Via de la Plata: 16. Embalse de Alcantara – Grimaldo. Paisagem mutável / Mutable landscape

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Etapa 16: Embalse de Alcantara – Grimaldo (20,3 km)

Desperto com menos dores do que nos últimos dias, o que é algo motivador para começar a jornada, embora impere alguma preguiça. Nada como ter uma subida logo à saida do albergue para despertar e resolver esse problema! Saio com a Brigitte, enquanto os outros ficam a acabar o pequeno-almoço, mas rapidamente ela distancia-se, tem outro ritmo e não é benéfico para nenhuma das duas esforçar (eu para acelerar, ela para ir muito mais devagar).

Os primeiros raios de sol começam a surgir, a inundar a vegetação que se vai tornando dourada. Adoro estes momentos! Há uns dias alguém dizia que era “apenas mais um nascer do sol”. Não! São sempre diferentes, conforme a paisagem também vai alterando. É diferente asssitir no bosque entre árvores em que os raios pouco conseguem penetrar, no cimo da montanha ou num terreno descampado e, ainda assim, são sempre belos! E nem o facto de saber que dentro de pouco tempo estarei a “sofrer” com o calor, tira beleza ao momento.

Já quase no topo, chegam os rapazes, Gordon e António, que hoje, parecem não estar com grande pressa, ainda que maioritariamente caminhem à minha frente. Ora param para tirar o casaco, ora deitar o protector solar, ora para outra coisa qualquer, portanto acabo por ir sempre no seu encalce.

Apesar de um ou outro desvio devido a obras, o trajecto tem pouco asfalto, sendo, mais uma vez, agradável para quem tem tanto para caminhar. Gordon, como sempre, caminha por pequenos objectivos, que no seu caso, é sempre o mesmo: o café! Quando chegamos perto de Cañaveral, percebemos que teremos de fazer um desvio para passar na povoação, que não sendo assim tão grande, estamos dispostos a acompanhá-lo. Mas não foi o caso, deixará para outra oportunidade e, assim, mantemo-nos no trilho.

Aos poucos voltamos a ganhar altitude e agora, o calor é quase insuportável (para mim). Há dias num bar comentava com o dono que nunca conseguiria viver ali devido ao calor que se faz sentir e ele respondia “Extremadura = Extrema y Dura. E não é só no Verão (que nos próximos 2 meses ainda piora), o Inverno também é muito rigoroso”. Claro que o ser humano acostuma-se a tudo, mas aqui, a “siesta” faz todo o sentido para fugir às horas de maior pico de calor. Em muitas aldeias quando chegamos, não vemos vivalma, loucos na rua a caminhar, só mesmo os peregrinos!

Junto à Ermita de San Cristóbal fazmos uma pausa e aproveitamos a fonte que ali existe para nos refrescarmos. Ao contrário do Caminho Francês, na Via de la Plata encontramos poucas fontes ao longo do percurso, sendo uma das dificuldades acrescidas, ter de ser prevenido e transportar água suficiente para todo o dia. Ali, bebemos, substituimos a água das garrafas por esta mais fresca, enchemos os nossos chapéus e deitamos água pela cabeça abaixo, na nuca, enfim, no final mais parecia que tinha acabado de tomar banho, soube tão bem!!

Ainda íamos embalados por esta benesse e deparamo-nos à esquerda com uma subida “mini-calvário” (como na 3ª etapa) e à direita uma estradinha normal, sem grande declive. “Não, não pode seguir por ali!”. Seguem-se apostas e, como sempre, aposto na pior, “Ao longo do caminho, se há 2 opções, vai calhar sempre a pior”. :)  Mas depois de passar este obstáculo, o trilho que se segue é um autêntico presente! Passa entre floresta, muitas árvores, sombra e cheiro abundante a pinheiros, que delícia! Foi uma mudança brutal de paisagem e estas novas condições dão-nos novo fôlego. Isso e o facto de começar a descer, o que não tendo grande inclinação, se torna muito cómodo.

À saída do pinhal, descansamos no estacionamento de um hotel de beira de estrada e seguimos desta vez por um bosque, com alguns riachos (com pouco caudal) pelo meio, até chegar a um desvio para o albergue. Que super etapa, com mudanças constantes de paisagem e, embora tão diferentes, todas agradáveis! Este é um daqueles dias em que o contexto influencia a nossa forma de caminhar, reina a boa disposição, houve tempo para aprender músicas de crianças em francês com o António e mantivemo-nos juntos até ao final. Apesar do cansaço normal à chegada, os pés portaram-se melhor do que nos últimos dias, o que também me deixa contente!

Em Grimaldo não há nada a fazer e decido passar a tarde no bar em frente aonde, pouco a pouco, todos se vão juntando. Uns foram e voltaram, a única que permaneceu o tempo todo, foi “moi même”! Só ao final da tarde ganhei coragem para o duche.

Pontos finais: Muitos albergues funcionam apenas da boa vontade dos seus hospitaleiros que se multiplicam nas suas tarefas diárias para conseguirem dar algum apoio (muitos, em troca de nada). A TODOS eles um OBRIGADO GIGANTE, pois, muitas vezes, é um trabalho ingrato e pouco reconhecido.

Etapas Via de la Plata

LivroUm Caminho para Todos – Diário de uma peregrina no Caminho de Santiago, Via de la Plata e Camino Sanabrés

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EN

Stage 16: Embalse de Alcantara – Grimaldo (20,3 km)

(Translation in progress… google translation for now) :\

Awake with less pain than in recent days, which is something motivating to start the journey, although some laziness prevails. Nothing like having a rise just to the output from the hostel to wake up and solve this problem! I leave with a Brigitte, while others are finishing up breakfast, but quickly it distances itself, has another pace and is not beneficial for either endeavor (I to speed, it to go much slower).

The first rays of sun begin to rise, flooding the vegetation that is becoming golden. I love these moments! A few days ago someone said it was “just a sunrise.” No! It’s always different, as the landscape will also changing. It’s different asssitir in the woods between trees in the little rays can penetrate, in the mountains or in a wilderness land, and yet they are always beautiful! And not the fact of knowing that shortly I will be “suffer” with the warmth, beauty takes far.

Almost at the top, come the boys, Gordon and Antonio, which today seem to be in a great hurry, though mostly walk in front of me. Now they stop to take off your coat, now pour the sunscreen, now to something else, so I end up always go to your EnCalcE.

Although one or other diversion due to construction, the route has little asphalt, then, again, nice for those who have much to walk. Gordon, as always, walks by small objectives, which in your case is always the same: coffee! When we got near Cañaveral, we realize that we have to make a detour to spend in the village, not being that great, we are willing to accompany you. But it was not the case, leave for another opportunity and thus keep on track.

Gradually returned to gain altitude and now the heat is almost unbearable (for me). There are days in a bar commented to the owner who could never live there because of the heat that is felt and he replied “Extremadura = Extreme y Dura. Not only in summer (that in the next two months even worse), the winter is also very strict. ” Of course the human being gets used to everything, but here, the “siesta” makes perfect sense to escape the peak hours of peak heat. In many villages when we do not see a soul, crazy on the street walking alone even pilgrims!
Next to the Ermita de San Cristóbal fazmos a break and took the source that there exists to cool ourselves. Unlike the French Way, the Via de la Plata found few sources along the way, one of the greater difficulties, need to be prevented and carry enough water for the whole day. There, we drank, we replace the water bottles by this cooler, we filled our hats and throw water over her head down, neck, finally, at the end looked like he had just showered, felt so good !!
We were still packed by this boon and we found ourselves left with a climb “mini-ordeal” (as in Step 3) and right a normal lane, with little slope. “No, you can not go down there!”. Here are betting and, as always, I bet the worst, “Along the way, if there are 2 options, will always handy to worse.” :) But after spending this obstacle, the trail following is a true gift! Passing between forest, many trees, shade and abundant smell of pine trees, which delight! It was a brutal change of scenery and these new conditions give us new life. That and the fact that start down, which does not have great inclination, becomes very convenient.

On leaving the pine forest, rest in the parking lot of a roadside hotel and followed this time as a forest with some streams (with little flow) in the middle, until you reach a detour to the hostel. That super stage, with constant changes of landscape and although so different, all nice! This is one of those days in which the context influences the way we walk, reigns good mood, there was time to learn songs of children in French with Anthony and we remained together until the end. Despite the usual fatigue on arrival, feet behaved better than in recent days, which also makes me happy!

In Grimaldo there’s nothing to do. I decide to spend the afternoon in the bar opposite where, little by little, everyone will joining. Some went back and forth, the only one who remained all the time, was “moi même”! Only in the evening I got the courage to shower.

Final thoughts: Many hostels operate only on the goodwill of its hospitable that multiply in their daily tasks to get to some support (many, for nothing). ALL them a GIANT THANK therefore is often a thankless and little recognized work.

Stages of Via de la Plata

Book: A Camino for All – A Pilgrim’s Diary on the Camino de Santiago, The Via de la Plata and the Camino Sanabrés

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