Via de la Plata: 15. Casar de Cáceres – Embalse de Alcantara. Os meus convidados / My guests

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Etapa 15: Casar de Cáceres – Embalse de Alcantara (21,8 km)

Durante a noite deu para descansar e recuperar um pouco dos últimos dois dias, por isso, começo o dia animada. À saída do albergue, vejo o Pepe num bar a beber o café da manhã. Decido ir andando, pois rapidamente ele me apanhará.

O início de etapa é plano e rectilíneo, passando por várias quintas, algumas com gado a pastar. Embora não seja uma paisagem deslumbrante, é agradável, pelo menos a esta hora da manhã, enquanto ainda está fresco, já que é mais um caminho quase sem sombras. Pepe, apesar de ter um passo mais acelerado, fica a acompanhar-me durante toda a manhã. É uma oportunidade de conhecer um novo peregrino e praticar o espanhol (entenda-se portiñol) de forma mais intensiva, já que tenho praticado mais o inglês e francês nos últimos dias. Fazer o caminho além de todos os incontáveis benefícios, também pode ser um curso de línguas em andamento e isso entusiasma-me!

Ao fim de cerca de 12 km, numa das quintas  com um espaço simpático para descanso, tanto por ter sombra, como muitas pedras para servirem de banco, decidimos parar. Aos poucos vão chegando todos os outros peregrinos, aproveitando alguns para descansarem também. Uma bela pausa matinal onde reina a boa disposição!

Continuamos o percurso e em breve surgem desvios (nem sempre devidamente sinalizados) devido à construção de uma ponte. Os próximos 7 km são sobre o asfalto, mas ainda assim, a paisagem é bonita. Os pés por esta altura já estão KO e decido parar para descansar, Pepe continua.  Avanço mais um pouco e encontro um grupo de 3 peregrinas japonesas decidindo fazer nova paragem. A comunicação não é fácil, já que apenas uma delas, a Takako, fala um pouco de inglês e um pouco de espanhol. Caminhamos os últimos 3 km juntas, cruzamos a ponte sobre o Tejo e a certa altura surge uma dúvida sobre a direcção a seguir, não sendo claro nenhum dos guias que temos. Devo ter feito uma cara de desespero com a hipótese de nos enganarmos e implicar caminhar mais tempo desnecessariamente e só me apercebo quando a Takako vem abraçar-me e diz “Nós.. juntas… Nós.. juntas”. Este gesto inesperado foi tão revitalizante que esqueço os pés, o calor, o cansaço e sigo com novo fôlego. Quando em menos de 10 minutos vemos a indicação para o albergue, fazemos grande festa as 4!

O albergue localiza-se a meio quilómetro da estrada, distante de tudo, tendo o embalse (reservatório artificial de água) ao seus pés. O sítio é de uma paz e beleza sem igual ao longo deste caminho, os hospitaleiros super simpáticos e prestativos e o espaço com muito boas condições.

Após a chegada descanso um pouco, como vem sendo hábito, mas hoje, apesar do cansaço, sinto-me um pouco melhor. Do quarto ouço vozes familiares, chegaram o Gordon, a Brigitte e o António e vou recebê-los. Parece que não os vejo há uma eternidade! Apercebo-me dalguma tensão entre o António e a Brigitte. Nos últimos dias, já tinham surgido alguns comentários menos agradáveis e a empatia entre eles já não era tanta, mas nestas últimas 24 horas tinha diminuído drasticamente. Como se não bastasse, os elementos agregadores do grupo tinham ido embora, portanto, calculo que nos próximos 2 a 3 dias o “grupo” deixará de o ser, perdendo algum dos elementos ou até todos, seguindo cada um à sua conta. Tento não me deixar “contaminar” e aproveitar o momento apenas.

Apesar deste incidente, a tarde é magnífica! Parece que estou na minha casa a receber os convidados que vão chegando aos poucos. Conheço a grande parte das pessoas que irão pernoitar aqui (vantagem de se caminhar devagar e cruzar com muitos peregrinos) e como não há nada para se fazer, só resta mesmo conviver! Ainda tento escrever um pouco, mas aparece sempre alguém que se senta à mesa para dois dedos de conversa e acabo por desistir.

Vou dormir a transbordar, imensamente grata por todas as partilhas aqui vividas, por este ambiente, por tudo. Não há palavras para descrever este dia!

Etapas Via de la Plata

LivroUm Caminho para Todos – Diário de uma peregrina no Caminho de Santiago, Via de la Plata e Camino Sanabrés
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EN

Stage 15: Casar de Cáceres – Embalse de Alcantara (21,8 km)

(Translation in progress… google translation for now) :\

Overnight gave to rest and recover a bit the last two days, so start the lively day. Just outside the hostel, I see Pepe in a bar to drink morning coffee. I decide to get going as quickly he will catch me.

The early stage is flat and straight, passing several farmhouses, with some cattle grazing. While not breathtaking scenery is pleasant, at least at this time of morning, while still fresh, as is another way almost without shadows. Pepe, despite having a more accelerated pace, is to accompany me all morning. It’s a chance to meet a new pilgrim and practice Spanish (meaning portiñol) more intensively, since I have practiced over the English and French in recent days. Make way beyond all the countless benefits, it can also be a language course in progress and that excites me!
After about 12 km, in the fifth with a friendly space to rest, both have shade, as many stones to serve as a bank, we decided to stop. They are slowly coming all the other pilgrims, drawing some to rest as well. A beautiful morning break where reigns good mood!

We continue the route and will soon appear deviations (not always properly signed) by the construction of a bridge. The next 7 km are on asphalt, but still, the landscape is beautiful. Feet by now are KO and decide to stop to rest, Pepe continues. Advance some more and encounter a group of 3 Japanese pilgrims deciding to make new stop. Communication is not easy, since only one of them, Takako, speaks some English and some Spanish. We walk the last 3 km together, crossed the bridge over the Tagus and at one point there arises a doubt about the direction to follow, it is not clear any of the guides we have. I must have made a face of despair with the hypothesis deceive ourselves and involve walking longer unnecessarily and I realize only when Takako come hug me and say, “We together .. … .. We together.” This unexpected gesture was so invigorating that I forget the feet, heat, tiredness and follow with new life. When in less than 10 minutes we see the sign for the hostel, we do big party the 4!
The hostel is located half a kilometer of the road, away from everything, and the dam (artificial water reservoir) to his feet. The site is a unique peace and beauty along the way, the friendly, helpful and hospitable super space with very good condition.

Upon arrival rest a little, as has been usual, but today, despite the fatigue, I feel a little better. The room I hear familiar voices, Gordon arrived, Brigitte and Antonio and I will receive them. Apparently not seen them for an eternity! I realize dalguma tension between Antonio and Brigitte. In recent days they had already arisen some less nice comments and empathy between them was no longer so, but in these last 24 hours had decreased dramatically. If nothing else, aggregators members of the group had left, so I estimate that in the next 2-3 days, the “group” cease to be losing some of the elements or even all, following each with your account. I try not to let me “contaminate” and enjoy the moment only.

Despite this incident, the afternoon is wonderful! It feels like I’m in my house to welcome guests who are arriving slowly. I know most of the people who will spend the night here (advantage of walking slowly and come across many pilgrims) and as there is nothing to do, we can only live it! I still try to write a little, but appears always someone sitting at the table for a chat and end up quitting.

I sleep to overflow, immensely grateful for all the shares lived here, in this environment, everything. There are no words to describe this day!

Stages of Via de la Plata

Book: A Camino for All – A Pilgrim’s Diary on the Camino de Santiago, The Via de la Plata and the Camino Sanabrés

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