Camino Sanabrés: 33. Asturianos – Requejo. Perdida no bosque / Lost in the woods

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Etapa 33: Asturianos – Requejo (26,5 km)

A noite foi curta, muito curta e mal dormida. A minha tendinite também não dá tréguas e sinto a perna bem pior que ontem… o dia promete!

Acabamos por sair todos do albergue mais ou menos à mesma hora, com excepção dos peregrinos espanhóis que são madrugadores e da Sandrine que não dispensa aproveitar um pouco de sossego depois de termos saído.

Hoje, especialmente, não consigo acompanhar o andamento e não tardo a ficar para trás. O percurso agora de manhã sai rapidamente da estrada e entra por um trilho no bosque, lindo, lindo! Os passarinhos a cantarem, o sereno sobre as folhas e o perfume das flores e árvores, é um alento para caminhar. Ainda para mais, o trajecto é a subir  com pouca inclinação, o que me facilita na colocação dos pés e em menos dores. Perfeito!

De volta à estrada novamente, reencontro os rapazes à beira de uma fonte e seguimos juntos. Entramos novamente no bosque, acabo por ficar só, mas vou desfrutando de tudo o que me rodeia, embora a lama comece a incomodar e cada vez encontre mais, obrigando a encontrar um trajecto alternativo, sempre que possível. A certa altura, um dos marcos de pedra com a sinalização deixa-me dúvidas sobre qual o caminho a seguir, se em frente ou para a direita, havendo duas espécies de caminho em ambas as direcções embora, nesta zona, tudo esteja alcatifado com uma espécie de relva alta. Ainda me demoro nas duas entradas numa tentativa falhada de encontrar pegadas, mas ali era impossível, a não ser que fosse um elefante que prensasse com convicção a relva.
Na dúvida, chamo pelos rapazes, tinha noção de que não deveriam estar muito longe, afinal ainda há pouco estivemos juntos. Nada. Dou uso ao apito de emergência que levo sempre pendurado ao pescoço. Nada. Telefono-lhes, mas entretanto já estou a investigar a opção da direita. Eles dizem-me não ter ideia de que parte do caminho estou a falar, pois nada lhes surtiu dúvidas e por ali, é mais ou menos tudo igual (tudo verde, vegetação, poucas coisas que sobressaiam para que sirvam de referência). Começo a ficar nervosa, pois o caminho que optei não parece ser o correcto, entretanto ao voltar para trás, como é tudo igual, já não tenho certeza se estou a ir correctamente, a perna não ajuda, assim como a lama que obriga a um esforço extra para não enterrar os pés ou escorregar. Sei também que sou a última peregrina, portanto mais ninguém passará por ali, a não ser a Sandrine, mas isso pode levar horas. Enfim, começo a stressar (sempre disse que era uma galinha)! O Gordy, pacientemente do outro lado da linha, “Luisa, vê se encontras novamente o marco com a seta. Entretanto vou ao teu encontro.” Finalmente de regresso ao ponto de partida, junto ao marco, opto pelo outro caminho e ao fim de uns cinco minutos reencontro uma seta, que alegria!!! Quando olho em frente e vejo o que me espera, só não me dá uma coisinha má porque a alegria de estar de novo no caminho certo é maior: meio quilómetro de lama, muita lama! Houve alturas em que parecia lama movediça e se ficasse muito tempo parada, começava a enterrar-me. “Que se lixe a perna, tenho de sair daqui.” No fim deste trajecto, estava o Gordy à minha espera (O Antonio tinha ficado a guardar a mochila), tinha feito mais de um quilómetro em sentido inverso, nunca pensei que já estivessem tão distantes! :)

Os três reunidos de novo, pausa para recuperar energias e dou-me conta que enquanto eu tenho as calças num estado deprimente até aos joelhos, eles os dois estão fresquíssimos. “Caminho alternativo? Não passaram pela lama?” Pois, tinham subido a um murinho e atravessado o lamaçal lá do alto. Até ao fim do dia, as minhas calças seriam motivo de olhares e comentários.

Depois desta peripécia e com Puebla de Sanabria relativamente próxima, seguimos juntos até lá.

Desconhecia por completo a existência desta localidade e deixou-me fascinada! À distância, conforme nos vamos aproximando, já cativa por estar ali concentrada no topo da colina, mas assim que nos aproximamos, é ainda mais bonita, num estilo completamente diferente de tudo o que fomos vendo até agora e está a apenas a 42 km de Bragança.

A nossa primeira paragem é numa farmácia, logo às portas da cidade, já estou com pouco stock e também preciso de algo mais forte. Depois atravessamos a ponte e decidimos ir até lá cima ao castelo, mandado construir no século XVI pelos Condes de Benavente. Esta era uma região estratégica entre a Galiza, Portugal e Castela. Os rapazes optam pelo trilho mais curto, umas escadas intermináveis, eu opto pela estrada, dando uma volta maior, mas que ainda assim me faria chegar mais depressa do que se optasse pelas escadas. É lindo este “pueblo”, de ruas e ruelas empedradas, casas cuidadosamente arranjadas, as cores, o espírito e a vista que se tem do topo! Não admira, portanto, que encontremos turistas e tudo esteja um pouco virado para esta parte comercial (lojas de souvenirs, bares/restaurantes, hotéis e pensões).

Por mim, teria ficado já aqui, ainda mais depois do belo almoço que tivemos e que aguçou a preguicite, mas ainda assim, seguimos até Requejo.
Esta última parte não foi tão interessante, primeiro entre a natureza, mas depois com desvios constantes à estrada, acabando por decidir que continuaria sempre pela estrada até ao fim, pois o guia assinalava que havia uma parte mal assinalada e hoje, não estava para mais aventuras.

À tarde, no albergue, o Michel volta à carga sobre as minhas sapatilhas, que é impossível caminhar assim. A quem o diz! “Luisa, vamos apanhar boleia até Puebla de Sanabria ou Ourense (as cidades maiores mais próximas) e compras umas sapatilhas.” Não fiquei maravilhada com a ideia, até porque em Puebla de Sanabria não me tinha chamado a atenção nenhuma loja do género, mas também não custava tentar. “Vamos à aventura!”
Ficamos mais de uma hora nas imediações de uma rotunda, para poder apanhar todos os condutores que por ali passavam e a grande maioria (de um número muito reduzido de pessoas que por ali passou), até parou, mas parecia que ninguém seguia para onde precisávamos. Fiquei sem sapatilhas na mesma, mas valeu pela tarde passada na companhia do Michel e as suas histórias de vida!

Pontos finais: Por esta altura já atravessamos Espanha quase de norte a sul e é muito interessante ver as mudanças que vão ocorrendo tanto a nível da paisagem natural, como das construções. Tudo se adapta e tudo faz sentido ali, naquele lugar, pelo clima e meio envolvente. Por vezes quando caminhamos, parece que todos os dias são iguais, mas depois olhando com mais atenção, notamos as diferenças e a “evolução” entre cada povoação. Espanha é magnífica, percorrer a Via de la Plata, também neste sentido, tem sido descobrir um tesouro que não sabia existir. Estou absolutamente maravilhada com tudo! (Nota: Ao atravessar Espanha pelo Caminho Francês também se comunga desta adaptação e mudança constante dos espaços, vantagens de se percorrer longas distâncias.)

Etapas Via de la Plata + Camino Sanabrés

LivroUm Caminho para Todos – Diário de uma peregrina no Caminho de Santiago, Via de la Plata e Camino Sanabrés

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EN

Stage 33: Asturianos – Requejo (26,5 km)

(Translation in progress… google translation for now) :\

The night was short, very short and sleepless. My tendonitis also does not give truce and feel the leg worse than yesterday … the day promises!
We ended up leaving all the hostel at about the same time, with the exception of Spanish pilgrims who are early risers and Sandrine not releasing enjoy a bit of quiet after we left.
Today, especially, can not track the progress and not late getting back. The route this morning quickly leaves the road and enters a trail in the woods, beautiful, beautiful! The birds to sing, the serene on the leaves and the scent of flowers and trees, is an encouragement to walk. What’s more, the route is coming up with little inclination, which makes me the placement of the feet and in less pain. Perfect!
Back on the road again, reunited the boys on the edge of a fountain and follow together. We enter the woods again, I end up being alone, but will simultaneously enjoy everything around me while the mud starts to bother and increasingly find more, forcing find an alternative route, always qu possible. At one point, one of the stone markers with signaling let me doubts about which way to go, in front or right, with two kinds of way in both directions though, in this area, everything is carpeted with a tall grass species. Still I am long in two entries in a failed attempt to find footprints, but there was impossible, unless it was an elephant prensasse with conviction the grass.
When in doubt, call the boys, I had no idea that they should not be far away, after a short while ago we were together. Nothing. Dou use the emergency whistle that take forever hanging around his neck. Nothing. Telephone them, but in the meantime I’m already investigating the right option. They tell me not to have thought that part of the way I’m talking about, because nothing has had their doubts and there is more or less all the same (all green vegetation, few things stand out to serve as reference). I begin to get nervous because the way I chose not seem to be correct, however to turn back, as all the same, no longer sure if I’m going properly, the leg does not help, as well as sludge that requires a extra effort not to bury your feet or slipping. I also know I’m the last pilgrim, so no one will go there, unless Sandrine, but it might take hours. Anyway, I start stressing (always said it was a chicken)! The Gordy, patiently across the line, “Luisa, see if you can find the frame with the arrow again. However I go to meet you. “Finally back to the starting point, next to the landmark, opto the other way and after about five minutes reunion an arrow, what joy !!! When I look ahead and see what awaits me, just do not give me a bad thing because the joy of being back on track is greater, half a kilometer mud, lots of mud! There were times when it seemed unstable mud and stay very still time, began to bury me. “Fuck your leg, I have to get out of here.” At the end of this path, Gordy was waiting for me (Antonio had been guarding the backpack), I had more than one kilometer in reverse, never thought were already so far away! :)

The three are gathered together again, pause to regroup and I realize that while I have the pants in a depressing state to the knees, they’re both very fresh. “Alternate Path? They have not gone through the mud? “For, had risen to a low wall and crossed the gunk from above. By the end of the day, my pants would be cause for looks and comments.
After this mishap and relatively close to Puebla de Sanabria, we went together there.
Completely unaware of the existence of this town and left me fascinated! In the distance, as we go closer, already captive to be there concentrated on the hilltop, but as we approach, it is even more beautiful in a completely different style of what we were seeing so far and is just 42 km from Bragança.
Our first stop is at a pharmacy, just outside the city, I already have some stock and also need something stronger. Then cross the bridge and decided to go there up to the castle, built in the sixteenth century by the Counts of Benavente. This was a strategic region between Galicia, Portugal and Castile. The boys opt for the shortest rail, a endless stairs, I opt for the road, giving more back, but that still make me come faster than if he chose the stairs. It’s beautiful this “pueblo” of streets and cobbled alleys, carefully arranged houses, the colors, the spirit and the view that one has from the top! No wonder, then, that we find tourists and everything is a little upset for this commercial part (souvenir shops, bars / restaurants, hotels and pensions).
For me, I would have been here already, especially after the beautiful breakfast we had and that sharpened the preguicite, but still, followed by Requejo.
This last part was not so interesting, first of nature, but then with constant deviations from the road, eventually deciding that he would continue always the road to the end, as the guide pointed out that there was a poorly marked part and today was not for more adventures.
In the afternoon, at the hostel, Michel back to load on my sneakers, it’s impossible to walk like that. Who says so! “Luisa, let’s take a ride Puebla de Sanabria and Ourense (the larger towns closest) and shopping some shoes.” I was not delighted with the idea, because in Puebla de Sanabria had my attention no store like that, but Also try not cost. “Let the adventure!”
We were over an hour near a roundabout in order to get all drivers who passed by and the vast majority (of a very small number of people who passed through there), even stopped, but it seemed that no one was following where needed . I ran out of shoes in it, but it was the afternoon spent in the company of Michel and their life stories!

Final thoughts: By now almost crossed Spain from north to south and is very interesting to see the changes that occur both in the natural landscape as the buildings. Everything fits and everything makes sense here, in this place, the climate and environment. Sometimes when we walk, it seems that every day is the same, but after looking more closely, we note the differences and the “evolution” of each village. Spain is magnificent, go through the Via de la Plata, in this sense, has been discovering a treasure that did not exist. I am absolutely delighted with everything! (Note: While going through Spain by French Way also shares this adaptation and changing spaces, advantages to travel long distances.)

Stages of Via de la Plata + Camino Sanabrés

Book: A Camino for All – A Pilgrim’s Diary on the Camino de Santiago, The Via de la Plata and the Camino Sanabrés

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