Via de la Plata: 11. Mérida – Aljucén. Gerações diferentes / Different generations

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Etapa 11: Mérida – Aljucén  (15,9 km) + 4 km

Hoje opto novamente por uma etapa mais curta, já que ontem, com a visita à cidade e o calor insuportável, acabaram por me sugar energias extras. Assim, será dia de despedida, pois o Yves fará uma etapa mais longa. A esta altura, já devia estar acostumada a ver todos a passarem por mim, mas a verdade, é que custa sempre, ou não gostasse das pessoas.

Como vem sendo hábito, caminharemos a primeira parte do dia juntos. Saímos do albergue um pouco mais cedo do habitual e ao fim de 10 minutos Yves tem a sensação de não ter guardado o pijama na mochila. Paramos, verifica e volta atrás em passo de corrida. Eu fico por ali a guardar a mochila e a deliciar-me com o Aqueduto de los Milagros em frente, cheio de ninhos de cegonhas. Que maravilha! Por aqui começa realmente a Via de la Plata, a calçada romana que unia Mérida a Astorga, no norte. Estretanto a denominação do caminho foi sendo alargada abarcando Sevilha ou até mesmo Cádiz, mais a sul, donde começam alguns peregrinos.

Durante os próximos 4 km, o percurso é a subir e sem grandes distracções. Dizem-nos, no entanto, que quando começarmos a descer nos espera o Embalse de Proserpina (reservatório artificial de água), o ponto alto do dia. Realmente foi o ponto alto, mas não pelas melhores razões. Ao chegar ao embalse, não vimos sinalização, o guia dizia para virar à direita e supostamente, foi o que fizemos. O resultado foi ter tomado o caminho oposto e, portanto, ter rodeado todo o embalse/lago, em vez de um pequeno troço. Embora tivesse havido uma discussão conjunta com a comparação dos nossos guias, a palavra final foi minha… pobre Yves, além da longa etapa que o esperava, levaria mais 4 km desnecessários.

Assim que voltamos a reencontrar as setas, despedimo-nos, cada um iria ao seu ritmo normal. Oh, ainda na etapa 11 e quantas despedidas já tinham ocorrido! Claro, faz parte, mas custa (a mim custa!).

Uma vontade súbita de ir ao WC abstrai-me destes pensamentos. Por ali não havia nada, agora o caminho seguia pelo asfalto, não havia grandes arbustos à volta, a solução era cotinuar mais um pouco. Quando finalmente o percurso sai da estrada para um trajecto de terra batida, ladeado por algumas árvores, parece-me que será o sítio ideal. Avanço mais um pouco e volto a reencontrar o Yves, que tinha acabado a sua pausa para o lanche da manhã. Mais uma despedida, desta vez, a definitiva. “Au revoir, Coach!” Perguntam-me com frequência como se faz quando se necessita de ir à casa-de-banho. Bom, em etapas longas sem povoações intermédias, a solução é mesmo recordar os tempos de infância, em que se acampava ou se passava o dia na serra e encontrar um local mais protegido. Fácil! :)

De novo “sozinha”, agora o sentimento é outro. Os dias que caminhei só desde que deixei o Pedro, Emílio e Doriano e antes de encontrar o Yves, foram-me dando confiança, demonstrando que era capaz e, que acima de tudo, estava bem comigo própria, conseguia passar horas e horas em silêncio, comigo, sem me entediar. Estava de novo só, mas já nada era igual!

Chego a Aljucén e vejo a seta para o albergue, mas decido ir primeiro à mercearia fazer as compras para o dia e pequeno-almoço de amanhã, para não ter de me despachar nas tarefas diárias para chegar a tempo do encerramento para a siesta. Já a caminho do albergue, vejo caras conhecidas (JB, Joël, António, Gordon e Briggite) na esplanada de um bar a fazerem-me sinal para ir ter com eles.  O albergue só abre daí a meia hora, convidam-me a sentar na mesa. Dizem que viram o Yves passar há algum tempo atrás e que contou que nos perdemos, “Mulheres!”. Despediu-se dizendo para cuidarem de mim. Ironia do destino, pessoas com quem não tinha ficado com uma primeira boa impressão, seriam meus “compagnons de route” nos próximos dias.

Ao ver o meu saco de compras, alguns deles decidem ir à mercearia. Joël é o principal encarregado das compras e quando chega, distribui os bens a cada um. Ao Gordon cabem-lhe só guloseimas, chocolates e bolachas.. com chocolate, sob o olhar reprovador dos outros. Há quem aproveite o Caminho e as caminhadas no geral para tornar as suas escolhas mais saudáveis, outros, por já o fazerem no seu dia-a-dia, aproveitam como uma “escapadinha”, que aliada ao contínuo exercício físico, não será assim tão prejudicial. Gordon indiferente aos comentários e divertido com a situação, come um chocolate e vendo ali uma aliada, pergunta qual é a minha estratégia para caminhar com estas preciosidades sem que estes derretam neste calor imenso que se faz sentir. Eu, ou como ou coloco do lado esquerdo da mochila, o que apanha menos sol ao longo do dia (como vamos sempre rumo a norte e caminhamos mais ou menos nos mesmos horários diários, apanhamos a maior parte das horas de sol do lado direito), ele além de o colocar à sombra, ainda põe junto à água, para ficar mais fresco. Brilhante, começava uma amizade duradoura. :) Na verdade, nesta altura do campeonato, já os tinha todos em boa conta. Vantagens de o caminho ser longo e os encontros serem constantes, além das pequenas povoações por onde vamos ficando proporcionarem um maior convívio e conhecimento, afastando preconceitos formados.

O dia foi para descansar e conviver. Ao final do dia, a simpática hospitaleira fez-nos uma visita guiada à Igreja local. No final, eu voltei para o albergue para jantar e escrever, os outros foram jantar fora. À chegada, JB sentou-se no pátio, na mesa onde estava e estivemos a falar um pouco. Aproveitei para lhe pedir desculpa. “Desculpa? Mas de quê?” “Do mau juízo que fiz sobre vós, em El Real de la Jara.” Ele reconheceu que provavelmente não teriam tido a melhor postura, mas tinha sido sem intenção, distracção de quem está em grupo. Chama o resto do pessoal, “A Luísa tem uma coisa para vos contar.” O serão acaba com um convite para jantar daí a dois dias (formalidades deliciosas, só mesmo com pessoas desta geração!). A história é que JB e Joël só irão até Cáceres (fica 3 etapas à frente), tendo combinado jantarem todos nessa noite, mas como eu não pretendo parar na cidade (teria de fazer uma etapa pequena ou outra muito maior mais tarde), ficou o jantar combinado para a véspera. Brigitte, António e Gordon ficarão por Cáceres a se despedirem deles, mas no dia seguinte farão uma etapa mais longa e voltaremos a nos encontrar.

Pontos finais: Durante muitas etapas fui a pessoa mais jovem que por ali andava, sendo que os jovens seguintes já estariam na casa dos 50, mas a maioria eram peregrinos reformados. Assim, é normal e compreensível algum “paternalismo” por parte de alguns peregrinos que me acompanharam. Por terem filhas ou sobrinhas da mesma idade, houve, por parte de alguns, uma especial atenção e, por outros, por estar só e ser mulher, algumas delicadezas extra, próprias desta geração que quando dizia “Igualdade”, respondia “Sim, sim”, mas “escolhe a cama que preferes”, ou “sentas-te tu à sombra” ou na melhor pedra (ehehe), os pequenos luxos destas situações. Enfim, são mimos! Mas também encontrei dois peregrinos, felizmente a excepção, que por serem mais velhos falavam com altivez apenas por ser mais nova. Em toda a regra há uma execepção!

Etapas Via de la Plata

LivroUm Caminho para Todos – Diário de uma peregrina no Caminho de Santiago, Via de la Plata e Camino Sanabrés

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EN

Stage 11: Mérida – Aljucén  (15,9 km) + 4 km

(Translation in progress… google translation for now) :\

 Today opt again for a shorter step, since yesterday, with a visit to the city and the unbearable heat, eventually suck me extra energy. This will day goodbye as Yves will make a longer step. At this point, I should have been used to seeing everyone pass me by, but the truth is that it costs forever, or did not like people.

As usual, we will walk the first part of the day together. We left the hostel a bit earlier than usual and after 10 minutes Yves has the feeling of not having saved the pajamas in the backpack. We stop, check and goes back on race pace. I get that way to keep the backpack and delight me with los Milagros Aqueduct ahead, full of storks’ nests. How wonderful! Here really get to Via de la Plata, the Roman road that linked Merida and Astorga in the north. Estretanto the name of the road was being widened embracing Seville or even Cadiz, further south, where some pilgrims begin.

Over the next 4 km, the route is to climb and no major distractions. We are told, however, that when we start to descend in waiting the Embalse de Proserpina (artificial water reservoir), the highlight of the day. It really was the highlight, but not for the best reasons. Upon arriving at the dam, we saw signs, the guide said to turn right and supposedly was what we did. The result was to have taken the opposite path and therefore have surrounded the entire dam / lake, instead of a short section. Although there had been a joint discussion with the comparison of our guides, the final word was my poor Yves … in addition to the long stage that awaited him, would take over 4 km unnecessary.

As soon as we return to rediscover the arrows, we said goodbye to each would go to its normal rhythm. Oh, still in step 11 and how many farewells had already occurred! Of course, part, but costs (cost to me!).

A sudden urge to go to the toilet abstracts me these thoughts. For there was nothing, now the way lay the asphalt, there was large shrubs around, the solution was cotinuar more. When finally the route leaves the road to a dirt path flanked by some trees, it seems to me to be the ideal place. Advance some more and I will rediscover Yves, who had finished his break mid-morning snack. Another farewell, this time, the final. “Au revoir, Coach!” They ask me often as you do when you need to go to the en-suite. Well, long stages without intermediate towns, the solution is even remember the childhood days, in which they camped or spent the day in the mountains and find a more protected location. Easy! :)

Again “alone”, now the feeling is different. The days I walked alone since I left Pedro, Emilio and Doriano and before finding the Yves were giving me confidence, showing that he could and that above all was well with myself, I could spend hours and hours in silence with me, without boring me. I was again alone, but nothing was ever the same!
I even Aljucén and see the arrow to the hostel, but decided to go first to the grocery store to do the shopping for the day and tomorrow’s breakfast, not having to dispatch me in daily tasks to get to the closing time for siesta. Already en route to the hostel, I see familiar faces (JB, Joël, Anthony Gordon and Briggite) on the terrace of a bar to make me sign to go to them. The hostel only opens there in half an hour, they invite me to sit at the table. They say they saw the Yves spend some time ago and they told us that we lose ourselves, “Women!”. Fired up saying to take care of me. Ironically, people who had not been with a good first impression, would be my “route of compagnons” in the coming days.

Seeing my shopping bag, some of them decide to go to the grocery store. Joël is the principal in charge of purchases and when it distributes the goods to each. Gordon to fit you just treats, chocolates and cookies with chocolate .., under the disapproving gaze of others. Some people enjoy the path and hiking in general to make your healthier choices, others, already do in their day-to-day exploit as a “getaway”, which coupled with the continuous exercise, it is not so harmful. Gordon indifferent to comments and amused by the situation, eating a chocolate and seeing there an ally asks what is my strategy to walk with these gems without these melt this immense heat that is felt. I, or as a place or the left side of the backpack, which picks up less sun throughout the day (as will always toward north and walk more or less the same times daily, caught most hours of sunshine right side) he as well as the place in the shade, even put by the water to stay cooler. Bright, began a lasting friendship. :) In fact, at this stage of the game, already had all in good account. Advantages of the way be long and the meetings are constant, apart from small villages where we become providing greater interaction and knowledge, trained away prejudices.

The day was to relax and socialize. In the evening, the friendly hospitality made us a tour of the local Church. In the end, I went back to the hostel for dinner and write, others were dining out. Upon arrival, JB sat in the courtyard, on the table where he was and were talking a little. I took the opportunity to apologize. “Sorry? But of what? “” Do poor judgment I made on you, in El Real de la Jara. “He acknowledged that probably would not have had a better posture, but had been unintentionally distracting those who are in a group. Calls the rest of the staff, “Luisa has something to tell you.” The evening ends with an invitation to dinner two days later (delicious formalities, just even with this generation!). The story is that JB and Joël will only to Cáceres (is three steps ahead), having combined all have dinner that night, but as I do not intend to stop in the city (would have to make a small step or another much larger later), it was dinner combined for Eve. Brigitte, Anthony and Gordon abide Cáceres say goodbye to them, but the next day will make a longer step and we will meet again.

Final thoughts: For many steps was the youngest person that walked by there, and that the following youth were already in their 50s, but most were retired pilgrims. Thus, it is normal and understandable some “paternalism” by some pilgrims who accompanied me. To have daughters or nieces of the same age, there was, for some, special attention and, by others, to be alone and a woman, a few extra niceties, own this generation when he said “Equality”, answered “Yes, yes “but” single bed you prefer, “or” you sit you in the shade “or at best stone (ehehe), the little luxuries such situations. Anyway, we are pampering! But also I found two pilgrims, fortunately the exception, that being older spoke with pride just to be younger. Throughout rule there is a execepção!

Stages of Via de la Plata

Book: A Camino for All – A Pilgrim’s Diary on the Camino de Santiago, The Via de la Plata and the Camino Sanabrés

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