Via de la Plata: 12. Aljucén – Alcuéscar. Dia da Mãe / Mother’s Day

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Etapa 12: Aljucén – Alcuéscar (20 km)

Esta manhã Brigitte pergunta se me incomodo que caminhemos juntas. Claro que não! Faz questão de oferecer um chá enquanto toma o pequeno-almoço no bar da povoação. Assim que terminamos estão os rapazes a chegar, mas como ainda vão comer algo, decidimos partir. Para mim está a temperatura ideal para caminhar, o fresco da manhã, a puxar para o frio, para ela, está muito frio e nem com o chá e as 2 camisolas de manga comprida, se sente confortável. Alguma vantagem teria de haver por ter toda esta gordura! No frio (se não for exagerado, passo bem e, para caminhar, não há melhor, sempre de manga curta), no calor, é um desespero!

Após um pouco de asfalto, entramos no Parque Natural de Cornalvo y Sierra Bermeja, tornando esta etapa muito agradável de percorrer, embora o dia de hoje seja sempre a ganhar altitude. Entre um caminho de terra, atravessamos o bosque e passamos entre alguns terrenos onde pastam vacas. Encontramos Heike e Karen sentadas numas pedras a tomar o seu lanche da manhã. Elas caminham sempre as duas, num estilo muito próprio, sem pressas, admirando tudo à volta, até os mais pequenos pormenores. Nós cumprimentamos, seguimos caminho e pouco depois chegam os rapazes. Paramos mais à frente, junto a um riacho onde se tinha formado um laguinho, sendo aproveitado pelo JB para refrescar os pés. Impressiona-me como ele caminha sempre de sandálias, seja qual for o tipo de terreno e eu, com sapatilhas adequadas, à mínima pedrinha que entra, tenho de parar para tirá-la ou haverá bolha na certa!

O sol agora já aquece e, conforme vamos ganhando altitude, a vegetação torna-se mais rasteira, embora as flores e as silhuetas das montanhas em frente tornem a paisagem muito bonita. É tão bom poder ter etapas como esta! Caminhamos relativamente próximos, se bem que nem sempre lado a lado, servindo as paragens para descanso /lanche para reagrupar o grupo. Estou contente pelos pés terem dado um pouco de tréguas durante a maior parte da etapa, sendo “apenas” os últimos 6 km mais custosos.

Tinham-nos avisado em Aljucén para estar alerta já que no final do dia de hoje iríamos ver uma “guerra de setas”. Na verdade, setas não vimos, apenas borrões amarelos de setas continuamente apagadas. É a história comum a tantos outros pontos do Caminho, principalmente o Francês, em que os comerciantes, sejam por ter albergues privados ou bares, tendem a marcar o seu caminho levando o peregrino ao engano. Se por vezes estes desvios são de apenas alguns metros, noutros casos implicam alguns quilómetros. É desonesto, é revoltante, é triste! Felizmente, desta vez estávamos precavidos e não houve espaço a enganos.

A tarde em Alcuéscar foi aproveitada para fazer a ronda dos bares. Havia duas opções, ou ficar (literalmente) fechado dentro do albergue durante 2 horas (diariamente as portas são trancadas durante a siesta) ou fazer o reconhecimento da zona. Eu, Brigitte, Gordon e JB optamos pelo exterior.

Este albergue está inserido numa casa de religiosos, Comunidade dos Escravos de Maria e dos pobres e, ao lado, tem outro edifício onde se encontram algumas dezenas de pessoas internadas com necessidades várias.

Ao final do dia, na capela, havia missa e decido aproveitar, assim como muitos outros peregrinos. Quando terminou, o Padre esperou que os utentes e outros presentes saíssem e chamou os peregrinos para o banco da frente. Inicialmente falou sobre o é ser peregrino e o acto de peregrinar, quis saber as nacionalidades e juntar as pessoas que precisavam de tradução, já que ele só falava espanhol. A meio do seu discurso, o telemóvel do Angél, espanhol que estava ao meu lado, tocou e a sua atrapalhação e a benevolência do idoso sacerdote fizeram-me rir. “Niña, nunca percas esse sorriso.” Riso esse que não durou muito, pois o discurso dele mudou para a celebração do dia da Mãe e além das palavras certeiras, olhava-me nos olhos. Ao longo do dia já me tinha lembrado da minha mãe, que já partiu, mas ali, por todo o ambiente, foi diferente, mais intenso. Baixei a cabeça, a Brigitte, a única que compreendeu, agarrou-me o braço com força. Terminado o encontro, despeço-me do Padre, agora com os olhos inchados, mas ele impávido repete “Niña, nunca percas esse sorriso.”

Voltamos ao pátio, chamam-nos para ir para o refeitório, será um jantar em comunidade entre peregrinos. Fico para trás, pois vejo do lado oposto um sacerdote a segurar numa imagem de Nossa Senhora de Fátima. Afasto-me e vou cumprimentar a Mãe. Ali, em Alcuéscar, há uma capelinha dedicada a Nossa Senhora de Fátima, tinham-me dito quando cheguei, mas sendo um pouco fora de zona, não houve atrevimento para lá ir. Pois bem, tinha Ela vindo até ali. :)

Depois do jantar, todos ajudam a arrumar o salão e a cozinha, subimos para o piso do albergue e ficamos um pouco a conviver na sala antes de ir dormir. Quando todos já estavam deitados, peguei no meu lençol-cama e fui dormir para o sofá, que saudades de dormir num sofá! (Só pode perceber isto, quem gosta realmente de dormir em sofás e viu-se privado de um durante muito, muito tempo.) :)

Etapas Via de la Plata

LivroUm Caminho para Todos – Diário de uma peregrina no Caminho de Santiago, Via de la Plata e Camino Sanabrés

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EN

Stage 12: Aljucén – Alcuéscar (20 km)

(Translation in progress… google translation for now) :\

This morning Brigitte question if bother us to walk together. Of course not! It is keen to provide a tea while having breakfast at the bar of the village. Once we finished the boys are coming, but how they will still eat something, we decided to leave. For me it is the ideal temperature for walking, the cool morning, pulling in the cold, for her, it’s too cold and not with tea and two sweaters with long sleeves, feels comfortable. Some advantage would be to have all this fat! In the cold (if not exaggerated, step well and to walk, there is no better, always short-sleeved), in the heat, is a desperation!

After a bit of asphalt, we entered the Cornalvo Natural Park of Sierra Bermeja y, making it very pleasant to walk step, although the day is always to gain altitude. Between a dirt road, we cross the forest and pass between some land where cows graze. Find Heike and Karen sat some rocks to take your snack in the morning. They always go the two in a very unique style, unhurriedly, admiring all around, even the smallest details. We greet, we followed path and soon reach the boys. We stopped ahead, next to a creek where it had formed a pond, being taken advantage of by JB to refresh your feet. Impresses me as he always walks sandals, whatever the type of terrain and I, with appropriate shoes, the minimum pebble that goes, I have to stop to get it or will bubble in the right!

The sun warms and now, as we gain altitude, the vegetation becomes more undergrowth, although the flowers and silhouettes of the mountains in front make the beautiful landscape. It’s so good to have steps like this! Walk relatively close, although not always side by side, serving the stops for rest / snack to rally group. I’m glad the feet have given a little respite for most of the stage, with “only” the last 6 km more costly.

They had been warned in Aljucén to be alert since the end of today’s day would see a “war arrows”. In fact, arrows have not seen, only yellow blots continuously erased arrows. It is a common story to so many other parts of the path, especially the French, in which marketers, whether to have private hostels or bars tend to mark your path leading to the pilgrim mistake. If these deviations are sometimes only a few meters in other cases involving some kilometers. It is dishonest, it’s disgusting, it’s sad! Fortunately, this time we were cautious and there was no room for mistakes.
The afternoon Alcuéscar was used to make the rounds of the bars. There were two options, or getting (literally) closed within the hostel for 2 hours (every day the doors are locked during the siesta) or to recon the area. I, Brigitte, Gordon and JB chose the outside.

This hostel is set in a religious house of the Community of Slaves Mary and the poor and, next door, has another building where a few dozen people hospitalized with various needs.

At the end of the day, in the chapel, there was Mass and decide to take advantage of, as well as many other pilgrims. When finished, Father waited for users and other leave and called the Pilgrims to the front seat. Initially talked about is to be a stranger and the act of pilgrimage, wondered nationalities and bring people in need of translation, since he only spoke Spanish. In the middle of his speech, the phone Angél, Spaniard who was beside me, and touched his embarrassment and the elderly priest kindness made me laugh. “Niña never lose that smile.” Laughter one that did not last long because his speech moved to Mother’s Day celebration and beyond well-aimed words, looked me in the eye. Throughout the day I had reminded me of my mother, who is gone, but there, on the whole environment was different, more intense. I lowered my head, Brigitte, the one who understood, grabbed my arm tightly. After the meeting, I bid farewell unto the Father, now with puffy eyes, but undaunted he repeats “Niña never lose that smile.”
We returned to the yard, call us to go to the cafeteria, will be a dinner at community among pilgrims. I’m back because I see the opposite side a priest holding an image of Our Lady of Fatima. I walk away and I will greet the mother. There, in Alcuéscar, there is a chapel dedicated to Our Lady of Fatima, had told me when I arrived, but being a little out of area, there was no boldness to go there. Well, she had come so far. :)

After dinner, all help to tidy the room and the kitchen, we went up to the hostel floor and we were a bit to live in the room before going to sleep. When everyone was lying, I took on my bed sheet and went to bed to the couch, I miss sleeping on a sofa! (You can only realize this, who really likes to sleep on sofas and was deprived of for a long, long time.) :)

Stages of Via de la Plata

Book: A Camino for All – A Pilgrim’s Diary on the Camino de Santiago, The Via de la Plata and the Camino Sanabrés

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