Via de la Plata: 13. Alcuéscar – Valdesalor. Jantar de despedida / Farewell dinner

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Etapa 13: Alcuéscar – Valdesalor (25,7 km)

Desperto cedo com o reboliço dos madrugadores que vão entrando e saindo do quarto para irem à casa-de-banho. Quando vêem que dormi no sofá, perguntam se está tudo bem. Claro que sim, deu para matar saudades. :)

O “grupo” (António, Gordon, JB, Joël, Brigitte e eu) sai todo à mesma hora, mas enquanto eles vão tomar o pequeno-almoço ao bar, eu que já despachei essa tarefa, prefiro começar  a andar. No geral, até gosto de estar acompanhada, mas esta primeira hora matinal, enquanto os motores aquecem e está fresco, sabe-me mesmo bem estar em silêncio e ao meu ritmo.

Esta etapa, principalmente a parte inicial é agradável, primeiro passando entre terrenos com oliveiras, depois noutros mais verdes com rebanhos a pastarem. Cada dia fico mais surpreendida com a Via de la Plata pelas paisagens, pelo verde (esperava que estivesse tudo seco devido ao calor, conforme inúmeras fotografias que tinha visto), pelo bom ambiente, tudo! Talvez viesse com as expectativas baixas, mas ainda bem, assim cada dia é uma agradável surpresa!

Acabamos por nos reunir todos à entrada de Casas de Don Antonio para uma breve pausa e lanche. Até agora consegui caminhar bem, mas hoje, os pés começam a ficar em esforço bem mais cedo, o que não antecipa um cenário auspicioso.

Até à Aldea del Cano, a próxima paragem, encontramos alguns miliários (colunas cilíndricas ou paralelipípedas que se colocavam na margem das estradas romanas para indicar as distância a cada mil passos, milha romana, que equivale aproximadamente a 1480 metros) e cruzamos uma ponte romana sobre o riacho de Santiago. Para chegar até à povoação, é necessário fazer um desvio de meio quilómetro, mas todos acedemos percorrer esses passos extra: uns para tomar café, outros irem ao WC, outros apenas para beber algo fresco ou comer. Esta pausa mais prolongada soube tão bem! Os meus pés estavam piores (e ainda íamos no quilómetro 15) e o calor fazia-se sentir com intensidade. Enchemos as garrafas de água e deitamos uma parte pela cabeça abaixo, era urgente refrescar!

É com relutância que volto a partir, mas não há outra opção. A partir daqui cada um segue ao seu ritmo, sendo as distâncias entre nós cada vez maiores e eu, como sempre, vou mais atrás. Nesta zona a vegetação é rasteira, vêem-se poucas árvores e há muito gado a pastar. Vamos avançando, por vezes tendo de cortar o rebanho a meio sobre o olhar atento dos cães-guarda, mas como os pastores estão por perto, não há problema. Aos poucos, o cenário vai alterando, começa-se a subir, existem mais algumas árvores, mas não dá para aproveitar a sua sombra. O percurso, como muito bem classifica o guia é um “trazado rompe piernas”. Em desespero avanço apenas para buscar uma sombra onde possa descansar um pouco e assim que encontro uma, vejo dois peregrinos, Gordon e Joël. Incrível a diferença de temperatura naquele pequeno espaço. Continuamos juntos durante os próximos quilómetros, mas quando já se avista Valdesalor ao longe, eles avançam e eu tenho de fazer uma nova pausa. Ali não havia sombra alguma, mas era uma emergência. Que desespero, porque não existe teletransporte?! Para mim, ver a meta ali à frente, mas saber que ainda falta uma hora para lá chegar é o pior. Prefiro quando surge de surpresa, como Hontanas, por ex., no Caminho Francês.

Finalmente chego ao albergue, logo na entrada de Valdesalor. Guardaram-me uma cama, não que houvesse falta de espaço, mas para garantir que ficava no andar de baixo, mais um mimo! A única coisa que consigo fazer é tirar as sapatilhas e deitar-me na cama, tudo o resto ficará para depois. As dores nos pés são imensas, demoro muito tempo até conseguir arranjar uma posição confortável e mal isso acontece, caio num sono profundo. A siesta dura cerca de meia hora, mas é o suficiente para recuperar alguma energia. Os pés levarão muito mais tempo a se restabelecerem.

Nesta povoação não há muito a fazer e de tarde está tudo fechado. Esperamos, por isso, pelo final do dia para ir à mercearia, sendo todo o tempo passado à volta de uma mesa no bar em frente do albergue. A vantagem de estar numa localidade assim é proporcionar o convívio entre todos e como não estamos assim tantos (cerca de 15), é como uma grande família. Volto a rever o Angél que tinha conhecido ontem e os seus colegas, Miguel (espanhol), Chris e Mark (holandeses) e Paolo, italiano, um grupo muito divertido, com quem viria a caminhar no dia seguinte.

O jantar acabou por ser o prolongamento do dia, à volta da mesa, apenas mudando de cadeira. Juntaram-se a Heike e a Karen, a temperatura arrefeceu e tivemos um serão muito agradável. Nunca me deixo de surpreender, é incrível como esta experiência une pessoas tão diferentes num tão curto espaço de tempo! Amanhã ainda caminho até Cáceres com eles, por isso não me sabe verdadeiramente a despedida. De volta ao albergue, do outro lado da rua, ainda houve tempo para tratamentos, (sobretudo da Karen que tinha bolhas, mas fazia-lhe muita impressão tratá-las. JB, médico e o Joël numa espécie de enfermeiro, resolvem a situação perante as suas caretas que tornam o cenário hilariante), para um chá e muita risota antes de adormecermos todos.

Pontos finais: Para quem só vê as fotografias, é fácil cair no erro de parecer que tudo é festa e convívio. Também o é, felizmente, mas há partes ou dias que custam muito, mesmo que lá estejamos por livre iniciativa. Estes dois pratos da mesma balança dão o equilíbrio e a motivação para continuar e ajudam a que tudo isto faça (ainda mais) sentido.

Etapas Via de la Plata

LivroUm Caminho para Todos – Diário de uma peregrina no Caminho de Santiago, Via de la Plata e Camino Sanabrés

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EN

Stage 13: Alcuéscar – Valdesalor (25,7 km)

(Translation in progress… google translation for now) :\

 Early waking with the turmoil of the early birds who go in and out of the room to go to the en-suite. When they see that I slept on the couch, ask if it’s okay. Of course, you could relive memories. :)

The “group” (Anthony, Gordon, JB, Joël, Brigitte and I) go out all at the same time, but while they will take the breakfast at the bar, I already dispatched this task, I prefer to start walking. Overall, to enjoy being together, but this first early hour, while the engine heat and is cool, you know me very well be silent and at my own pace.

This step, especially the first part is nice, first passing between land with olive trees, then other greener with flocks to graze. Every day I am more surprised by the Via de la Plata by the landscapes, the green (hoped he was all dry due to heat, as numerous photographs he had seen), the good atmosphere, everything! It may come with low expectations, but still good, so every day is a pleasant surprise!

We ended up all together in the Don Antonio Homes entry for a short break and snack. So far I could walk well, but today, the feet start to get in effort much earlier, which does not anticipate an auspicious setting.

To Aldea del Cano, the next stop, we found some milestones (cylindrical columns that were placed on the edge of the Roman roads to indicate the distance every mile, Roman miles, which is approximately 1480 meters) and cross a Roman bridge over the stream of Santiago. To get to the village, you must do a half-kilometer detour, but all go we access these extra steps: one for breakfast, others go to the toilet, others just to drink or eat something fresh. This pause longer felt so good! My feet were worse (and still going at kilometer 15) and the heat was felt with intensity. We filled water bottles and throw a party for the head down, was urgent refreshing!

It is with reluctance that I return from, but there is another option. From here everyone goes at their own pace, and the distances between us bigger and I, as always, will further back. In this area the vegetation is creeping, one sees few trees and a long cattle to graze. Go along, sometimes having to cut the herd in the middle on the look of the dogs-guard, but as pastors are nearby, no problem. Gradually, the scene will changing, begins to rise, there are some trees, but you can not enjoy your shadow. The route, as well classifies the guide is a “trazado breaks piernas”. In desperation advance just to get a shade where you can get some rest and so I find one, I see two pilgrims, Gordon and Joël. Amazing the temperature difference that small space. We continue together over the next kilometers, but when you can observe Valdesalor the distance, they advance and I have to make a new break. There was no shade at all, but it was an emergency. That despair, because there is no teleportation ?! For me to see the goal ahead there, but knowing that there is still an hour to get there is the worst. I prefer when there is a surprise, as Hontanas, eg., In the French Way.

Finally I get to the hostel, just on Valdesalor entry. Hold Me a bed, not that there was lack of space, but to ensure that was downstairs, plus a treat! The only thing I can do is take off the shoes and lie down in bed, everything else will be for later. Pain in the feet are huge, it takes me a long time before being able to find a comfortable position and evil that happens, I fall into a deep sleep. The siesta lasts about half an hour, but it is enough to regain some energy. The feet will take much longer to restore.

In this town there is much to do and afternoon everything is closed. We hope, therefore, the day of the final to go to the grocery store, and all the time spent around a table in the bar in front of the hostel. The advantage of being in a place like this is to provide the interaction between all and how we are not so many (about 15) is like a big family. Back to review the Angél he had met yesterday and his colleagues, Miguel (Spanish), Chris and Mark (Dutch) and Paolo, an Italian, a very fun group, who would walk the next day.

The dinner turned out to be the prolongation of the day, around the table, just changing chair. Joined Heike and Karen, the temperature cooled and had an evening very enjoyable. I never cease to amaze me, it’s amazing how this experience unites so many different people in such a short time! Tomorrow still some way to Cáceres with them, so I do not know truly the farewell. Back at the hostel across the street, there was still time for treatments (especially Karen who had blisters, but made him much impression treat them. JB, medical and Joël a kind of nurse resolve the situation before their faces that make the hilarious scene), for a tea and a lot of risota before we fall asleep all.

Final thoughts: For those who only see the photos, it is easy to fall in the opinion of error that everything is partying and socializing. So is, thankfully, but there are parts or days that cost a lot, even if we are there for free enterprise. These two dishes of the same scale give balance and motivation to continue and help this all makes (more) sense.

Stages of Via de la Plata

Book: A Camino for All – A Pilgrim’s Diary on the Camino de Santiago, The Via de la Plata and the Camino Sanabrés

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