Via de la Plata: 14. Valdesalor – Casar de Cáceres. Reencontros / Re-encounters

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Etapa 14: Valdesalor – Casar de Cáceres (22,8 km)

 Esta manhã acabamos todos por sair do albergue mais ou menos à mesma hora rumo a Cáceres, mas ao longo do trajecto as distâncias entre nós vão aumentando. Como está tudo fechado a esta hora da manhã (7h), o café fica marcado para a entrada de Cáceres, a cerca de 11 km de distância.

Apesar do percurso durante os primeiros 4 km acompanhar a Estrada Nacional (N-630), não é de todo desagradável, pior mesmo é ser a subir e com pedra solta. Chegados ao cimo, Puerto de las Camellas, passamos junto a um vasto terreno pertencente ao Regimento Militar e no horizonte,  em baixo, Cáceres.

Como em todas as entradas das grandes cidades, conforme nos vamos aproximando, o caminho torna-se cada vez menos agradável pela natureza que desaparece para dar lugar aos grandes armazéns que abastecem a comunidade. O ponto escolhido para descanso é um café de berma de estrada junto a uma bomba de gasolina. Noutro contexto, nenhum de nós teria sequer se lembrado desta opção, mas aqui, no Caminho, estes lugares ganham todo um novo encanto! Tiramos uma última foto de grupo, seguimos para a estação de autocarros, onde o JB e o Joël vão comprar os bilhetes para o dia seguinte e continuamos até o centro da cidade. Todos eles vão procurar o Hostal onde pernoitam (após os festejos), eu seguirei o caminho. Despedimo-nos e nesse momento aparece Angél e Miguel. Dizem que vão comer algo por ali perto e depois poderemos seguir juntos. Não houve marcação de uma hora nem de um lugar concreto e, claro, numa cidade com estas dimensões e movimento, acabou por haver desencontro. Ainda andei de um lado para o outro a espreitar todos os cafés e não os vi em lado nenhum. Enfim, decido retomar o caminho chateada por provavelmente os ter empatado por estarem à minha espera algures, por não ter descansado um bocado, por não ter conseguido contactar o Frank (que tinha conhecido nas primeiras duas etapas) como havíamos combinado, por nem ter encontrado um supermercado para abastecer. Ao passar na Plaza Mayor, vejo Heike e Karin num café ao longe e aceno. Continuo a atravessar a praça e oiço alguém gritar “LUISAAAAAA”. É o Frank e a sua esposa, que por  acaso estavam por ali a passar naquela hora e o reencontro sempre ocorre! (Dois dias mais tarde a Karin, diz ter uma foto minha tirada à paparazzi… sem saber fotografou este momento e fez-me sorrir!)

Mais animada agora entro numa mercearia e compro água bem fresca e um chocolate e mais à frente, junto à Praça de Touros, páro para mudar a água que tinha no reservatório para esta fresquinha. Nisto, aparece o pessoal com má cara (Angél, Miguel, Paolo, Chris e Mark) por tê-los feito esperar e depois ter seguido o caminho. Mal-entendidos resolvidos, seguimos juntos por um bocadinho.

Até Casar de Cáceres, uma parte é feita sobre o asfalto e outra num percurso paralelo à estrada, sem sombras e muito, muito calor! Se até Cáceres tinha chegado relativamente bem, esta segunda parte do percurso, tal como ontem, foi apenas penosa!

Quando cheguei, o albergue estava cheio, havia apenas um colchão livre, no andar de cima do beliche. Subir estava fora de questão, ninguém se mostrou minimamente interessado em fazer mudanças, por isso, coloco o colchão no chão, mas como o espaço livre era reduzido, não permitia passagem das pessoas por aquele quarto. Saio por momentos a ver todos os cantinhos e encontro o pequeno quarto de arrumações para o material de limpeza. Perfeito! As minhas últimas energias permitem-me apenas arrastar o colchão até lá, estender o lençol-cama e deitar-me. Estou em péssimo estado, com dores e sem disposição para nada, o duche terá de ficar para mais tarde. Demoro a encontrar uma posição confortável e quando finalmente estou quase a adormecer, Angél aparece, tinha andado à minha procura para avisar que a hospitaleira chegou e abriu um novo quarto com beliches, até então fechado à chave. Não me consigo mexer, apenas os olhos fazem sinal que captei a mensagem, mas nenhum músculo faz tenção de se mover. Ele insiste, diz que ajuda a levar as coisas para o outro lado. A hospitaleira, entretanto, também aparece, “Niña!”, admirada por me ter ocorrido a ideia de dormir ali. Enfim, levanto-me e aterro na nova cama, completa e profundamente, com o cansaço a ganhar dez a zero.

Acordo mais tarde, bem mais tarde, com o Paolo a falar muito alto, “Desculpa se te acordei, mas tenho de falar assim para me conseguir fazer ouvir.” “Oh, fiz assim tanto barulho? Dormi que nem uma pedra.” “Notou-se.” Tudo isto dito com o bom humor característico dele, fez-me levantar mais bem-disposta e finalmente sair da cama. Mais tarde aproveito para ir ao supermercado e encontro-os todos no bar em frente, acabo por me juntar também e, ao final do dia, vamos jantar a um restaurante. Desde que saí de Sevilla foi o dia que mais comi (o típico menú do peregrino com primeiro e segundo prato e sobremesa), uma excepção, mas que soube muito bem, pela qualidade e companhia!

À chegada ao albergue, no “nosso” quarto, além de nós, estava apenas mais um peregrino, o Pepe, de Málaga, que rapidamente se entrosou no grupo e gerou momentos de boa disposição antes de adormecermos.

Pontos finais: Quando não se está bem fisicamente, os dias tornam-se difíceis, muito, como o de hoje, por exemplo. Mas ainda assim, em nenhuma altura pus em questão continuar ou sequer pensar “Mas que raio estou eu aqui a fazer?”. Nunca! Sei que faz parte e acaba por passar. Encontrar companheiros de caminho como os que tenho encontrado ajuda bastante! Ao final do dia, o convívio é uma forma de descomprimir, distrair, não focar no que está menos bem e ajuda a manter a boa disposição e motivação para continuar. Por mais que se ande, se conheçam povoações ou histórias, este é um caminho de pessoas e, por isso, tão marcante e gratificante!

Etapas Via de la Plata

LivroUm Caminho para Todos – Diário de uma peregrina no Caminho de Santiago, Via de la Plata e Camino Sanabrés

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EN

Stage 14: Valdesalor – Casar de Cáceres (22,8 km)

(Translation in progress… google translation for now) :\

This morning we just all to leave the hostel at about the same time towards Cáceres, but along the way the distances between us are increasing. How everything is closed on Sunday morning (7 am), breakfast is scheduled for the entry of Caceres, about 11 km away.

Although the route during the first 4 km follow the National Highway (N-630), it is not at all unpleasant, even worse is to be the rise and loose rock. Having reached the top, Puerto de las Camellas, passed along a vast land belonging to the Military Regiment and on the horizon, below, Cáceres.

As with all entries of large cities, as in we approach, the path becomes less and less pleasant by nature disappearing to make way for large warehouses that supply the community. The point chosen for rest is a road curb of coffee next to a petrol station. In another context, none of us even have remembered this option, but here, the Way, these places make a whole new charm! We took a last picture group, we went to the bus station, where JB and Joël will buy tickets for the next day and continue into the center of town. All of them will look for Hostal where overnight (after the festivities), I will follow the path. We said goodbye and that time appears Angél and Miguel. They say they will eat anything for nearby and then we can go together. There was no marking of a time or a specific place and of course, in a city of this size and motion, turned out to be mismatch. Even walked from one side to the other to peek all the cafes and did not see them anywhere. Anyway, I decide to return to the path upset that probably have tied because they are waiting for me somewhere, not having rested a bit, for failing to contact Frank (who had met in the first two steps) as we had agreed, for not having found a supermarket to stock up. By passing the Plaza Mayor, I see Heike and Karin a cafe in the distance and nod. I still cross the square and I hear someone yell “LUISAAAAAA”. Is Frank and his wife, who happened to pass by there at that time and the reunion ever happens! (Two days later Karin says having my picture taken … without knowing the paparazzi photographed this moment and made me smile!)
More lively now enter a grocery store and buy good fresh water and a chocolate and beyond, near the Bullring, I stop to change the water in the reservoir had to this chilled. In this, the staff appears bad guy (Angél, Miguel, Paolo, Chris and Mark) for having made them wait and then have gone the way. Misunderstandings resolved, follow together for a little while.

Until Casar de Cáceres, a part is made on the asphalt and the other in a parallel path to the road, without shadows and very, very hot! Until Cáceres had arrived relatively well, this second part of the route as yesterday, it was just painful!

When I arrived, the hostel was full, there were only a free mattress upstairs bunk. Climb out of the question, no one showed minimally interested in making changes, so I put the mattress on the floor, but as the space was small, did not allow passage of people for that room. I go out for a moment to see all corners and against the small cupboard room for cleaning supplies. Perfect! My last energies allow me just drag the mattress there, extend the sheet bed and lie down. I’m in bad shape, with aches and unwilling to nothing, the shower will have to wait until later. It takes me to find a comfortable position and when finally I’m about to fall asleep, Angél appears, had been looking for me to warn that the hospitable arrived and opened a new room with bunk beds, hitherto locked up. I can not move, only the eyes do sign that caught the message, but no muscle will undertake to move. He insists, he says it helps to take things to the other side. The hospitable, however, also appears, “Niña”, admired by me have been the idea of sleeping there. Anyway, I get up and fill in the new bed, full and deep, with fatigue to win ten to zero.

According later, much later, with Paolo talking too loud, “Sorry to wake you, but I have to talk like that to get me to listen.” “Oh, I did so much noise? I slept like a rock. “” It was noted. “All this said with the good characteristic humor of it made me lift more good-natured and finally get out of bed. Later I take to go to the supermarket and find them all at the bar in front, I end up joining me too and at the end of the day, we’re having dinner at a restaurant. Since I left Sevilla was the day I ate more (the typical pilgrim’s menu with first and second course and dessert), an exception, but he knew very well, the quality and company!

Upon arrival at the hostel, in “our” room but us, it was just another pilgrim, Pepe, Malaga, which quickly mingled in the group and generated moments of good humor before you fall asleep.

Final thoughts: When one is not physically well, the days become difficult, much like today, for example. But still, at no time put in question continue or even think “What the hell am I doing here?”. Never! I know that is part and eventually pass. Find traveling companions as I have found helps a lot! At the end of the day, the living is a way to decompress, distracted, not focus on what is less well and helps keep the willingness and motivation to continue. However much you walk, get to know towns or stories, this is a way of people and therefore so remarkable and rewarding!

Stages of Via de la Plata

Book: A Camino for All – A Pilgrim’s Diary on the Camino de Santiago, The Via de la Plata and the Camino Sanabrés

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2 thoughts on “Via de la Plata: 14. Valdesalor – Casar de Cáceres. Reencontros / Re-encounters

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