Via de la Plata: 5. El Real de la Jara – Monesterio. O início de uma nova fase / The beginning of a new phase

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Etapa 5: El Real de la Jara – Monesterio (20,1 km)

Acordo ainda cansada, esta noite não deu para recuperar, mas a vontade de me afastar dali e “ganhar tempo” em relação aos meus colegas de quarto era suficiente para dar a energia que precisava.

Ponho os pés ao caminho no meu ritmo tranquilo e durante muito tempo não vejo absolutamente ninguém.

Pouco após da saída de El Real de la Jara, passa-se o limite da província de Sevilha para entrar no de Badajoz. Que alegria ver o marco que assinala esta mudança, sinal de que nestes dias já avancei mais um pouco. Começa também uma nova forma de sinalização do caminho, em vez de setas, placas e afins, são cubos com um caminho desenhado na face superior e colocados estrategicamente na direcção que se deve tomar. Na realidade, este acaba por não ser um método muito prático, deixando dúvidas, por vezes, de qual a direcção a seguir. No entanto, tem uma grande vantagem: Como são resistentes, tornam-se bancos estupendos quando ao longo de muitos quilómetros não há outra opção de repouso.

No lado de Badajoz, à direita surgem as ruínas do Castelo de las Torres, com ninhos de cegonhas no topo, aves estas que me irão deliciar durante muitas etapas!

O caminho torna-se monótono ao longo dos vários quilómetros, embora sempre com natureza e animais (vacas, muitas vacas),. A vegetação existente é maioritariamente rasteira, as sombras são escassas, o sol começa a tornar-se forte por volta das 10h. Ainda passaram tão poucos dias, mas já estou morena, principalmente do lado direito, que é onde apanho todos os dias a maior quantidade de horas de sol. Já tenho todo o tipo de marcas que tornar-se-ão mais vincadas ao longo dos dias seguintes. :)

Faço a minha primeira paragem do dia ao fim de 10,8km, em frente à Ermita de San Isidro, que me parece num estilo completamente deslocado para aquele ambiente (o guia caracteriza como “futurista”).

Energias recuperadas retomo ao caminho, sem grandes pontos a assinalar.

Chegada a Monesterio, terra “del jámon”, reinava o típico ambiente domingueiro. Vou parar ao albergue Las Moreras, um pouco mais distante do centro (mas bem localizado para iniciar o dia seguinte. A simpática hospitaleira pergunta como tem corrido o caminho. Respondo-lhe que bem, mas que a noite passada tinha sido mal dormida. “Não te preocupes, niña, vou colocar-te num quarto mais tranquilo para poderes descansar”. Se assim o disse, melhor o fez. Foi um luxo para a vida de peregrina!

Na sala de convívio reencontrei um casal francês com quem já tinha falado algumas vezes nas outras etapas. O senhor estava com problemas nos pés e tinha de fazer um interregno. Mais uma vez a chamada de atenção à minha frente de que há coisas que nos escapam. Despedi-me deles. Mais tarde viria a ver nos livros de registos dos albergues, que eles tinham voltado a caminhar e os hospitaleiros diziam-me que já estava tudo bem. Fiquei contente pelas notícias, embora não os tivesse voltado a encontrar.

Ao final do dia, voltei ao meu quartinho e aproveitei tranquilidade reinante para pôr a escrita em dia e, finalmente, descansar.

Pontos finais: Olhando em retrospectiva, o dia de hoje representou o início de uma nova fase. A readaptação ao dia-a-dia do caminho tinha sido rápida e bem sucedida, os receios iniciais começavam a ficar esbatidos e a confiança para avançar aumentava. Tinha sido importante estar acompanhada nos primeiros dias (especialmente com o José Luis, Frank, Emílio, Pedro e Doriano), mas, agora, a necessidade de estar mais tempo só e ao meu ritmo começava a surgir. Seria pouco a pouco a caminho de mim mesma.

Etapas Via de la Plata

LivroUm Caminho para Todos – Diário de uma peregrina no Caminho de Santiago, Via de la Plata e Camino Sanabrés
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EN

Stage 5: El Real de la Jara – Monesterio (20,1 km)

(Translation in progress… google translation for now) :\

After a sleepless night, still tired agreement, tonight did not yield to recover. However, the desire to get away from there and “buy time” in relation to my roommates was enough to give the energy needed.
I leave the hostel by 7:10 a.m., supposedly the company of two Spanish Canary also would come out at this point, but at the appointed time, none of them appeared. I set foot on the path in my leisurely pace and for a long time I do not see anyone.

Shortly after El Real de la Jara output, one passes the limit of Seville province to enter the Badajoz. I am glad to see the milestone that marks this change, a sign that these days already have advanced more. Also get a new way of signaling the way, instead of arrows, plates and the like, are cubes with a path drawn on the upper surface and placed strategically in the direction you should take. In fact, this turns out not to be a very practical method, leaving doubts sometimes of which direction to take. However, it has a great advantage! How are resistant, become stupendous banks when over many kilometers there is no other home option.

Have the side of Badajoz, right appear the ruins of Castle Towers them with storks’ nests on top, these birds that will delight me during many stages!

The path continues flanked between large properties, and although always with nature and animals (cows, many cows), it becomes monotonous over several kilometers. The vegetation is mostly creeping, the shadows are scarce, the sun begins to become strong around 10 am. Still passed so few days, but I’m brunette, especially the right side, which is where I catch every day the greatest amount of sunshine hours. I already have all kinds of brands: the glasses, of course, the sleeves of the shirt, watch and even strips of bats in their hands. These tattoos will become more marked over the following days. :)

I make my first stop of the day after 10,8km in front of the Ermita de San Isidro, which seems to me a completely displaced style for that environment (the guide characterized as “futuristic”) and I take the sinaléctico hub to rest.
Recovered energy return to the path without major points to note. Only 6 km to reach Monesterio pass me the two pilgrims of the Canaries, but follow a more accelerated pace.

Arrival in Monesterio, reigned typical domingueiro environment. Closed trade, small groups of people appear in the same direction, accuse the end of the Mass and the homecoming. I’ll stop at the hostel Las Moreras, a little farther from the center (but well located to start the next day). While the stamped credential and paid to stay, friendly hospitable asks how has gone the way. I tell him as well, which has been a good experience so far, but that last night had been sleepless. “Do not worry, niña, I will put you in a more quiet room to be able to rest.” I was in a double room with en-suite shared only with other similar room. A luxury for the life of pilgrim!

In the living room I met a French couple who had spoken a few times in the other stages. You were with your feet in shame and above all very surprised and disappointed with your health. Have done several ways, are often used to walk and never had anything like it emerged. After a trip to the doctor, was forced to reach here by taxi (as the woman came walking) and tomorrow skip steps, so you can rest and try with the arrival in Compostela still be viable. Again the reminder before me that there are things that escape us. We will always the best of us, but we never know what awaits us. I said goodbye to them with words of encouragement, but the mood of the Lord was very low. Would later see in the record books of the hostels, they had returned to walking and hospitable told me that all was well. I was pleased by the news, although he had returned to the find.

At the end of the day, I returned to my little room and took reigning tranquility to put writing on time and finally rest. The French of the previous day were not staying here and made my fingers crossed that they might have made a longer step.

Final thoughts: Looking back, this day was the beginning of a new phase. The adaptation to the day-to-day road had been rapid and successful, the initial fears were becoming blurred and confidence to advance increased. It had been important to be accompanied in the early days (especially with Jose Luis, Frank Emilio, Peter and Doriano), but now the need to spend more time alone and at my own pace began to emerge. It would be little by little the way of myself.

Stages of Via de la Plata

Book: A Camino for All – A Pilgrim’s Diary on the Camino de Santiago, The Via de la Plata and the Camino Sanabrés

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