Camino Sanabrés: 32. Rionegro del Puente – Asturianos. Sem preço / Priceless

PT /EN

Etapa 31: Rionegro del Puente – Asturianos (25,8 km)

Saímos os quatro (os rapazes, a Krystyna e eu) do albergue após comermos algo. Está frio, mas ajuda a despertar e a ter de ganhar ritmo para aquecer.

A primeira povoação com que nos deparamos é Mombuey e, logo no primeiro bar, junto a uma gasolineira, encontro a malta a tomar o seu café da manhã. Vejo no guia que ali existem todos os serviços, é uma povoação grande, mas a farmácia, que é o que me interessa de momento, só abre daí a uma hora. Por mais que me custe decido não ficar à espera, pois uma pausa tão grande logo ao início do dia, prejudicaria o andamento para o que ainda faltava.

Saímos juntos, mas rapidamente nos distanciamos. Uma parte inicial do trajecto é percorrida na berma da estrada, mas logo entramos num trilho. Loïc e Armel continuam sempre pela estrada, pois com o trolley que transportam, nem todo o tipo de terreno é adequado para eles. É pena, pois esta parte do percurso é muito agradável passando entre arbustos e árvores e, pela primeira vez, vejo animais! Bom, refiro-me a animais selvagens, sem serem vacas, cabras, cães e porcos. Não vejo 1, nem 2, mas 3 coelhos!! Para mim é uma novidade, pois como ando sempre com os bastões, penso que o barulho assusta todo e qualquer animal ainda antes de me ter aproximado. Hoje tive mais cuidado e tive direito a estes presentes!

Saindo desta espécie de bosque, entramos num descampado que se prolongará por algum tempo.

Voltamo-nos a reagrupar em Cernadilla (17,4km), mas até ao final da etapa distanciamo-nos novamente. Fico por algum tempo com Krystyna que começa a sentir dores também numa perna, mas ainda assim consegue caminhar bem.
Chego a Asturianos a arrastar os pés, tenho as plantas dos mesmos em mau estado e as solas das sapatilhas cada vez mais gastas só pioram a situação. Como vou conseguir chegar a Santiago? Está tão perto, mas parece tão longe nestas condições!

O albergue é pequeno e já não há camas disponíveis, apenas colchões para distribuir pelo corredor. Os rapazes guardaram-me um colchão no cantinho mais reservado. :) Só tenho energia para agradecer e caio na cama exausta (pelas dores).

Quando acordo, apenas ganho coragem para me levantar porque sei que no bar em frente está mais quente do que aqui. Está um gelo, nem com o pullover e cobertor se ajuda. O bar torna-se assim a nossa casa durante o resto do dia, tem um aquecedor que é uma tentação, mas ninguém se aproxima demasiado para não correr o risco de ficar doente. Peço gelo para colocar na perna, não tenho notado que faça grande efeito, mas faço-o na mesma, por descargo de consciência.

De volta ao albergue, arrumo as coisas para o dia seguinte e vou à rua buscar as sapatilhas. Sou das últimas a fazê-lo e noto que só tenho uma delas. A primeira ideia que vem à cabeça é que alguém escondeu a outra para fazer uma brincadeira. Se foi o caso, não tem piada, estou desanimada, pensava que nesta altura já teria tido bolhas, mazelas e afins e tudo já estaria resolvido, para chegar a Compostela com o mínimo de condições e, afinal, saía tudo ao contrário e o final ainda poderia estar comprometido. A resistência à dor tinha aumentado consideravelmente, mas não havia maneira de melhorar, pois também não estava a fazer o repouso que deveria. A medicação, neste caso, era apenas uma ilusão, já que não ajudava objectivamente a melhorar, apenas amenizava a dor. E agora, vejo que me falta uma sapatilha, um dos bens essenciais para poder continuar, numa povoação que não existe praticamente nada, portanto nem poderia esperar pelo dia seguinte para ir comprar um par que desenrascasse.
Vou ao quarto e pergunto a cada um se por acaso guardou a minha sapatilha. Não, ninguém pegou sem querer e os últimos dizem ter estranhado não ter visto um par quando foram buscar as suas. Teria alguém escondido durante a tarde? Esta hipótese tornava-se a mais realista, pois tinha aparecido uma malta jovem no bar, que cedo começaram a beber álcool, por ali continuaram e só saíram sob a ameaça de se chamar a polícia (aliás, foi mesmo chamada, mas só apareceu muito mais tarde, quando nenhum dos “jagunços” já por ali andava).
Primeiro faço uma vistoria a todo o albergue, wc’s, bar, casas-de-banho públicas (o albergue situa-se nas traseiras de um polidesportivo, em frente do bar), nada! A Krystyna ajuda nas buscas e logo surgem dois peregrinos espanhóis que já estavam deitados e vêm ajudar nas buscas. Cada um vai para um lado e começamos à procura num perímetro maior à volta do polidesportivo (logo à saída do albergue há uma colina onde se situa um campo de tiro ao alvo). Algum tempo depois, um dos senhores faz sinal do topo da colina, pois parece ter visto algo em cima do terraço do bar. Confirmamos que parece ser a sapatilha, mas agora como se chega até lá?! A dona do bar fornece uma escada e é o pai dela (o senhor mais idoso entre todos nós) que diz que irá subir. Confesso que nesta altura, vendo a altura do edifício e áquilo a que o senhor se expunha, já pouco me interessava a sapatilha, só não queria que lhe acontecesse nada.
O homem subiu, atirou a sapatilha para baixo e desceu em segurança. Foi o meu herói do dia! Ele e os espanhóis que sem me conhecerem até então, num serão frio como o que estava, foram capazes de se levantar da cama e virem ajudar. Não tem preço!!!
Vou dormir mais confortada, embora a sapatilha esteja rota e gasta, ainda é dos bens mais imrpescíndiveis que possuo.

Etapas Via de la Plata + Camino Sanabrés

LivroUm Caminho para Todos – Diário de uma peregrina no Caminho de Santiago, Via de la Plata e Camino Sanabrés

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EN

Stage 31: Rionegro del Puente – Asturianos (25,8 km)

(Translation in progress… google translation for now) :\

 We left the four (boys, the Krystyna and I) the hostel after we eat something. It’s cold, but it helps to wake up and to score pace to warm up.
The first village we face is Mombuey and, in the first bar, next to a gas station, meeting the guys to take your breakfast. See the guide there are all services, it is a great town, but the pharmacy, which is what interests me at the moment, only opens there in an hour. As much it costs me decide not stand waiting for a break so great early on the day, would undermine the progress for what remains.
We left together, but quickly grew apart. An initial part of the route is traveled on the roadside, but soon entered a rail. Loïc and Armel are still always on the road, because with the trolley carrying, not every type of terrain is suitable for them. Too bad, because this part of the route is very nice passing between shrubs and trees and for the first time, I see animals! Well, I mean wildlife without being cows, goats, dogs and pigs. I see no one, not two, but three rabbits !! For me it is a novelty, because as always walk with canes, I think the noise scares any animal which even before he approached me. Today I had more care and had a right to these gifts!
Leaving this kind of wood, we entered a clearing which will continue for some time.
We turn to regroup Cernadilla (17,4km), but by the end of the step distance ourselves again. I stay for some time with Krystyna starting to feel pain in the leg also, but still can walk well.
I even Asturianos to drag their feet, have plans of them in poor condition and the soles of the increasingly worn shoes only worsen the situation. How I can get to Santiago? It is so close but seems so far in these conditions!
The hostel is small and there is no available beds, just mattresses to distribute the hall. The boys kept me a mattress in the corner reserved. :) I just have to thank energy and fall into bed exhausted (the pain).
When I wake up, only gain courage to get up because I know that the bar across the street is warmer than here. It’s freezing, not with pullover and blanket to help. The bar thus becomes our home for the rest of the day has a heater that is a temptation, but no one comes close too as you run the risk of getting sick. I ask to put ice on his leg, I have noticed that make great effect, but I do it anyway, for Discharge of consciousness.
Back at the hostel, tidy things for the next day and go to the street look sneakers. I am the last to do it and I notice that I only have one. The first idea that comes to mind is that someone hid the other to make a joke. If it was the case, no joke, I am discouraged, I thought this time would have had blisters, sores and the like and everything would already be resolved, to reach Compostela with minimal conditions and eventually went all over and the final It could still be compromised. Resistance to pain had increased considerably, but there was no way to improve, it also was not doing the rest it should. The medication in this case was just an illusion, as not objectively helped to improve, only eased the pain. And now I see that I lack a sneaker, one of the essentials to continue, in a village that there is almost nothing, so could not wait for the next day to go buy a pair that desenrascasse.
I go to the room and ask each one if by chance you saved my sneaker. No, no one caught unawares and the last claim to have been surprised not to have seen a couple when they picked their. Would someone hiding in the afternoon? This hypothesis became the most realistic, as had appeared a young guys at the bar, which soon began to drink alcohol, and there remained only came under threat to call the police (by the way, was the same call, but only appeared very later, when none of the “gunmen” have walked that way).
First do a survey to all the hostel, bathrooms, bar, bathrooms, public bath (the hostel is located at the rear of a sports center, in front of the bar), nothing! Krystyna help in the search and soon emerge two Spanish pilgrims who were already lying down and come to help in the search. Each goes to one side and started looking for a larger perimeter around the sports center (just to the hostel output there is a hill where is located one target shooting range). Some time later, one of you does signal the top of the hill, as seems to have seen something on the terrace bar. We confirm that seems to be the sneaker, but now how to get there ?! The owner of the bar provides a ladder and is her father (the old man among all of us) that says will rise. I confess that at this time, that seeing the building height and that you were exposed, as little interested me sneaker, just do not want to happen you nothing.
The man got up, threw the shoe down and down safely. He was my hero of the day! He and the Spaniards without knowing me so far, will be a cold as it was, they were able to get out of bed and go help. Priceless !!!
I sleep more comforted, though the shoe is worn route and it is still the most imrpescíndiveis property I own.

Stages of Via de la Plata + Camino Sanabrés

Book: A Camino for All – A Pilgrim’s Diary on the Camino de Santiago, The Via de la Plata and the Camino Sanabrés

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