Via de la Plata: 20. Aldeanueva del Camino – Calzada de Béjar. De volta às origens / Back to basics

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Etapa 20: Aldeanueva del Camino  –  Calzada de Béjar (22,2 km)

Depois do dia de ontem, voltou alguma boa energia e os pés correspondem melhor do que o esperado.

Na primeira parte da etapa, até Baños de Montemayor não há nada digno de registo. Aproveitamos esta localidade, ao fim de 9 km, com um bar aberto, para fazer a primeira pausa do dia. Mal sabíamos que logo depois nos esperava uma subida acentuada sobre calçada romana a Puerto de Béjar, que embora cansativa, se torna muito agradável, dando-nos uma perspectiva sobre a povoação e o que viríamos a encontrar de seguida.

De volta à Estrada Nacional (N-630), a qual temos de cruzar, encontramos um painel que indica que a partir dali nos despedimos da Extremadura e entramos em Castilla, mais um pequeno objectivo alcançado!

Depois de um pequeno tramo por estrada voltamos aos trilhos, encontramo um mural com toda a Via de la Plata representada e seguimos por um bosque, a parte mais agradável de todo o percurso. Sigo por muito tempo a conversar com o António, Gordon e Pepe vêm um pouco mais atrás. Apesar da sombra, do odor agradável e da paisagem, há uma descida algo acentuada e pouco propícia a joelhos sensíveis, também aqui, os bastões são os melhores companheiros.

Após a travessia da Puente de la Magdalena, encontramos o local ideal para novo descanso, com o ruído da água a correr como banda sonora e a degustação de umas madalenas, o “petisco” que nos tem acompanhado neste Caminho, por culpa do António. E nem dá para rejeitar, eu então, já estou marcada por dizer sempre “não” e já tenho banda sonora e tudo (La Poupée Qui Fait Non – Michel Polnareff).

Até Calzada de Béjar foram mais 5,5 km, sempre entre trilhos, por vezes procurando alternativas por estarem lamacentos ou com poças de água, mas embora o passo mais lento neste final de etapa, até chegamos relativamente cedo ao albergue.

Aqui, para poder comer há 3 opções: aderir às refeições fornecidas pelo próprio albergue, com marcação prévia, esperar que abra o bar ou estar atento à chegada das carrinhas que fornecem a povoação, tanto do pão, como da fruta! Para o almoço-lanche, optamos pela 3ª opção, mais rústica. Não sabíamos a hora de chegada, teríamos que estar atentos à buzina. Quando esta chegou, era ver os peregrinos e os locais em direcção à praça central e fazer fila. Para quem já está habituado aos super e hipermercados, até sabe bem variar, mas para quem cá vive, é uma limitação grande, já que as carrinhas têm dias próprios para passarem. Nestas povoações, também é com frequência que encontramos referência a outros serviços que são pouco periódicos, como a visita do médico (às vezes um dia ou uma tarde por semana), o acesso à farmácia ou dos correios. É uma viagem no tempo para quem vive nas grandes cidades!

No albergue tudo se passa tranquilamente, o espaço em si é propício ao convívio e lazer e a maior parte de nós acaba por ir ficando por ali. Tardo o meu duche para poder brincar com os dois cães que por ali andavam (também eles a necessitarem de um banho) e fico a ver a Takako (japonesa) e fazer alongamentos, acabando por ser desafiada para repeti-los. De repente, torno-me o bobo da corte dos presentes no quarto, pois enquanto ela tem uma flexibilidade incrível, curva-se abraçando as pernas, colocando as palmas da mão no chão sem dobrar os joelhos e outras habilidades que tais, eu pouco faço. A cereja no topo do bolo é quando ela me vê a cambalear e repete várias vezes, caso alguém ainda não tenha ouvido: “Tu, 30 anos.. Eu, 60..” Pois, lá vamos nós outra vez! :)

No jardim conheço um casal francês e noto que têm um livrinho litúrgico nas mãos. Pergunto-lhes se podem emprestar apenas para ler a passagem do dia, acedem de imediato e acaba por dar azo a uma longa conversa. Quando digo que sou da Madeira, respondem que conhecem, mas não têm boas recordações. (Para meu espanto, a grande maioria das pessoas que vou encontrando, conhecem a Madeira, muitos já foram de férias e os outros querem ir. Os mais novos perguntam por Cristiano Ronaldo, os outros referem sempre as belas flores e as caminhadas.) Neste caso, tinha falecido o irmão do senhor. Tinha ido de férias com a esposa, tudo correu lindamente, na véspera à noite, o marido disse que lhe apetecia dançar e dançaram no quarto, adormeceram, mas de manhã, o senhor já não despertou. Nos dias anteriores não tinha havido qualquer sinal de que algo pudesse não estar bem e, por isso, o choque foi ainda maior. Perante estas circunstâncias, este casal tinha ido à Madeira ajudar a cunhada, mas como se percebe, as recordações associadas não são as melhores. Já passaram vários anos, mas ainda é com alguma emoção que falam no assunto. Dizem, no entanto, que o seu regresso está para breve, querem, agora sim, levar as melhores recordações possíveis.

Etapas Via de la Plata

LivroUm Caminho para Todos – Diário de uma peregrina no Caminho de Santiago, Via de la Plata e Camino Sanabrés

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EN

Stage 20: Aldeanueva del Camino  –  Calzada de Béjar (22,2 km)

(Translation in progress… google translation for now) :\

 After yesterday’s day, he returned some good energy and feet correspond better than expected.
In the first part of the stage, to Baños de Montemayor nothing noteworthy. We take this locality, after 9 km, with an open bar, to make the first break of the day. Little did we know that soon after we expected a sharp rise on Roman road to Puerto de Béjar, that although tiring, it becomes very nice, giving us a perspective on the town and what we were to find then.

Back to National Highway (N-630), which we have to cross, we find a panel indicating that from there we said goodbye and entered the Extremadura Castilla, another small goal achieved!

After a short stretch of road we got back on track, we find a mural with all the Via de la Plata represented and headed for the woods, the most enjoyable part of the whole route. Following long to talk to Antonio, Gordon and Pepe come a little further back. Despite the shadow of pleasant odor and landscape, there is a sharp drop something and little prone to sensitive knees, here too, bats are the best companions.

After crossing the Puente de la Magdalena, we found the ideal place to rest again with the sound of running water as a soundtrack and tasting a madeleines, the “snack” that has accompanied us on this path, the fault of Anthony. And can not even reject, then I am already marked by ever say “no” and have already soundtrack and all (La Poupée Qui Fait Non – Michel Polnareff).

Until Calzada de Béjar were further 5.5 km, always between tracks, sometimes looking for alternatives because they are muddy or puddles, but although the slower pace this late stage, until we arrived relatively early to the hostel.

Here, in order to eat there three options: join the meals provided by the hostel itself, by appointment, expected to open the bar or be aware of the arrival of the vans that provide the village, both the bread, like fruit! For lunch-snack, we chose the 3rd option, more rustic. We did not know the arrival time, we would be aware of the horn. When it arrived, it was to see the pilgrims and the local towards the central square and to queue. For those already accustomed to super and hypermarkets, to know well vary, but for those who live here, is a major limitation, since vans have their own days to go. In these towns, is also often we find reference to other services that are little periodicals, such as doctor’s visit (sometimes a day or an afternoon a week), access to the pharmacy or post office. It’s a trip back in time to those who live in big cities!

In the hostel everything goes smoothly, the space itself is convivial and leisure and most of us end up getting to go there. My shower late to be able to play with two dogs walked over there (they also in need of a bath) and I watch the Takako (Japanese) and to stretch and eventually be challenged to repeat them. Suddenly, I become the court jester of the in-room because while she has incredible flexibility, curve-hugging legs, putting his palms on the floor without bending the knees and other skills such, I just do . The icing on the cake is when she sees me reeling and repeats several times if anyone still has not heard, “You, 30 years .. I, 60 ..” Well, here we go again! :)

In the garden I know a French couple and notice they have a liturgical booklet in his hands. Ask them if they can lend only to read the passage of the day, immediately access and ultimately lead to a long conversation. When I say I am from Madeira, account who know but do not have good memories. (To my amazement, the vast majority of people I’m finding, know Madeira, many were already on vacation and others want to go. Younger ask for Cristiano Ronaldo, the other always refer the beautiful flowers and hiking.) In this case, had died the brother of the Lord. Had gone on vacation with his wife, everything went beautifully, the night before, her husband said she wanted to dance and danced in the room, fell asleep, but in the morning, you do not have awakened. In previous days there had been no sign that something might not be right, so the shock was even greater. Under these circumstances, this couple had gone to Madeira help coined, but as noted, the associated memories are not the best. It’s been several years, but still with some emotion to speak on the subject. They say, however, that their return is coming soon, want, now, take the best possible memories.

Stages of Via de la Plata

Book: A Camino for All – A Pilgrim’s Diary on the Camino de Santiago, The Via de la Plata and the Camino Sanabrés

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