Via de la Plata: 22. Fuenteroble de Salvatierra – Morille. Enfermeira de serviço / Nurse of the day

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Etapa 22: Fuenteroble de Salvatierra –  Morille (31,8 km)

Desperto na expectativa de saber o estado de saúde do Gordon e se está em condições para continuar mais uma etapa. Vou ao quarto e, embora ainda se sinta abatido, pretende continuar. O descanso de ontem, os cuidados dos hospitaleiros e a medicação surtiram algum efeito. Ainda assim, acompanho-o toda a manhã, a um passo mais lento (o que para mim não é de todo complicado).

No início da etapa não há grande desnível, caminhamos pelo campo entre carvalhos, encontramos uma cruz de madeira e uma tenda feita de ramos (terá algum significado?), enquanto o sol não nasce está fresco e agradável para caminhar, mas assim que ele aparece, começa a aquecer em força. Esta mudança de temperatura num curto espaço de tempo não ajuda a quem já não se encontra bem e, ainda por cima, espera-nos uma longa subida. António e Pepe vão mais à frente, já os perdemos de vista, mas Gordon precisa de uma pausa e faço-lhe companhia. Toma o último Ben-u-ron que lhe tinha dado, já não há mais medicação nem vitaminas, esgotamos o stock e nas povoações anteriores não foi possível abastecer, já que não acertamos no dia/hora da farmácia aberta. Vejo-o em mau estado, se não estivéssemos no meio dos campos sem acesso à estrada, era capaz de parar por ali ou apanhar algum transporte. Mas, naquele local, não havia outra que seguir em frente.

Continuamos a subida até uma bifurcação, por um lado temos de continuar a subir até o Pico de la Dueña onde o Padre Blas (pároco de Fuenterroble) mandou colocar uma cruz de Santiago ou pelo outro, um pouco mais curto e com menos desnível. Apesar do guia referir as belas vistas desde o Pico, nenhum de nós faz questão de lá subir, já que as energias estão a ser geridas ao máximo para conseguir chegar ao fim do dia. Se, inicialmente, apenas me preocupava com o Gordy, agora, também eu, estava à rasca dos pés e ainda só tínhamos percorrido um terço da etapa.
Na bifurcação encontramos Pepe e António que estavam à nossa espera, lanchamos, descansamos um pouco e continuamos, acabando por ficar a mesma dupla novamente para trás.

Encontramos uma pequena povoação, logo no primeiro bar à entrada, entramos para reencontrar com os outros rapazes. Já é tradição reagrupar (quase) sempre no primeiro bar que se encontra. Pergunto se há farmácia ali ou outra forma de adquirir alguns medicamentos e, para nossa sorte, hoje o Centro de Sáude está aberto e é logo atrás do bar. Cabe-me acompanhar o Gordy, qual encarregada de educação, para fazer as traduções entre médico e paciente. O médico foi rápido, simpático e muito prático.

Sob um calor insuportável continuamos os quatro juntos por algum tempo, mas pelas paragens extras que necessitei de fazer para descansar os pés, acabei por me distanciar de todos eles. Felizmente, parecia que finalmente a medicação começava a surtir efeito e o Gordon parecia o Speedy Gonzales (desenho animado), conseguindo acompanhar os outros dois. Apesar de não ter nenhum sintoma, começo a ponderar se não devia tomar os mesmos remédios. :)

O último terço da etapa é quase todo pela estrada. Além de um troço monótono, é cansativo, com sombras escassas e com o alcatrão a cozer os pés. A cerca de 4 km de Morille, vejo o Gordy sentado à beira da estrada e acabamos por seguir juntos até ao fim. Bendita companhia! Uma conversa  certeira de meias palavras e muitos entendimentos, fez com que o tempo voasse e chegasse rapidamente a Morille.

Morille é uma pequena povoação, tem um albergue recente e muito catita. Não há muito que se faça e, mais uma vez, o espaço proporciona o convívio entre peregrinos.

Gordon e António há muito que dizem querer parar um dia extra em Salamanca. O Pepe termina a sua caminhada nesse mesmo ponto (está a fazer a Via de la Plata por etapas). Eu pensava descansar um dia, mas ainda não tinha decidido onde, pois queria aproveitar uma fase em que os pés estivessem menos bons para aproveitar o dia extra  de descanso. Se até então não me tinha decidido, hoje confirmo-lhes que ficarei também por Salamanca. Tenho curiosidade em conhecer a cidade, os pés pedem alguma clemência e sinto-me cansada, cansada da rotina. Chego mesmo a falar com os rapazes, para não me levarem a mal, mas a partir dali, quando ficar para trás, não esperem por mim. Estou a precisar caminhar apenas ao meu ritmo (quando sei que eles estão à espera não páro tanto quanto gostaria), fazer descansos sem controlo do tempo, voltar ao “desconforto” de caminhar só, ser eu a procurar as setas, não ver mochilas à minha frente. Confesso que nunca pensei que chegaríamos a caminhar tanto tempo juntos (no Embalse de Alcantara, Gordon referiu pela primeira vez que chegaríamos juntos a Santiago e tiraríamos uma foto. “You silly!”),  já tinha “perdido” tantas pessoas pelo caminho, portanto com eles não seria diferente. Era bom ser a “Niña”, mas o cansaço emocional dos últimos dias voltava a colocar tudo em questão, estava cansada e isso também se começava a reflectir na relação com eles e isso não era bom.. nem justo da minha parte!

Etapas Via de la Plata

LivroUm Caminho para Todos – Diário de uma peregrina no Caminho de Santiago, Via de la Plata e Camino Sanabrés

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EN

Stage 22: Fuenteroble de Salvatierra –  Morille (31,8 km)

(Translation in progress… google translation for now) :\

Awake in anticipation to know the health status of Gordon and is able to continue one more step. I go to the room and although still feel dejected, want to continue. Yesterday’s rest, care of hospitable and medication have had some effect. Still, I follow it all morning at a slower pace (which to me is not at all complicated).
In the early stage there is large gap, we walk through the countryside between oaks, we find a wooden cross and a tent made of branches (have any meaning?), As the sun rises is not cool and pleasant to walk, but as soon as it appears begins to warm in force. This temperature change in a short time does not help those who already is not good and, moreover, expected us a long climb. Antonio and Pepe go ahead, have we lost sight of, but Gordon needs a break and make him company. Take the last Ben-u-ron he had given, no further medication or vitamins, run out of stock and previous settlements could not supply as we do not get it right on the day / time of the open pharmacy. I see it in poor condition, if we were in the middle of the field without access to the road, was able to stop there or take any transport. But in that place, there was no other to move on.
We continue to climb to a fork on the one hand we must continue to climb to the Pico de la Dueña where Father Blas (Fuenterroble parish priest) had put a cross of Santiago or the other, a little shorter and with less unevenness. Despite the guide mention the beautiful views from the Peak, none of us wishes to go up there, as the energies are being managed best to make it to the end of the day. Initially, only cared about Gordy, now I, too, was the rasca feet and we still only covered a third of the stage.
At the fork we find Pepe and Antonio who were waiting for us, ate lunch, rested a bit and continue and eventually get the same double back again.
We found a small village, in the first bar at the entrance, we enter to reconnect with the other guys. Already regroup tradition (almost) always the first bar that is. I wonder if there’s pharmacy or otherwise acquire some medications and, lucky for us, today the Health Issues Centre is open and is just behind the bar. It fits me follow Gordy, which in charge of education, to make translations between doctor and patient. The doctor was quick, friendly and very practical.
Under an unbearable heat continue the four together for some time, but the extra stops I needed to do to rest your feet, I ended up distancing myself from all of them. Fortunately, it seemed that finally the medication began to take effect and Gordon seemed Speedy Gonzales (cartoon), managing to keep up with the other two. Despite not having any symptoms, I begin to wonder whether they should not take drugs. :)
The last third of the stage is almost all down the road. In addition to a monotonous stretch, it is tiring, with few shadows and tar to bake feet. About 4 km from Morille, I see Gordy sitting on the edge of the road and ended up go together to the end. Blessed company! A sure conversation word socks and many understandings, made the time fly and quickly got to Morille.
Morille is a small town, has a recent and very quaint hostel. There is not much to be done and, once again, the space provides the interaction between pilgrims.

Gordon and Antonio has long been said to want to stop an extra day in Salamanca. Pepe finishes his walk that same point (is making the Via de la Plata in stages). I thought to rest a day, but had not yet decided where because I wanted to take a stage where the feet were less good to enjoy the extra day of rest. Until then I had not decided today confirm them’ll also for Salamanca. I am curious to know the city, feet ask for some mercy and I’m tired, tired of the routine. I even talk to the guys, not me take this wrong, but from there, when you get back, do not wait for me. I am in need only walk at my own pace (when I know they are waiting not I stop all you want), make pillows without time control, return to the “discomfort” to walk alone, I be looking for the arrow keys, backpacks not see the me. I confess that I never thought we’d get to walk so much time together (in Alcantara Embalse, Gordon said the first time we’d get together to Santiago and we would draw out a picture. “You silly”), he had “lost” so many people along the way, so with them would not be different. It was good to be the “Niña”, but the emotional fatigue of the last days back to put everything in question, was tired and it also began to reflect on the relationship with them and that was not good .. not fair of me!

 Stages of Via de la Plata

Book: A Camino for All – A Pilgrim’s Diary on the Camino de Santiago, The Via de la Plata and the Camino Sanabrés

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