Camino Sanabrés: 34. Requejo – Lubian. Bom dia, alegria! / Good morning, sunshine!

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Etapa 34: Requejo – Lubian (17,6 km)

Bom dia, alegria! Depois de dois dias menos bons, segue-se sempre um melhor, pelo menos é o que vou constatando por aqui. Anima-me ver o percurso de hoje, os primeiros 8,1 km são sempre a subir, ganhando cerca de 350m de altura em relação ao local onde estamos. São boas notícias para os meus pés, que se adaptam melhor às subidas! :)

Começamos o dia juntos, como de costume, mas os rapazes decidem arriscar o trilho mais natural, embora nos tenham alertado para os desvios constantes em relação às obras. Eu, como vem sendo hábito por motivos de maior conforto no caminhar, sigo pela estrada. Assim consigo ter um passo constante, sem pedras a entrarem pelas solas rotas ou outras mais pontiagudas a massacrarem os pés. Embora seja sempre preferível seguir pelo meio da natureza, esta é opção mais racional por agora e até não é má de todo, pois o trânsito é escasso, passam apenas algumas carrinhas com os trabalhadores das obras e a paisagem ainda assim, é bonita!

Pouco depois de ter deixado os rapazes, encontro o Michel num troço pela estrada e decide ficar a acompanhar-me nos quilómetros seguintes. Estaria bem sozinha, aproveitando o fresco da manhã e o despertar do dia, mas a sua boa vontade e as histórias de aventuras da juventude e do seu filho, que pelos vistos seguiu as pegadas do pai, cativam-me e fazem-me abstrair do cansaço da subida. É com alegria que chego ao topo, sentindo soprar uma brisa refrescante e, como de costume, não perco oportunidade de “abrir as asas” e com (muita) imaginação, sentir-me um passarinho dos muito que por ali andam e nos acompanham com as suas melodias. Que manhã magnífica!

Ao fim de quase 10km chegamos a Padornelo e paramos no bar à beira da estrada, somos os primeiros. O espaço é acolhedor e a tentação está bem presente com inúmeras pernas de presunto penduradas no tecto, queijos de zonas ali próximas, broas caseiras e licores. Nós optamos pelo comum, dois sumos bem frescos enquanto esperamos a ver se aparece mais alguém. Pouco tempo depois surgem a Armel e o Loïc, inconfundíveis mesmo à distância e, logo a seguir, o Gordon e o Antonio.

Eu já descansei por longo tempo, já estou a arrefecer e apetece-me continuar um pouco sozinha, a absorver aquela paz que se sente ali e oportunidade de cantar sem perturbar os outros, por isso pego na mochila e recomeço a caminhar calmamente, sabendo que todos eles não tardarão a aparecer. O fresco matinal ainda se faz sentir, apesar do irmão Sol já estar a intensificar os seus raios. Tantas são as vezes que vou de braços abertos pela estrada fora (felizmente continua quase sem movimento). Que maravilha de dia!

Acabamos por nos reencontrar todos e seguir sem muita distância entre nós. Com a chegada a Lubian, há um troço que perde a sua beleza devido às grandes obras que por ali se realizam, os camiões carregados de materiais e a poeira constante no ar. É uma parte bem menos bonita, mas tentamos ultrapassá-la rapidamente.

A chegada a Lubian, pelas cores das casas e o aglomerado que formam, faz-me lembrar a chegada a El Acebo, no Caminho Francês, mas pelos vistos fui a única a fazer esta associação…

A etapa foi curta, o dia é aproveitado para descansar e conviver. Aproveitamos para dar uma volta pelo centro da povoação, visitar a Igreja e ir ao mini-mercado. No regresso ao albergue, apanhamos chuva, o clima mudou ao longo do dia e parece que se vai manter nos próximos dias. Felizmente, o Loïc e a Armel há um par de dias encontrou o meu poncho algures no meio do caminho e trouxeram-no no seu trolley. Nem me tinha dado conta que o tinha perdido! De facto, nesse dia tinha sentido a mochila um pouco mais confortável (sempre são 400gr), mas não associei a perder equipamento pelo caminho. Ainda bem que eles encontraram e tiveram a boa vontade de mo trazer, pois será essencial já a partir de amanhã.

Lubián é uma localidade cujo nome deriva dos lobos, embora hoje em dia seja uma espécie em extinção, em tempos a história foi outra. Os rapazes não perdem oportunidade de brincarem com a situação e uivarem de vez em quando, “Luisa, Uhhhhhh”, pois ontem, depois de ter andado perdida no bosque, dizem que andava perto de uma zona protegida para os lobos. Hmmm…

Pontos finais: Ontem a Sandrine chegou mais cedo ao albergue e tivemos oportunidade de estar algum tempo à conversa, que com o chocolate e chá que me ofereceu, ainda soube melhor (é tão fácil me cativar!). Dizia que, no primeiro dia, quando nos conheceu (a mim e aos rapazes) na Calzada de Valdunciel, pensou que fossemos familiares. Depois apercebeu-se que não havia qualquer laço familiar entre nós e ficou intrigada com o que me faria caminhar com dois “cotas” ao longo de tanto tempo. Agora, depois de conhecê-los um pouco diz-me que compreende perfeitamente “Eles não têm idade e são divertidos e cuidadosos.” Nem mais, há muito que me esqueci da idade deles, esse pormenor simplesmente não interessa. Aliás, estou fascinada com os “cotas” que por cá andam, têm todos uma genica invejável, muitos objectivos por concretizar ainda, histórias de vida interessantes e a serenidade e confiança que só os anos dão. Não deixa de ser curioso ela não ter sido a única a ficar intrigada com esta situação. Para mim, é um privilégio poder comungar deste Caminho com todos eles, mas muito em especial dos meus 2 anjos da guarda (Antonio e Gordy), que tanto me aturam!

Etapas Via de la Plata + Camino Sanabrés

LivroUm Caminho para Todos – Diário de uma peregrina no Caminho de Santiago, Via de la Plata e Camino Sanabrés

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EN

Stage 34: Requejo – Lubian (17,6 km)

(Translation in progress… google translation for now) :\

 Good morning joy! After two less good days, here is always better, at least that’s what I’m finding here. Anima’s see today’s route, the first 8.1 km are always to rise, gaining about 350m in height in relation to where we are. This is good news to my feet, which are better suited to climbing! :)
We began the day together, as usual, but the boys decide to risk the most natural path, although they warned us for constant deviations from the works. I, as has been usual for reasons of comfort in walking, follow the road. So I can have a constant pitch without stones to enter through the soles routes or other more pointed the massacre feet. While it is always preferable to follow the middle of nature, this is more rational option for now and even is not bad at all, because the traffic is scarce, spend just a few vans with workers of the works and the landscape still, it’s beautiful!
Shortly after leaving the boys meet Michel on a section by road and decides to stay to accompany me in the following kilometers. I would be fine alone, enjoying the cool of the morning and the awakening of the day, but their goodwill and the stories of youth and his son adventures, which apparently followed his father’s footsteps, captivate me and make me the abstract fatigue of the climb. I am happy to get to the top, feeling blowing a refreshing breeze and, as usual, do not lose opportunity to “spread their wings” and (much) imagination, feeling a little bird of a lot to go over there and follow us on their melodies. What a wonderful morning!
After about 10km we reach Padornelo and stopped at the bar by the roadside, we are the first. The space is cozy and the temptation is very present with numerous legs of ham hanging from the ceiling, cheese there surrounding areas, homemade scones and liqueurs. We opted for the ordinary, two fresh juices as well as we wait to see if someone else appears. Shortly thereafter arise Armel and Loïc, unmistakable even from a distance and, soon after, the Gordon and Antonio.
I’ve rested for a long time, I’m already cool and I feel like a little go alone to absorb the peace you feel there and opportunity to sing without disturbing others, so caught up in the bag and beginning to walk calmly, knowing that all of them will soon appear. The morning fresh still being felt despite the Sun brother already stepping up its rays. So many are the times I’ll open arms down the road (fortunately remains almost motionless). How wonderful day!
We ended up all meet again and go without much distance between us. With the arrival in Lubian, there is a section that loses its beauty because of the great works that way take place, the truckloads of materials and constant dust in the air. It is a far less beautiful part, but we try to overcome it quickly.
The arrival in Lubian, the colors of the houses and the cluster forming, reminds me of the arrival to El Acebo, the French Way, but apparently I was the only one to make this association …
The stage was short, the day is taken advantage of to rest and socialize. We take for a walk through the center of the village, visit the church and go to the mini-market. On returning to the hostel, we picked rain, the climate has changed throughout the day and it looks like it will continue in the coming days. Fortunately, Loïc and Armel a couple of days found my poncho somewhere along the way and brought it to your trolley. Nor had I realized that had lost! In fact, that day had felt the bag a little more comfortable (400gr always are), but not associated the equipment lost along the way. Even though they met and had the good will to bring mo, it will be essential as from tomorrow.
Lubián is a village whose name derives from the wolves, although nowadays is an endangered species, once the story was another. The boys do not lose the opportunity to play with the situation and howl from time to time, “Luisa, uhhhhhh” because yesterday, after having been lost in the woods, say they walked near a protected area for wolves. Hmmm …

Final thoughts: Yesterday Sandrine came early to the hostel and had the opportunity to be a time to talk, that with the chocolate and tea offered me, yet knew better (it’s so easy to captivate me!). He said that on the first day when he met us (me and the boys) in Calzada de Valdunciel, thought we were family. Then he realized that there was no family bond between us and was intrigued by what would make me walk with two “quotas” over so long. Now, after getting to know them a little tells me that understands perfectly “They are not old and are fun and careful.” No more, have long forgotten their age, this detail simply does not matter. Incidentally, I am fascinated by the “quotas” that go by here all have an enviable gene, many objectives to be realized also interesting life stories and the serenity and confidence that only years give. There is curious she was not the only one to be intrigued with this situation. For me it is a privilege to partake of this path with all of them, but most especially my two guardian angels (Antonio and Gordy), who both put up with me!

Stages of Via de la Plata + Camino Sanabrés

Book: A Camino for All – A Pilgrim’s Diary on the Camino de Santiago, The Via de la Plata and the Camino Sanabrés

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2 thoughts on “Camino Sanabrés: 34. Requejo – Lubian. Bom dia, alegria! / Good morning, sunshine!

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