Via de la Plata: 18. San Gil – Oliva de Plasencia. Sedenta / Thirsty

PT /EN

Etapa 18: San Gil –  Oliva de Plasencia (30 km)

A noite foi bem dormida embora nesta fase seja estranho ter um quarto só para mim e de manhã poder acender a luz e arrumar as coisas tranquilamente sem o receio de estar a perturbar alguém. De repente, todas as prioridades alteram e estes são os pequenos luxos do dia-a-dia!

Decidimos sair mais cedo, ainda de noite, pois esperam-nos 10 km de estrada até Carcaboso. Como a paisagem não é nada de especial e queremos fugir ao calor, esta foi sem dúvida a melhor opção. Caminhamos bem, ora os 3 juntos, ora cada um por si, mas nesta altura do campeonato, já sabíamos os tempos de cada um: quem caminha melhor de manhã e depois à tarde é lento, a quem acontece exactamente o oposto, começamos a saber reconhecer os silêncios e a necessidade de cada um estar só em certas alturas ou de necessitar de uma palavra de ânimo para arrebitar. Já entramos na dinâmica de grupo, nas rotinas e cumplicidade. Perto de Carcaboso, como em quase todas as entradas nas cidades maiores, a sinalização é pouco clara e/ou inexistente, mas vemos a povoação ali à nossa frente, portanto sabemos qual o rumo. Gritamos “Gordyyyy, caféeee”. É o elemento do grupo que está sempre à espreita do café do dia e a verdade é que, quando o toma, ganha outra energia.

Já em Carcaboso, reencontramos o Pepe como tínhamos combinado na véspera, que vinha de Galisteo e fomos a um bar.

A parte plana da etapa terminou e a partir daqui começaremos a ganhar um pouco de altitude. As paisagens, agora sim, valem a pena!
Primeiro, passamos por um trilho ladeado de terrenos com gado a pastar e as montanhas ao fundo, depois uma pradaria ao longo de um par de quilómetros. Já não me devia espantar com a beleza da Via de la Plata, mas é impossível, que espaço mais agradável, com sombras, odor a flores e sítios para descansar!

Hoje calculei mal a ingestão de líquidos e sabendo não ter outra povoação até ao final da etapa, terei de ir à caso-de-banho campestre. O local mais reservado ficava atrás duma estrutura num campo onde pastavam vacas! Deixo a mochila com os rapazes, vou cautelosa pelo meio das vaquinhas, mas estas continuam na sua vida tranquila, apenas uma olha para mim, mas não faz questão de se aproximar. António ao longe começa a gritar “Luisa, cuidado com a vaca”. Calculava ser brincadeira, mas pelo sim, pelo não, nunca me despachei tão rápido!

Saímos da pradaria, de volta à estrada e decidimos fazer uma pausa. Estava um calor insuportável (e até tínhamos caminhado à sombra durante algum tempo) e eu estava com pouca água, calculando que não seria suficiente para chegar ao fim. Os meus “colegas” quiseram oferecer, mas nesta altura já estavam todos com pouca água, portanto não seria sensato. À nossa frente, a única casa ali na zona, decido arriscar e ir bater à porta. A senhora que vem à porta acede encher a garrafa, mas não está propriamente entusiasmada com a visita surpresa (muito provavelmente por lhe acontecer isto com frequência). Depois de dois dedos de conversa, fica mais bem disposta, menos mal.

Pepe fica a descansar mais um pouco, nós 3 seguimos o desvio de 7,5 km até Oliva de Plasencia, sempre por alcatrão. Sinto-me bem, já estou bem hidratada novamente e avanço num passo mais acelerado, a vontade de chegar ao fim é enorme! António, o mais acelerado de todos, percebe que este é o “meu momento” e deixa-me ir à frente à vontade. Pode parecer estranho, mas apetece-me caminhar por alguns momentos apenas vendo o horizonte, o caminho (embora fosse rectilíneo), sem estar constantemente a ver as duas mochilas que me acompanham diariamente, uma ora mais perto, outra mais distante, mas que são uma constante. Durante os primeiros 4 km fui a “lebre”, depois, de repente, os pés queixaram-se e tive de abrandar, fazendo com ficasse novamente para último lugar. O António quando passou por mim deixou umas palavras, ele tinha percebido exactamente aquele momento sem termos tido necessidade de falar, que bom quando se chega a este ponto!

Quando encontro um lugar seguro na berma da estrada, decido fazer uma pausa e deixá-los sair de vista. Apesar de ter enchido a garrafa de água, esta já se encontra novamente no fim. Caminho com dificuldade quando chego ao destino de hoje, com a garrafa na mão faltando apenas um gole para terminar. Uma família estava a sair de sua casa para entrar no carro, cumprimentam-me à passagem, olham para a garrafa e perguntam se quero água. Respondo que o albergue deverá estar próximo dado já ter visto indicações e eles confirmam, ainda assim, pegam numa garrafinha semi-cheia que tinham dentro do carro, e oferecem-me, para que não tenha pressa de chegar ao albergue. Não sei os nomes destas pessoas, se os voltasse a ver era capaz de já não reconhecer as caras, mas são estes gestos que fazem a diferença e ficam marcados.

Em Oliva de Plasencia não há muito que se faça, aproveita-se para descansar e conviver. Hoje o jantar é comunitário num bar próximo e conheço vários peregrinos que até então nunca tinha visto.

Nota: Actualmente o albergue de Oliva de Plasencia encontra-se encerrado.

Etapas Via de la Plata

LivroUm Caminho para Todos – Diário de uma peregrina no Caminho de Santiago, Via de la Plata e Camino Sanabrés

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EN

Stage 18: San Gil –  Oliva de Plasencia (30 km)

(Translation in progress… google translation for now) :\

The evening’s sleep although at this stage it is strange to have a room to myself and am able to turn on the light and pack up quietly without the fear of being upset someone. Suddenly, all priorities change and these are the little luxuries of the day-to-day!

We decided to leave early, still dark as expected in the 10 km road to Carcaboso. As the landscape is nothing special and we want to escape the heat, this was undoubtedly the best option. Walk well, sometimes 3 together, now every man for himself, but at this stage of the game, we knew the times of each: those who walk better in the morning and then the afternoon is slow, whom exactly the opposite happens, we begin to know recognize the silences and the need for each one to be at certain times or need a word of encouragement to perk. Already we entered the group dynamics, routines and complicity. Near Carcaboso, as in almost all entries in the larger cities, the signage is unclear and / or non-existent, but we see the village there ahead of us, so we know which direction. Shouted “Gordyyyy, caféeee”. It is the member of the group who is always on the prowl coffee and the truth is that when the take, wins another energy.
Already in Carcaboso, we find Pepe as we agreed yesterday, coming from Galisteo and went to a bar.
The flat part of the stage is over and from here we will begin to gain some altitude. The landscapes, now, are worth it!
First, we passed a path flanked land with cattle grazing and mountains in the background, after a prairie along a couple of kilometers. No longer was I surprised at the beauty of the Via de la Plata, but it is impossible that more pleasant, with shadows, smell the flowers and places to rest!

Today miscalculated fluid intake and knowing not get another village until the end of the stage, I have to go to the event-conditioned setting. The most reserved place was behind a structure in a field where cows grazed! I leave the backpack with the boys, I cautiously between the kitties, but these are still in their quiet life, just look at me, but it does not matter of approach. António the distance starts screaming “Luisa, beware of the cow.” Estimated to be kidding, but at even by not never dispatched me so fast!
We left the prairie, back on the road and decided to take a break. It was unbearably hot (and even had walked in the shade for a while) and I was with a little water, calculating it would not be enough to reach the end. My “colleagues” wanted to offer, but this time they were all with little water, so it would be unwise. Ahead of us, the only house there in the area, decide to risk it and go knock on the door. The lady who comes to the door accesses fill the bottle, but is not exactly thrilled with the surprise visit (most likely for this to happen often). After a chat, it is better prepared, less evil.
Pepe is some more rest, we follow the detour 3 7.5 km to Oliva de Plasencia, always tar. I feel good, I’m well hydrated again and advance at a faster pace, the desire to reach the end is huge! Anthony, the fastest of all, realize that this is “my time” and let me go ahead at ease. It may seem strange, but I feel like walking for a few moments just seeing the horizon, the way (although it was straight) without being constantly see the two backpacks that accompany me every day, a prayer nearer, another more distant but are a constant. During the first 4 km went to “hare”, then, suddenly, his feet complained and I had to slow down, causing them to stay back till last. António when passed me left a few words, he had noticed exactly that moment have had no need to speak, that good when it comes to this point!
When I find a safe place on the roadside, I decide to take a break and let them out of view. Despite having filled the water bottle, this is already again at the end. Hard way when I arrive at the destination today with the bottle in his hand with just a sip to finish. A family was out of his house to get in the car, greet me the way, look at the bottle and ask if I want water. I answer that the hostel should be close given indications have already seen and they confirm still take a half-full bottle they had in the car, and offer me, so do not rush to get to the hostel. I do not know the names of these people, if he returned them to see was no longer able to recognize faces, but these are gestures that make a difference and are marked.

Oliva de Plasencia there is not much to do, takes advantage to rest and socialize. Today dinner is a community in a nearby bar and know many pilgrims who until then had never seen.
Note: Currently the hostel Oliva de Plasencia is closed.

Stages of Via de la Plata

Book: A Camino for All – A Pilgrim’s Diary on the Camino de Santiago, The Via de la Plata and the Camino Sanabrés

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