Camino Sanabrés: 29. Granja de Moreruela – Tabara. Um presente / A gift

PT /EN

Etapa 29: Granja de Moreruela –  Tabara (25,3 km)

Hoje, para nós, é o fim da Via de la Plata. O traçado original desta estrada romana liga Mérida a Astorga, mas como continuar até lá implica chegar a Compostela pelo Caminho Francês (que já conheço), opto pela outra variante, o Caminho Sanabrês que dá o seu início aqui, em Granja de Moreruela. Por coincidência, António, Gordon e Krystyna tinham o mesmo plano (até porque todos também já fizeram o outro caminho), portanto, continuaremos juntos.

A chuva e o ar fresco mantêm-se, eu sob o efeito da medicação estou bem, embora sem tanta vontade para caminhar como ontem. Aliás, os pés estão uma lástima, ter caminhado tanto tempo com os pés encharcados não poderia dar bons frutos e, hoje, para piorar, o cenário será idêntico.

A primeira parte do percurso é maioritariamente feita na estrada e agora já domino a técnica “peregrinos na área” de aviso aos condutores. “Bastões inclinados a abanar é para avisar, bastões em riste, para cumprimentar. Depois da estrada, passamos à lama, muita lama, obras do AVE (linha ferroviária de alta velocidade – TGV) e estrada novamente, mas agora com uma paisagem mais agradável. Primeiro com vegetação rasteira e flores roxas, depois algumas árvores, mais arbustos , acompanhamos a curva do rio Esla e ao quilómetro 6,6 cruzamo-lo através da ponte Quintos, construída em 1920. É uma bela paisagem e demoramo-nos um pouco mais sobre a ponte.

Agora como já não chove, aproveitamos para fazer uma curta pausa, algures numa berma de estrada com um pouco mais de condições para nos encostarmos. Ainda aqui vamos e eu já estou num estado lastimável, se os meus pés falassem nem imagino os impropérios que diriam!

O resto do trajecto é um pouco monótono, ora seguimos mais juntos, outras vezes mais dispersos ao longo das infinitas rectas. A Krystyna fica sempre connosco e isso agrada-me. Apesar de ser reservada e não dominar o inglês na perfeição, é mais do que suficiente para nos entendermos. A entoação polaca quando fala torna tudo mais divertido e ela já de si, tem um humor muito próprio. Já fez vários caminhos e vai sempre sozinha, é independente, detesta caminhar sob alcatrão e, por isso, não está muito agradada com estes últimos dois dias.
Tem sido interessante ver as várias culturas em interacção. Claro que não podemos generalizar, mas há traços, “personalidades de cultura” que por vezes são mais evidentes. Neste grupo de 4, o Antonio é definitivamente o mais latino, ele é Franco-Hispano, mas o lado espanhol é o mais acentuado. A segunda “mais latina”, embora com uma diferença grande do primeiro lugar, sou eu, seguindo-se o Gordon, “very British” nalgumas coisas e a Krystyna, que também acabou de chegar e, talvez por isso, mais reservada.

Chegamos a Tabara, a meta do dia, aleluia! Mas o albergue fica na saída da povoação, o que implica andar mais meio quilómetro, é um último esforço!

O hospitaleiro daqui, Jose Almeida Rodriguez, é sobejamente conhecido pela dedicação que tem no serviço aos peregrinos e ao Caminho.

Pergunto-lhe se as japonesas (Takako e as amigas) passaram por cá e se estava tudo bem com elas. Infelizmente, as notícias não são animadoras, pois a amiga que estava doente, não recuperou do pé e ainda teve uma gastrointrite, tendo de voltar a saltar etapas para repousar.

Depois de almoçarmos no centro da povoação, decido prolongar a minha estadia por ali e aproveitar a wi-fi, enquanto os outros regressam a casa. No local onde almoçamos (uma mistura de hostal, restaurante e bar), pergunto a uma das senhoras: “Hay una tienda de ropa en este pueblo?”, “- No. Que necessitas, chica? Espera un poco que voy a casa. (…) Toma, para que no passes frio.” A senhora (que não sei o nome) foi impecável! Vendo que estava com frio, foi buscar um pullover a casa e ofereceu-me. Um gesto que guardo com grande carinho e gratidão!

Agora, feliz da vida e com o meu novo pullover, antes de ir para o albergue, ainda vou comprar mantimentos para o dia seguinte. Primeiro passo na mercearia e vejo umas madalenas e chocolates que compro para oferecer aos rapazes, depois passo na padaria e além do pão, acabo por levar mais madalenas, estas fresquinhas e com tão bom aspecto! Resultado, fica um saco de madalenas para cada um dos rapazes mais um chocolate. Ao entusiasmo do primeiro momento pelo presente inesperado, segue-se o comentário mais realista “E agora quem vai acartar este quilo extra?” (Pois, é que os sacos de madalenas costumam ser grandes por aqui.) No dia seguinte não me escapo de ouvir as queixas pela mochila pesada e de ter de comer madalenas em todas as paragens (mas isto até não é assim tão mau). :)

O jantar de hoje também é em comunidade, ajudamos a pôr a mesa e no final a limpar tudo. Além da refeição, temos direito a degustação dos licores caseiros, o que ajuda a aquecer a garganta. Supostamente não deveria tomar nada devido à medicação, mas… até cai bem e tem um efeito mais imediato. :)

Pontos finais: Quando cheguei ao albergue com o meu novo pullover, os rapazes e a Krystyna dão por isso (nesta altura já conhecemos todo o equipamento uns dos outros, além de serem poucas as peças que transportamos, já são muitos dias de convívio) e perguntam onde arranjei o tesouro, explicando eu toda a história. Apesar de não ser nada com eles, ficam genuinamente felizes por mim, por saberem que era algo que estava mesmo a precisar. São pequenos momentos como este que fazem a diferença.

Etapas Via de la Plata + Camino Sanabrés

LivroUm Caminho para Todos – Diário de uma peregrina no Caminho de Santiago, Via de la Plata e Camino Sanabrés

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EN

Stage 29: Granja de Moreruela –  Tabara (25,3 km)

(Translation in progress… google translation for now) :\

 Today, for us, it’s the end of the Via de la Plata. The original route of this Roman road connecting Merida to Astorga, but how to go there implies reaching Compostela at French Way (that I know), I opt for another variant, the Sanabrês Way that gives its inception here in Granja de Moreruela. Coincidentally, Anthony Gordon and Krystyna had the same plan (because all also have done the other way), so we will continue together.
The rain and cool air remain, I under the influence of medication’m fine, though not so eager to walk as yesterday. Incidentally, the feet are a shame, have walked so long with soaked feet could not bring forth good fruit, and today, to make matters worse, the scenario will be identical.
The first part of the route is mostly done on the road and now’ve mastered the technique “pilgrims in the area” warning to drivers. “Bats inclined to wag is to warn, sticks in hand, to greet. After the road, we passed the mud, lots of mud, works of the AVE (high speed railway line – TGV) and road again, but now with a more pleasant landscape. First with underbrush and purple flowers, then some trees, bushes more, follow the curve of the river Esla and 6.6 kilometer cruzamo it by Quintos Bridge, built in 1920. It is a beautiful landscape and we remained a little more on the bridge.
Now as no longer rains, we take the opportunity to take a short break somewhere in a road edge with a little more conditions for the encostarmos. Yet here we go and I’m already in a sorry state, if my feet to speak or imagine the expletives that would say!
The rest of the route is a little monotonous, now pursue closer together, sometimes more scattered along the endless straights. The Krystyna is always with us and that pleases me. Despite being reserved and not master English perfectly, it is more than enough to understand each other. The Polish intonation when speaking makes it fun and she already has a very particular mood. Has done several ways and will always alone, is independent, hates walking on tar and therefore is not very pleased with these last two days.
It has been interesting to see the different cultures interacting. Of course we can not generalize, but there are traces, “cultural personalities” that are sometimes evident. In this fourth group, Antonio is definitely the more Latin, it’s Franco-Hispano, but the Spanish side is the steepest. The second “most Latin”, but with a big difference in the first place, it’s me, followed by Gordon, “very British” some things and Krystyna, who also just arrived and perhaps therefore more reserved.
We come to Tabara, the goal of the day, hallelujah! But the hostel is just off the village, which means more walking half a kilometer, is a last effort!
The hospitable here, Jose Rodriguez Almeida, is well known for the dedication you have in service to the pilgrims and the Path.
I ask him if Japanese (Takako and friends) came around and it was okay with them. Unfortunately, the news is not encouraging, as the friend who was sick, not recovered from foot and still had a gastrointrite, having to return to skip steps to rest.
After having lunch in the village center, decide to extend my stay over there and enjoy the wi-fi, while others return home. In the place where we had lunch (a mix of hostel, bar and restaurant), I ask one of the ladies, “Hay una tienda de ropa en este pueblo?” “- No. That need, chica? Wait un poco que voy home. (…) Here, for the cold passes. “The lady (who do not know the name) was impeccable! Seeing that he was cold, he fetched a pullover the house and offered me. A gesture that I keep with great affection and gratitude!
Now, happily and with my new pullover, before going to the hostel, I’ll still buy groceries for the next day. First step in the grocery store and see a fairy cakes and chocolates I buy to offer the boys, then step on the bakery and beyond the bread, I end up taking more madeleines, these freshly baked and so good! Results, is a bag of muffins for each one of a chocolate boys. The enthusiasm of the first time by the unexpected gift, it follows the more realistic review “And now who will saddled this extra kilo?” (Well, is that the madeleines bags are often quite large here.) The next day did not escape me hear complaints by heavy backpack and having to eat madeleines at all stops (but this is not even that bad). :)
The dinner is now also in community, help set the table and clean up in the end. In addition to the meal, we have a right to tasting of homemade liqueurs, which helps heat the throat. Not supposed to take anything because of the medication, but … even looks good and has a more immediate effect. :)
Endpoints: When I got to the hostel with my new pullover, boys and Krystyna give so (at this point we know all each other equipment, besides being few parts we carry, are already many days of living) and ask where I got the treasure, I explained the whole story. Although not nothing with them, they are genuinely happy for me, because they knew it was something I really needed. Are small moments like this that make a difference.

Stages of Via de la Plata + Camino Sanabrés

Book: A Camino for All – A Pilgrim’s Diary on the Camino de Santiago, The Via de la Plata and the Camino Sanabrés

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