Via de la Plata: 28. Montamarta – Granja de Moreruela. Atchim / Atchoo

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Etapa 28: Montamarta –  Granja de Moreruela (22,9 km)

O dia amanhece com chuva, choveu toda a noite e as previsões são que continue pelo menos até amanhã! Aproveito os últimos momentos com os pés secos e confortáveis enquanto tomamos o pequeno-almoço e vemos as notícias da manhã. Desde ontem à tarde passam imagens de um caso insólito numa tourada, em que os 3 toureiros que entraram em cena saíram lesionados, um deles em estado muito grave.

Ganhamos coragem para enfrentar o dia e deixarmos este lar tão acolhedor! Eu tinha decidido fazer toda a etapa pela Estrada Nacional, a nível da distância a percorrer não faz muita diferença, até porque o caminho oficial, por vezes, é paralelo à estrada e, por outras, segue mesmo pelo alcatrão, portanto, parece-me que assim será mais directo e fácil para caminhar. O guia também refere algumas dificuldades ao nível da sinalização e, juntamente com a lama que encontraremos, não me restam dúvidas pelo caminho a seguir. Com alívio vejo que os rapazes também optam por este trajecto, pelo menos na parte inicial, assim como a Krystyna. Óptimo, sempre é melhor enfrentar o mau tempo em grupo! :)

Deixo a máquina fotográfica dentro da mochila, com o intuito de a proteger da chuva e, portanto, lamentavelmente, fico quase sem fotografias do dia.

Seguimos em fila indiana, pela berma da estrada, atentos aos carros. Como está a chover, há alguma precaução na condução, mas a visibilidade também é menor para os condutores. O Antonio é o líder da marcha a grande parte do tempo e aproveita os seus bastões verdes para ir fazendo sinal sempre que um carro se aproxima. Ainda assim, por duas vezes, apanhamos um susto, especialmente na segunda, em que há uma ultrapassagem na faixa do outro lado, a qual os carros seguem a mesma direcção que nós e que, por isso, não temos visibilidade para o que se está a passar. Felizmente não aconteceu nada, mas o susto ficou. A partir daqui, também tiro da mochila uma sacola desdobrável verde alface, penduro nos bastões e faço uma bandeirinha que vou a abanar o tempo todo. É capaz de não fazer grande diferença, mas é melhor do que nada. Esta técnica, a partir de hoje, será utilizada sempre que tivermos de voltar à estrada!

Apesar da chuva, do desconforto de caminhar nestas condições e da paisagem pouco aprazível, estou bem disposta e, para me entreter, vou cumprimentando os condutores que passam por nós. Alguns adiantam-se, fazem sinais de luzes, apitam, gritam pela janela e fazem gestos. Houve um deles, numa altura em que ía mais distante dos outros, na cauda do grupo,  que me faz sinal para caminhar mais depressa, mas com ar de brincadeira. Estes momentos distraem-me e fazem passar os quilómetros mais depressa. Aproveito a distância para ir a cantar, hoje apetece-me cantar! O Gordon, o António e a Krystyna ainda olham para trás de vez em quando a ver se está tudo bem e estico o a mão em sinal de OK. Tudo óptimo!

Ao fim de 12 km, em Fontanillas de Castro, paramos num café junto a uma bomba de gasolina. Estamos molhados (braços, pernas e cara) e transpirados, devido aos ponchos. Apesar de estar fresco, caminhar tanto tempo com um plástico em cima faz efeito de estufa. Não vejo a hora do duche do dia! Depois de parar, corpo arrefecido, dá um calafrio e aproveito para tomar um cházinho que me sabe tão bem!

Voltamos ao caminho e 4 km depois chegamos a Riego del Camino. Há um albergue aqui, mas este não era o nosso destino do dia. Ainda procuramos um café, mas como não vimos nada aberto, a pausa é curta. Por agora não chove, mas está tudo molhado para nos sentarmos, mas não me dou por vencida, tiro o poncho, coloco numas escadas e descanso um pouco. Voltamos ao caminho e só voltaremos a parar em Granja de Moreruela, novamente abençoados pela chuva.

Há um novo albergue para peregrinos, com boas condições no geral. Somos dos primeiros a chegar, aproveitamos para adiantar as tarefas rotineiras e saímos para um bar ali perto. Estou sem apetite, sinto um calafrio, a testa está quente e o nariz, do nada, torna-se uma torneira sempre a pingar. Estou constipada! Volto a pedir chá, só quero chá para aquecer. Tenho frio, mas não tenho casaco, nem pullover, nem nada, apenas um lenço/xaile que já não é suficiente. Quando comecei a Via de la Plata tinha uma camisola polar, mas como na Andaluzia e Extremadura fazia tanto calor e já de mim, sou calorenta, não usei uma única vez a camisola. Por isso, ao décimo terceiro dia, antes de abandonar o albergue de Valdesalor, deixei esse bem que agora era imprescindível, em cima da cama, para livrar-me de algumas gramas e espaço na mochila. Lembro-me que a Karin ainda chamou por mim, pensando que o tinha esquecido. Enfim, o Caminho faz-se de pequenas decisões diárias e eu tinha tomado (mais) uma errada. Os rapazes ainda oferecem as suas peças de roupa, mas, infelizmente, os tamanhos não coincidem, nem com toda a boa vontade do mundo!

De regresso ao albergue, o Gordon oferece-me os seus medicamentos, andamos nisto desde o início, uma hora dou-lhe o meu stock, na outra é ele a dar e quando encontramos uma farmácia aberta, reabastecemos com o que está em falta. Tomo as pastilhas e enfio-me na cama cheia de frio, o cobertor a que tenho direito não é suficiente. Sem pedir nada, sinto alguém colocar outro por cima, foi o Antonio. Há coisas que não têm preço!

Etapas Via de la Plata

LivroUm Caminho para Todos – Diário de uma peregrina no Caminho de Santiago, Via de la Plata e Camino Sanabrés

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EN

Stage 28: Montamarta –  Granja de Moreruela (22,9 km)

(Translation in progress… google translation for now) :\

 The day dawns with rain, it rained all night and forecasts are to continue at least until tomorrow! Take the last moments with feet dry and comfortable while we take breakfast and see the morning news. Since yesterday afternoon pass images of an unusual case in a bullfight, in which three bullfighters who arrived on the scene left injured, one of them in very serious condition.
We gain the courage to face the day and leave this home so welcoming! I had decided to make all the step by the National Road, within the distance does not make much difference, because the official way, sometimes it is parallel to the road and on the other, follows the same tar, so it seems to me thus will be more direct and easier to walk. The guide also mentions some difficulties in terms of signaling and, along with the mud that we will find, I have no doubt the way forward. With relief I see that the boys also opt for this route, at least in the initial part, as well as Krystyna. Great, it’s always better to face the bad weather in a group! :)
I leave the camera inside the backpack, in order to protect from rain and therefore, unfortunately, I am almost no photographs of the day.
We followed in single file, by the roadside, attentive to cars. As it is raining, there is some caution in driving, but visibility is also lower for drivers. Antonio is the march of the great leader of the time and enjoy its green canes to go motioning whenever a car approaches. Still, twice we caught a fright, especially in the second, where there is an overrun in the range across which the cars follow the same direction as us and therefore we have no visibility into what is the pass. Luckily nothing happened, but the scare was. From here, the backpack also shot a roll green lettuce bag, hang the sticks and do a little flag that I shook all the time. Can not make much difference, but it’s better than nothing. This technique, starting today, will be used whenever we returned to the road!
Despite the rain, the discomfort of walking in these conditions and little pleasant landscape, I am well prepared and, to entertain me, I will greet drivers who pass by us. Some come forward on, make signal lights, whistle, shout out the window and make gestures. There was one of them at a time that was going further away from others, in the tail of the group, which makes me sign to walk faster, but with playful air. These moments distract me and make pass more quickly kilometers. I take the distance to go to sing, today I feel like singing! Gordon, Antonio and Krystyna still look back from time to time to see if everything is fine and stretch him to hand OK sign. All great!
At 12 km, in Fontanillas de Castro, we stopped at a cafe next to a petrol station. We are wet (arms, legs and face) and sweaty due to ponchos. Although it is cool, so long walk with a plastic greenhouse is box. I look forward to the shower of the day! After stopping, body cooled, gives a chill and take this opportunity to make some tea that knows me so well!
We returned to the road and 4 km later we come to Riego del Camino. There is a hostel here, but this was not our day’s destination. Still we are looking for a coffee, but as we have seen nothing open, the break is short. For now it does not rain, but it’s all wet to sit, but do not give me up so easily, I shot the poncho, put on a ladder and rest a little. We return to the path and only return to stop in Granja de Moreruela, again blessed by rain.
There is a new hostel for pilgrims, with good conditions in general. We are the first to arrive, we took the opportunity to advance the routine tasks and went out to a bar nearby. I’m not hungry, I feel a chill, the forehead is hot and the nose, out of nowhere, it is always a tap dripping. I am constipated! Again I ask for tea, I just want tea to warm up. I’m cold, but I have no jacket or pullover or anything, just a scarf / shawl is no longer enough. When I started the Via de la Plata had a polar sweater, but as in Andalusia and Extremadura was so hot and have me, I’m calorenta, not used once the sweater. So the thirteenth day, before leaving the Valdesalor hostel, let this good was now essential, on the bed, to get rid of a few grams and space in the backpack. I remember that Karin still called for me, thinking that I had forgotten. Anyway, the path is made of small daily decisions and I had taken (another) wrong. The guys still offer their clothes, but unfortunately the sizes do not match, not with the best will in the world!
Back at the hostel, Gordon offers me their medications, walk in it since the beginning an hour I give you my stock, the other is to give it and when we find an open pharmacy, replenish what is missing. I take the pills and shove me in full cold bed, the blanket I am entitled is not enough. Without asking anything, I put another one on top, was Antonio. There are things that are priceless!

Stages of Via de la Plata

Book: A Camino for All – A Pilgrim’s Diary on the Camino de Santiago, The Via de la Plata and the Camino Sanabrés

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