Via de la Plata: 19. Oliva de Plasencia – Aldeanueva del Camino. Ainda falta muito? / There is still much?

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Etapa 19: Oliva de Plasencia – Aldeanueva del Camino (30 km)

Nesta fase da peregrinação, penso que o corpo já devia estar habituado a este esforço físico, mas infelizmente, ele não é da mesma opinião. Acordei ainda cansada dos 30 km do dia anterior e hoje esperava-nos igualmente uma etapa longa. Foi neste estado de espírito que comecei o dia, que se prolongou por muito tempo…

O ponto alto do dia é a passagem pelo Arco de Cáparra, que se tornou o símbolo da Via de la Plata. (Wikipédia: Caparra ou Cáparra foi uma cidade romana situada no que é hoje a parte norte da província de Cáceres, na comunidade autónoma da Estremadura, Espanha. Situadas numa área fértil do vale Vale do Ambroz, próximo das localidades de Oliva de Plasencia e Guijo de Granadilla, as ruínas de Caparra foram, durante séculos, motivo de atenção por parte de curiosos e eruditos, centrada especialmente em seu elemento mais atrativo e melhor conservado: o Arco Tetrápilo, único do seu género na Península Ibérica.)
Infelizmente, não estava com paciência para ler os dados históricos e observar com mais cuidado esta preciosidade e, após algumas fotografias, afastei-me um pouco e sentei-me à espera do resto do pessoal. Estavam animadíssimos a tirar fotografias de vários ângulos e com as máquinas uns dos outros, definitivamente, não era o meu dia!

O trilho que se segue é simpático, entre pradarias com gado a pastar, depois torna-se apenas um trilho paralelo à estrada e apesar de ter vegetação, só é novidade no início, os quilómetros seguintes são sempre iguais e torna-se cansativo.
Encontro um trio de franceses (um senhor e duas senhoras) que já tinha conhecido antes. Eles vão a ler um texto e depois de um momento de silêncio, cada um partilha as suas reflexões sobre o mesmo. Aproveitando o facto de não ter muita pedalada para os ultrapassar, sigo no seu encalce a beber um pouco das partilhas, pois este é um aspecto que me tem faltado neste caminho. Embora, sempre que posso e haja celebração, assista à missa do peregrino, durante o dia falta algo mais. O António gosta especialmente de discutir sobre Religião, mas não temos, de todo, os mesmos pontos de vista. Se por vezes, isso torna a troca de ideias interessante, outras, faz-me falta alguém que reme para o mesmo lado. Quando uma das senhoras decide parar para tirar algo da mochila, não tenho outro remédio se não continuar o caminho. Apesar de ter sabido a pouco, valeu a pena.

A certa altura do percurso, já estou de novo com o Gordon e o António, há um riacho para atravessar com uns paralelípípedos ali colocados para ajudar na travessia. Para meu azar, um deles está inclinado e ao avançar, coloco mal o pé. Ops, e agora? Tenho a sensação que faça o que fizer, vou dar um tombo, já que não consigo voltar atrás e não tenho força suficiente nas pernas para dar o impulso necessário para avançar. Este impasse pareceu-me durar imenso tempo, quando aparece o senhor francês do trio que tinha andado a seguir, avança por um caminho alternativo de pequenas pedras, dá-me a mão e ajuda-me a chegar a porto seguro. Não o(s) voltaria a ver, mas fiquei profundamente agradecida!

Mais tarde, surge um novo riacho, de grau de dificuldade mais acessível, mas quase no final, há uma pedra que não está bem segura e procuro uma posição que me dê equilíbrio para seguir em frente. Sei que o António já está na margem, o Gordon está mesmo atrás à espera que me despache. Penso para comigo, “se o António está mesmo ali, porque não estica o braço para me ajudar?!” Assim que dou um salto e estou em terra firme, olho para ele, está com um ar de decepção “oh, não caíste, já estava com a máquina apontada para registar o momento”. Amigos destes, enfim… :)

Após um breve descanso na berma da estrada, retomamos o caminho. A certa altura vemos duas possibilidades, uma pelo traçado original, outra, um pouco mais curta, pela estrada. Os rapazes querem a original, tentamos essa, mas pouco depois, a sinalização não é boa, andamos às voltas, perdemos tempo e energias e decidimos voltar para tomar o tal desvio. Ao fim de algum tempo, encontramos um bar de beira de estrada. O António pergunta se queremos parar, “SIM!!!!”, não houve espaço para dúvidas! Que cansaço, que calor, que dia que nunca mais acaba! Já estamos a tomar algo fresco, quando vemos o Pepe a aproximar-se. “PEPEEEEEEEE” (não sei porquê, mas o nome dele nunca dá jeito a dizer só “Pepe”, tenho sempre de prolongar “Pepeeee”, o nome faz-me lembrar um desenho animado, não sei, memórias difusas, talvez…). Também ele sofria com o calor e os pés não estavam nas melhores condições, por isso foi com gosto que se sentou à mesa.

Fizemos uma pausa longa, fora do que é normal para nós, mas foi retemperadora e, agora sim, estávamos prontos para continuar a enfrentar o alcatrão e chegar a Aldeanueva del Camino.

O meu resto do dia foi passado no alojamento a descansar, dormir, conviver um pouquinho e voltar a descansar. Eles ainda foram dar uma volta pela povoação, eu não tive forças para tanto.

No final do dia, ainda houve tempo para escrever um pouco. Apesar do tom ainda mais informal do que o costume e o cansaço bem presente, transcrevo o que foi escrito no momento.
“… Gosto cada vez mais dos meus “compagnons de route” e sem dúvida que me animam, tanto na caminhada (para manter o ritmo ou levantar a moral), como nos finais de tarde.
O G. É um gentleman, muito bem disposto, que não passa os limites e falamos muito bem, avançando aos poucos para a “intimidade” da vida passada de cada um. Tenho muito respeito por ele, mas às vezes parece-me tão familiar, esqueço a diferença de idades e ultrapasso os limites. Embora seja a brincar, ele sabe, quando me dou conta, peço desculpa. É muito mais cuidadoso com os outros no pós-caminhada do que durante a mesma, penso que por também sofrer um pouco com a mesma. Gosto muito, muito dele.
O A. É o autêntico “marialva”, um conquistador nato, que tenta ter todos à sua volta bem-dispostos. Apesar da capa de D. Juan, é muito atento ao que o rodeia e como os outros se sentem. Por vezes não diz nada na altura, mas depois faz observações certeiras. Casado há 40 anos, continua enamorado e é bonito de se ver. :) Foi uma bonita surpresa neste caminho e estou contente por o estar a conhecer melhor. Aos poucos vai crescendo a confiança. Bonita ironia da vida, eu que não o suportei nos primeiros dias, agora penso que gostaria que chegássemos junto a Santiago! :) Dá cada volta esta vida! :) (…)”

Felizmente, viria a ter tempo de descobrir muito mais sobre ambos! O Caminho foi muito generoso comigo! :)

Etapas Via de la Plata

LivroUm Caminho para Todos – Diário de uma peregrina no Caminho de Santiago, Via de la Plata e Camino Sanabrés
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Stage 19: Oliva de Plasencia – Aldeanueva del Camino (30 km)

(Translation in progress… google translation for now) :\

At this stage of the pilgrimage, I think the body should have been used to this physical effort, but unfortunately, it is otherwise. I woke up still tired 30 km from the previous day and today also expected us a long step. It was in this mood that started the day, which lasted for a long time …

The highlight of the day is passing through the Arch of Caparra, which became the symbol of the Via de la Plata. (Wikipedia: Caparra or Caparra was a Roman city located in what is now the northern part of the province of Cáceres, in the Autonomous Community of Extremadura, Spain Located in a fertile valley area of Ambroz Valley, near the towns of Oliva de Plasencia and Guijo. Granadilla, the ruins of Caparra were for centuries source of attention from onlookers and scholars, focusing especially on its most attractive and best preserved element:. the Tetrápilo Arco, only one of its kind in the Iberian Peninsula)
Unfortunately, it was not with the patience to read historical data and observe more carefully this gem and after some photos, I retreated a bit and sat waiting for the rest of the staff. Animadíssimos were taking pictures from various angles and with each other’s machines definitely was not my day!

The track that follows is friendly, between grasslands with cattle grazing, then becomes just a trail parallel to the road and despite having vegetation, just novelty at first, the following kilometers are always the same and it becomes tiring.
Find a French trio (a man and two women) who had ever known before. They’re going to read a text and after a moment of silence, each shared their thoughts on the same. Taking advantage of the fact of not having a lot of pedaling to overcome them, follow in his EnCalcE to drink some of the shares, as this is an aspect that has been missing me this way. Although, whenever I can and there is celebration, watch the Pilgrim Mass, during the day missing something else. António especially like to discuss religion, but we do not at all the same points of view. If sometimes it makes the exchange interesting ideas, others make me miss someone who paddle in the same direction. When one of the ladies decide to stop to get something out of the bag, I have no choice if we do not continue the way. Despite having known a little, it was worth it.

At one point the route, I’m again with Gordon and Antonio, there is a stream to cross with a parallelepiped placed there to assist in crossing. To my bad luck, one is inclined and forward, barely put a foot. Oops, now what? I have a feeling that whatever you do, I’ll take a tumble, as I can not go back and do not have enough leg strength to give the necessary impetus to move forward. This impasse seemed to me to last a long time, when it appears the French master of the trio who had been following advances by an alternative way of small stones, give me a hand and help me to reach safe haven. Not (s) would see, but I was deeply grateful!

Later, a new stream of more affordable degree of difficulty, but towards the end, there is a stone that is not well secured and seek a position that gives me balance to move on. I know that Antonio is already at the margin, Gordon is right behind me waiting for dispatch. I think to myself, “If Antonio is right there, because it reaches out to help me ?!” So I take a leap and I’m on solid ground, look at it, it is with disappointment air “oh no you have fallen; It was already pointed the machine to record the moment. ” These friends, so … :)

After a short rest on the roadside, we resumed the road. At one point we see two possibilities, one the original track, another, slightly shorter, by road. The boys want the original, try this, but shortly after, the signage is not good, we walked grappling, wasted time and energy and decided to go back to take such deviation. After a while, we found a roadside bar. The Antonio asks if we want to stop, “YES !!!!” there was no room for doubt! That tiredness that heat, that day never ends! We’re taking something fresh when we see Pepe approaching. “PEPEEEEEEEE” (do not know why, but his name never gives way to say only “Pepe” I always have to extend “Pepeeee”, the name reminds me of a cartoon I do not know, fuzzy memories, perhaps … ). He too suffered from the heat and feet were not in the best condition, so it was with pleasure that sat at the table.

We made a long pause, outside of what is normal for us, but it was reinvigorating and, now, we were ready to continue to address the tarmac and come to Aldeanueva del Camino.

The rest of my day was spent at the lodge to rest, sleep, live a little and come back to rest. They were still a spin around town, I did not have the strength to do so.

Later in the day, there was still time to write a little. Despite the more informal tone than usual and the ever-present fatigue, I transcribe what was written at the time.
“… More and more I like my” route of compagnons “and no doubt that inspire me, both on the walk (to keep up or raise morale) as in the late afternoon.
The G. is a gentleman, very good mood, which does not pass the limits and speak very well, moving gradually to the “intimacy” of the past life of each. I have much respect for him, but sometimes it seems so familiar, forget the age difference and surpass the limits. While it’s playing, he knows when I realize, I apologize. It is much more careful with the other post-hike than during the same, I think that by also suffer a bit with it. I like very, very much.
A. It is the authentic “marialva” a born conqueror, trying to have everyone around you in a good mood. Despite the cover of Don Juan, it is very aware of your surroundings and how others feel. Sometimes it does not say anything at the time, but then makes well-aimed observations. Married for 40 years, and continues in love is beautiful to behold. :) It was a beautiful surprise in this way and I’m glad to be better known. It is slowly growing confidence. Beautiful irony of life, than I endured in the early days, now I think you would have arrived at the Santiago! :) Give every turn this life! :) (…) ”
Fortunately, would have time to find out much more about both! The path was very generous with me! :)

Stages of Via de la Plata

Book: A Camino for All – A Pilgrim’s Diary on the Camino de Santiago, The Via de la Plata and the Camino Sanabrés

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One thought on “Via de la Plata: 19. Oliva de Plasencia – Aldeanueva del Camino. Ainda falta muito? / There is still much?

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