Via de la Plata: 7. Calzadilla de los Barros – Zafra. A maré está cheia, mas o barco anda! / Despite the difficulties, everything is surpassed

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Etapa 7: Calzadilla de los Barros – Zafra (19 km)

Mais uma noite bem dormida! Desperto ainda está de noite, preparo as coisas lentamente e, enquanto espero que amanheça, aproveito para por as SMS em dia. Dentro de 2/3 dias o Luís estará a começar o Caminho Francês, um pouco mais tarde, também de Saint Jean Pied-de-Port começam o Zé e o Manuel e as peregrinas Ana e Mafalda acompanham-me à distância. Nem sempre sou assídua nas respostas, mas é com alegria que vou sabendo dos planos de cada e tem outro “toque” por serem igualmente peregrinos.. :)

Saio do Hostal para aproveitar o fresquinho da manhã. Parece que será um dia calmo, novamente entre campos, deixando-me apreensiva “apenas” a travessia de dois riachos.

Assisto a mais um nascer do sol em andamento. Apesar de significar que o calor não tardará a chegar, gosto muito desta altura do dia!

Estou sozinha e aprecio estar entre o vasto verde que se estende a perder de vista e ouvir os passarinhos que se vão assustando à minha passagem. As calças vão ficando molhadas pelo sereno da noite à medida que vou caminhando entre a vegetação.

Ao fim de cerca de 1 hora de caminhada, vejo água. É preciso atravessar o riacho. Olho para trás à procura de algum peregrino, nada. Ou fico sentada à espera de ajuda ou tento a minha sorte. Decido tirar a mochila para ter mais equilíbrio na descida e averiguar se a 1ª pedra está bem assente. Em todo este processo só me vem à cabeça a música “A maré está cheia. E o barco não anda. Eu quero passar, ai ai. Para aquela banda.” Desço até à 1ª pedra, fazendo-me escorregar semi-sentada, volto a colocar a mochila e dou início à travessia com a preciosa ajuda dos bastões. Há uma ou outra pedra menos estável, mas acaba por correr tudo bem. Ufff, não sou mesmo dada a estas aventuras!

Mais tarde, um novo riacho, um pouco mais simples de atravessar. Talvez por isso, com a tensão (psicológica e física), os quilómetros seguintes começam a pesar e as plantas dos pés reclamam descanso urgentemente.

A chegada a Puebla de Sancho Pérez, ao quilómetro 12,3, torna-se um oásis, com a praceta central com vários bancos! Escolho um, coloco a mochila a fazer de almofada, tiro as sapatilhas e deito-me, estou estafada!! Sei que não devia estar naqueles preparos, mas preciso mesmo daquele repouso. Após uma longa pausa e de ter ponderado se não devia terminar o dia por ali mesmo, decido tentar continuar. O número de pausas nos próximos 6,7 km são ridículas, mas preciso de aliviar os pés… devia mesmo ter parado em Puebla de Sancho Pérez!

A chegada a Zafra é peculiar, tendo de atravessar a antiga estação ferroviária, abandonada. Num dia de chuva, vento e nevoeiro, todo o cenário será absolutamente sinistro. Decido ficar no albergue turístico, por sugestão do Frank que quase diariamente vai enviando dicas. Não me arrependo da decisão, o espaço é um antigo convento, está tudo arranjado e limpo e o acolhimento da Filo (e do seu pai) foi precioso.

Após o duche e restantes tarefas a passo de tartaruga, decido dar uma voltinha pela cidade, afinal de contas, Zafra é a maior cidade desde que saí de Sevilha e, por isso, uma nova importante meta alcançada! A cidade é catita e com História, mas o calor que se faz sentir e a minha fraca condição física, não me permitem grandes passeios. Passo apenas pelo centro histórico e no regresso ao albergue, aproveito para fazer as compras necessárias para o jantar e pequeno-almoço. Tenho de descansar o máximo possível, para ver se amanhã estou melhor. O resto do dia será passado no albergue, dia em que há jogo de futebol importante na TV (Champions League, Real Madrid x Atlético, em Lisboa). Isso passa-me completamente ao lado, mas o pai da Filo está entusiasmado e por ser da Madeira, pergunta-me logo por Cristiano Ronaldo (aliás, essa referência viria a ser frequente ao longo de todo o caminho). O serão é passado à conversa com a Filo e outro peregrino que conheço nesse dia, o Yves, francês, com quem viria a caminhar nos dias seguintes.

Pontos finais: Como fica patente nos relatos destes 7 dias apenas, para fazer o caminho não é necessário ser desportista, estar em forma, ser corajoso, aventureiro, etc. Se pode ser uma vantagem sê-lo? Claro! Assim custa mais, mas chega-se lá na mesma. E no final de cada dia há um prazer enorme de ver os passos dados :)

Etapas Via de la Plata

LivroUm Caminho para Todos – Diário de uma peregrina no Caminho de Santiago, Via de la Plata e Camino Sanabrés
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EN

Stage 7: Calzadilla de los Barros – Zafra (19 km)

(Translation in progress… google translation for now) :\

Another good night’s sleep, how wonderful! Still awake at night, preparing things slowly and while I hope dawns, I take to put SMS on time. Within 2/3 days Luis will be starting the French Way, a little later, also from Saint Jean Pied-de-Port and start Ze Manuel and Ana Mafalda and pilgrims follow me at a distance. I am not always diligent in the answers, but it is with joy that I learned of the plans of each and has another “touch” because they are also pilgrims. In the distance and although each in their own way and rollercoaster experiences, I felt them around, which was very comforting. :)
After a glance at the guide, leave the board to enjoy the freshly baked in the morning. It seems to be a quiet day again between fields, leaving me uneasy “only” crossing two streams, who even without days of heavy rain, often have a considerable flow. Let your worries when the scenario arise.
As has become usual, I watch another sunrise in progress. Like so much this time of day! But it also means that the heat will soon arrive and the sun brother in this respect have not given respite.
I’m alone, I see absolutely no one, having just passed me a car or other on National Road as he ran the detour to get back on track. I appreciate being among the vast green that extends out of sight and hearing the birds that are frightening to go my way. The pants are becoming wet by the serene night as I go walking among the vegetation. Also the vest is because Mangueirinha bag of water broke a piece and if it is not in a certain position will shed the dropper. I will go to Compostela so more out of stubbornness not want to buy another, but the biggest probelma is not stick to the vest / wet t-shirt, really waste of precious water that in some situations almost was needed!
After about 1 hour walk, I see water. Mentally I ask if there is a bridge or a detour that there is not yet see. None of this is even necessary to cross the creek. “Hmm, now ?!” I look back looking for some pilgrim, anything. In the hostel, are grown more 3, but by that time arrived yesterday, I estimate that should be the starting day later and pilgrims who spent the night in the previous step, Fuente de Cantos, will still take time to get here. Or I sit waiting for help or try my luck. I begin by dissecting what would be the worst case scenario and no doubt would twist a foot in the little lot down to the stones that serve as the bridge to the other “shore.” Apart from that, I would just slip, dirty clothes and wet myself every … less bad, until you come to Zafra the sun would dry the clothes and the bag is well protected, so nothing would be flooded. I decide to take the backpack to have more balance on down and see if the 1st stone is flat. Throughout this process that seemed to take a long time, only comes to mind the song “The tide is full. And the boat is not moving. I want to go, ah ah. On the side. “I go down to the 1st stone, making me slip semi-sitting, ascertain the following steps, I again put the backpack and I begin the crossing with the precious help of bats. There is either less stable rock, but eventually be all right. Phew, I’m not even given these adventures!
Later, a new stream, a little simpler crossing, most still feel the adrenaline of the moment. I do not know if for this reason, the tension (psychological and physical), the following kilometers begin to weigh and soles complain rest urgently.
The arrival in Puebla de Sancho Pérez, just 12,3km, becomes an oasis, with a central small square with several banks! Choose one, put the backpack to make pad, shot sneakers and lie down, I’m worn out !! People look to pass, know I should not be in those preparations, but I really need that rest and ease the pressure / weight of the feet. This step (except for streams), had everything to be easy, with no major gaps, few kilometers and pleasant scenery, but was to be the opposite. After a long pause and and have pondered whether to not end the day right there, I decide to try to continue. The number of breaks in the next 6,7km are ridiculous, but needed to relieve your feet … I should have ended there!
The arrival in Zafra is sui generis, having to cross the old railway station, now completely abandoned. I’m imagining that one day of rain, wind and fog, the whole scenario would be absolutely sinister. Now “only” missing scroll through the endless Avenida de la Estación, crossing the Parque de la Paz, to walk a little et voilà, the hostel! I decide to stay in the tourist hostel, at the suggestion of Frank going almost daily by sending suggestions on the next step. I do not regret the decision, the space is a former convent, everything is arranged and clean and the host of Filo (and his father) was precious.
After the shower and remaining tasks turtle’s pace, I decide to take a walk through the city, after all, Zafra is the largest city since I left Seville and therefore a major new goal achieved! The town is quaint and history, but the heat that is felt and my poor physical condition does not allow me long walks. Step only the historic center and on the way back to the hostel, I take to make the necessary shopping for dinner and breakfast. I have to rest as much as poss + ivel to see if tomorrow I am better. The rest of the day will be spent at the hostel, the day when there are important football game on TV (Cup anything Real Madrid in Lisbon). This happens to me quite next door but the father of Filo is enthusiastic and be Madeira, ask me just by Cristiano Ronaldo (incidentally, this reference would be frequent along all the way). The evening is the conversation with Philo and other pilgrim I know that day, Yves, the French, who would walk the following day.
Endpoints: If until now anyone still thought to make way would need to be sporty, be fit, be brave, adventurous, etc., I think that only reports these first seven days demonstrate how far it is from reality. Although not any of that, the obstacles are being overcome and I was advancing in this long way. If it was more fearless would be better? Of course! So it costs more, but we arrive there in it. And at the end of each day there is a great pleasure to see the steps :)

Stages of Via de la Plata

Book: A Camino for All – A Pilgrim’s Diary on the Camino de Santiago, The Via de la Plata and the Camino Sanabrés

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One thought on “Via de la Plata: 7. Calzadilla de los Barros – Zafra. A maré está cheia, mas o barco anda! / Despite the difficulties, everything is surpassed

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