Via de la Plata: 26. Villanueva del Campeán – Zamora. Surpresa! / Surprise!

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Etapa 26: Villanueva del Campeán –  Zamora (18,6 km)

O dia amanhece parcialmente nublado e um pouco mais fresco do que o costume. Para mim continua a ser uma temperatura agradável para caminhar, mas quando se fazem paragens em áreas descampadas, em que se sente mais o vento, já é preciso colocar o lenço/xaile por cima dos ombros.

O trajecto, a exemplo dos dias anteriores, continua entre campos de cultivo e um pouco de alcatrão, paisagem que facilmente se torna monótona. Ainda por cima, como são longas rectas, nem com as setas temos de nos preocupar, sendo apenas andar e pensar.

As duas únicas alternativas para café são as povoações de San Marcial e El Perdigón, mas como implicam desvios, (felizmente) o Gordon não faz questão de dar os passos extra.

Numa parte do percurso entre os terrenos agrícolas, vemos uma quinta com muitos fardos de palha empilhados à frente da casa. Nós seguimos em fila indiana, eu ligeiramente mais atrás, e passamos pelos fardos, sempre no trilho traçado, quando um cão salta a ladrar ferozmente mesmo ao nosso lado. Saltamos os 3 mas, felizmente, o cão está acorrentado. Desta não ganhamos para o susto!

A 11 km do fim já avistamos Zamora, mas temos a nítida noção que embora pareça perto, demoraremos a lá chegar. É interessante como depressa nos habituamos a calcular as distâncias sem precisar do guia (número de km vs tempo que levará a chegar adaptado ao andamento do dia) e sem que a margem de erro seja assim tão grande.

Nos 3 a 4 km finais deixo-me ficar deliberadamente para trás, apetece-me abrandar o passo e cantar. Como tenho noção da voz de cana rachada, prefiro não incomodar os rapazes (ainda assim o Gordy viria a dizer que não serviu de nada, pois conseguia-se ouvir ao longe.. ops!) :)

Um pouco antes de entrarmos em Zamora, embora ainda na parte moderna e mais industrial, já estamos reunidos novamente e paramos no primeiro café que encontramos. Assim que temos as bebidas proponho um brinde, é o aniversário da minha mãe. Após um breve segundo os rapazes acrescentam: “Luisa, hoje convidasmo-te para almoçar.” “Ok, ofereço o vinho.”

A entrada em Zamora é memorável, a cidade vista do outro lado do rio é um encanto e depois, logo ali, passa o Rio Douro, o mesmo Douro que acompanhei tantos anos no Porto! :) Demoro-me na ponte, está um vento agradável e, como já vem sendo meu apanágio, quando há uma brisa, levanto as “asas” e fecho os olhos! Sempre que ao longo do caminho há um vento mais forte, lá estou eu a saborear o momento (agora os rapazes já se acostumaram e não estranham). Ah, como gostava de voar! :)

Chegamos ao albergue, deixamos as mochilas, mas temos de fazer tempo até que esteja tudo arrumado para podermos voltar. Decidimos fazer uma passeata pelo centro. A Heike e a Karin tinham enviado mensagem a dizer que hoje saíam de Zamora um pouco mais tarde, pois iriam apanhar o autocarro para cortarem etapas. Estão com tempo disponível reduzido e preferem cortar agora e tentar chegar a Santiago a pé. Não sabemos a que horas seria o transporte e tentamos enviar mensagem para ver se ainda nos encontramos uma vez mais. Acabou por não ser preciso, pois olho para dentro de uma tabacaria e vejo duas caras conhecidas! Fazemos uma festa os cinco! Ainda têm meia-hora livre e aproveitamos para nos sentarmos na praça. É tão bom quando o Caminho nos volta a reunir quando menos esperamos!!

No albergue reencontro um peregrino espanhol que tinha encontrado dois dias atrás, altura em que se queixava do pé, desconfiando tratar-se de uma tendinite.  Apanhou o autocarro até Zamora para consultar um médico e este, mandou-o fazer repouso durante alguns dias. O senhor estava destroçado. “Toda a gente me diz que são só uns dias, depois talvez possa continuar, que poderia ser pior, etc., mas estar aqui parado, sem certeza de quando poderei voltar a caminhar, deixa-me em baixo.” Eu tento animá-lo, mas no fundo, sei que se estivesse no seu lugar, nada do me pudessem dizer iria animar. Sim, claro que há coisas muito piores, não é isso que está em causa. Este projecto, seja para quem começou em Sevilha ou depois, tem muitas implicações (tempo, recursos, gestão de expectativas, etc.) e quanto mais próximo do destino final, ter de parar parece-me que é pior. Vem-me à memória o JoséLuis que ao fim da primeira semana teve de voltar para casa também. Eu não estou no meu melhor a nível físico, já só funciono com o analgésico para caminhar, mas não pondero desistir e se isso vier a ocorrer, será sem dúvida, uma grande decepção!

À noite, temos jantar comunitário. Gosto sempre destes momentos, pois são oportunidades de partilha e de conhecer novos peregrinos (e hoje eram tantas as caras novas). Uma palavra também de apreço pelas hospitaleiras voluntárias, especialmente a italiana (que me esqueci do nome). Ela ficaria ali duas semanas e perante o seu ar exausto, pergunto-lhe há quanto tempo chegou. Responde que “Há 3 dias” e rimos as duas. Ser hospitaleiro é trabalhoso, ainda mais num albergue com tantas pessoas como este e com as refeições que são servidas (pequeno-almoço e jantar). Quem sai de manhã já quer tudo preparado bem cedo e quem chega nesse dia, quer atenção até ir dormir. Apesar do cansaço notório, nunca faltou um sorriso e a boa vontade de ajudar nas coisas mais pequenas. Notável! :)

Etapas Via de la Plata

LivroUm Caminho para Todos – Diário de uma peregrina no Caminho de Santiago, Via de la Plata e Camino Sanabrés

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EN

Stage 26: Villanueva del Campeán –  Zamora (18,6 km)

(Translation in progress… google translation for now) :\

 The day dawns partly cloudy and a bit cooler than usual. For me it remains a pleasant temperature for walking, but when making stops in treeless areas in which feels more the wind, it is necessary to put the scarf / shawl over her shoulders.
The route, as in previous days, continues between crop fields and some tar, landscape that easily becomes monotonous. Moreover, they are long straights, or with the arrow keys have to worry about being just walk and think.
The only two alternatives to coffee are the towns of San Marcial and El Perdigón but as imply deviations (thankfully) Gordon does not care to take the extra steps.
A part of the journey between the farmland, we see a farm with many straw bales stacked in front of the house. We follow in single file, I slightly behind, and went through the bales, always in tracing rail, when a dog jumps barking ferociously even on our side. We jumped 3 but fortunately, the dog is chained. This did not win to scare!
A 11 km from the end Zamora already sighted, but we have the clear notion that although it seems near, It will take to get there. It’s interesting how quickly got used to calculate distances without the guide (number of km vs time it will take to get adapted to the progress of the day) and without the margin of error is so great.
In 3-4 km final deliberately let me stay back, I feel like breaking stride and sing. As I am aware of the bruised reed voice, I prefer not to bother the guys (still Gordy would say that it was no use, because I could hear in the distance .. ops!) :)
Just before we get into Zamora, although in modern, more industrial part, we are gathered again and stopped at the first cafe we found. So we have the drinks I propose a toast, it is the anniversary of my mother. After a brief second the boys add: “Luisa, today convidasmo you to lunch.” “Okay, I offer the wine.”
The entry into Zamora is memorable, the city view from the other side of the river is a charm, then, right there, passes the Douro River, the same Douro that accompanied so many years in Porto! :) It takes me on the bridge, is a nice wind and, as has become my hallmark, when there is a breeze, raise the “wings” and close my eyes! Whenever along the way there is a strong wind, there am I savor the moment (now the boys have become accustomed and not it strange). Oh, how he loved to fly! :)
We arrived at the hostel, we leave the backpacks, but we have to make time until everything neat to be able to come back. We decided to march through the center. The Heike and Karin had sent a message to say that today went out of Zamora a little later, as they would take the bus to cut steps. They are reduced time available and prefer to cut now and try to get to Santiago on foot. We do not know what time would be transport and try to send a message to see if we are still again. Turned out not to be necessary, then I look into a newsagent and see two familiar faces! We make a party five! Still have free half-hour and we would sit down in the square. It’s so nice when the path reunites us when we least expect !!
In the hostel reunion a Spanish pilgrim who had met two days ago, when he complained of the foot, suspecting that it was a tendonitis. He took the bus to Zamora to see a doctor and that he sent it to stand for several days. You were destroyed. “Everyone tells me that only a few days, then might continue, it could be worse, etc., but be standing here, not sure when I can walk again, let me down.” I try animators I, but deep down I know that if I were you, nothing could tell me would cheer. Yes, of course there are things much worse, that’s not what is in question. This project is for those who started in Seville or later, has many implications (time, resources, expectations management, etc.) and the closer to the final destination, having to stop seems to me that is worse. Come to mind the joseluis that at the end of the first week had to return home as well. I’m not in my best physical, have only run with the painkiller to walk, but do not give up and ponder if this were to occur, it is undoubtedly a big disappointment!
In the evening, we have dinner Community. Always I like these moments because they are opportunities to share and meet new pilgrims (and today were so many new faces). A word of appreciation also by voluntary hospitable, especially the Italian (I forgot the name). She would be there two weeks and before his exhausted air, ask her how long arrived. Replies that “3 days” and both laughed. Be hospitable is laborious, especially in a hostel with so many people like this and with meals that are served (breakfast and dinner). Who leaves in the morning already wants everything ready early and those arriving that day or attention to go to sleep. Despite the apparent weariness, he never missed a smile and a willingness to help in the smallest things. Remarkable! :)

Stages of Via de la Plata

Book: A Camino for All – A Pilgrim’s Diary on the Camino de Santiago, The Via de la Plata and the Camino Sanabrés

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