas “Hola” e acenos), mas nutro a cada dia que passa uma simpatia crescente. São avô e neta, ela deve ter 20 e poucos anos, o senhor, tem uma aparência um pouco frágil, mas a verdade é que tem aguentado muito bem as etapas. Desde Granja de Moreruela que os encontro quase todos os dias, mas nunca ficam nos albergues e chegam sempre mais tarde que a maioria dos peregrinos. Tenho uma curiosidade imensa por os conhecer, mas as circunstâncias nunca são apropriadas. Do outro lado da rua aceno-lhes e fico feliz de os ver a concretizar mais esta etapa.

Etapas Via de la Plata + Camino Sanabrés

LivroUm Caminho para Todos – Diário de uma peregrina no Caminho de Santiago, Via de la Plata e Camino Sanabrés

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EN

Stage 35: Lubian – A Gudiña (23,8 km)

(Translation in progress… google translation for now) :\

 Awake in anticipation to see if the rain continues to fall, while not on my mind a childhood music qualsó remember the tone and not the letter “The rain falls, falls, …”. Anyway, it is desperate to find some animation in a day that will be passed with the soggy feet.
Virtually the whole hostel awake at the same time, it is small and the uproar of some, it is almost impossible to continue to rest. I take this opportunity to come down and go into the kitchen to eat something while I wait for the boys. Although we left all together, as unfortunately, and once again, my choice is to follow the national road N-525, is with Daniela, Brazil I met yesterday at the hostel, I end up walking duante all morning. She is Brazilian, but lives in Spain for several years, is a bit younger than me and his sympathy captivated everyone in the hostel, especially the male ward. It began the way a few days ago in Moruela of Granja, but how many of us have ever made, excited to feel in shape made longer steps and now complains of a tornezelo. So, we will follow the two “lame” the road.
Have company, even more so on a rainy day, it is always good. When it rains more, quietly and helps set the pace of the other, when softens, let the conversation and time passes more quickly. Except for the first section outside the hostel, all the rest have no interest in terms of landscape.
After 15 km, when the path back to coincide with the road, we come to Pereiro and decided to stop at a bar to rest and drink something warm. I try to see if the boys are around and in fact are nearby, but the cafe of a pension 100 meters away. We turn to gather everyone and, now, we will continue together until the end, because according to them the conditions by rail are not favorable due to a lot of mud.
The weather starts to improve, the shy sun appears, the ponchos turn to backpacks and becomes more pleasant walk.
At about 3 km from the end of the stage we find the Krystyna and Michel, the Armel and Loïc follow later. The path is now going down and as I see The Gudiña ahead, it seems that gives us new life and all we want to go quickly.
Finally in the Gudiña, the boys prefer to stay in a hostel, I Krystyna and we ended up staying and also share the room the two. It was an opportunity to spend more time with her and to know better, it was very good! I leave it to the will to go shower first and wash clothes, I feel like a hot shower and unhurried and this will be my luxury day. When I leave the house-of-bath almost conseguo not breathe the vapor concentrated there, but I’m like new!
In the afternoon I take for a spin around town. Find a store that among other things, has a pair of sneakers. Enter and start to see if you have some more appropriate to me. Prices are not encouraging for the (low) quality presented. I leave the shop and continue the tour of the village, but I feel a kind of two beings hanging from each ear to defend opposing views: “In the absence of better shoes, at least those can you get to Santiago”, “It does not pay much pay now since you are almost in the final straight “,” Are not you with constantly wet feet and unnecessary bubbles “,” With that lack of quality, yet you end up losing the soles and You spent money in vain. ” Still uncertain of what would be the best option, I return to the store to find out if you have my size. There has, it is one size fits all. Mixed feelings invades me, after all, just do not buy because they do not have my number …
Back on board, I go across the estra two pilgrims who never spoke (only “Hola” and nods), but I cherish every passing day an increasing sympathy. Are grandfather and granddaughter, she must have 20-something, sir, have a somewhat fragile appearance, but the truth is that it has endured very well the steps. Since Granja de Moreruela that meeting almost every day, but never stay in hostels and always arrive later than most of the pilgrims. I have an immense curiosity to know them, but the circumstances are not appropriate. Across the street nod to them and I’m glad to see them to achieve more this step.

Stages of Via de la Plata + Camino Sanabrés

Book: A Camino for All – A Pilgrim’s Diary on the Camino de Santiago, The Via de la Plata and the Camino Sanabrés

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