Via de la Plata: 1. Sevilla – Guillena, A Materialização de um Sonho / The Materialization of a Dream

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Etapa 1: Sevilla – Guillena (22,2 km)

O dia começou cedo, embora no meu quarto, os restantes ocupantes continuassem a descansar. A noite tinha dado para descansar, mas o sono foi instável dada a ansiedade de começar a aventura. Já tinha tudo preparado de véspera, sabia a que horas amanhecia e ainda dava tempo para sair, mas já que tinha despertado mais cedo, pelo menos poderia fazer tudo tranquilamente. Aproveitei para ir tomar o pequeno-almoço com coisas que tinha comprado de véspera e vi outros peregrinos a se preparem para sair (curioso que não os viria encontrar mais tarde).

Abro a porta do Hostel, a manhã ainda está sombria, paira um nevoeiro matinal, mas fico contente por não estar a chuviscar (no dia que cheguei a Sevilha choveu e bem!). Fecho a porta e avanço… os primeiros passos dos próximos 1000km!

O início do percurso já conhecia, na véspera tinha andado a fazer o reconhecimento do terreno, por isso foi fácil avançar. Não vi praticamente vivalma.

Mais afastada do centro, apercebo-me de 2 peregrinos que vêm mais atrás. As saídas das cidades são sempre um pouco mais confusas a nível de sinalização e sigo com mais precaução. Nos próximos passos vamos “esbarrando” constantemente, ora ultrapassam eles e fico eu a tirar fotos, ora ficam eles. Acabo por tentar acompanhá-los e meter conversa, são o José Luis (de San Sebastian) e Frank (de Barcelona), um veterano dos caminhos, em especial da Via de la Plata.

Após 2 horas, chegamos a Santiponce. Aqui há a possibilidade de visitar o Conjunto Arqueológico de Ítalaca, ruínas romanas de 206 a. C. Frank fica para tomar o pequeno-almoço, eu e o José Luis continuaremos sem pressas, com o objectivo de nos voltarmos a reunir ao longo do percurso.

Esta etapa não tem grandes dificuldades, embora as grandes rectas (em que por mais que se ande, parece não se sair do mesmo sítio), o desnível é reduzido. A partir de Santiponce, a paisagem não é muito cativante e valeu pela companhia.

O receio maior era a travessia do “Arroyo de los Molinos” (riacho). A sua travessia poderia tornar-se bem complicada, dependendo do caudal! Apesar de não ter chovido nos últimos dias, a travessia estava comprometida.
Avançamos à procura de uma passagem nos possibilitasse cruzar o riacho. Não sou aventureira e ver lama por todo o lado, não me dava muita confiança. Arriscar torcer um pé logo no 1º dia não fazia parte dos meus planos. Valeu-me o José Luís, para ajudar a descer a margem e voltar a subir, assim como os bastões. Ufaa, o primeiro obstáculo desta peregrinação (segundo o guia), estava ultrapassado.

Voltamos à recta, Guillena estava já à nossa frente, mas ainda demoramos um pouco a chegar.

Finalmente chegados, procuramos o albergue municipal. Porta fechada, mas com um número para chamar. Uma troca de chaves, levou a que a entrada fosse adiada. Eu esperava sentada no chão, com as pernas esticadas, desejando de tomar um duche. Não tínhamos feito nenhuma pausa ao longo do trajecto e os pés reclamavam repouso. Para já, tínhamos a casa por nossa conta e aproveitamos para adiantar as tarefas: tomar banho, lavar roupa, arranjar a cama, descansar um pouco antes de ir comprar mantimentos. Aos poucos foram chegando outros peregrinos, sobretudo franceses, e fui fazendo o papel da hospitaleira. :)

Guillena não tem grande coisa a visitar, por isso, depois de dar uma volta, ir comprar mantimentos para o jantar e dia seguinte, voltei ao albergue.
Entretanto tinha chegado um peregrino com um cão e instalou-se num dos quartos (que são múltiplos), não tendo a aprovação dos outros companheiros de quarto. O ambiente ficou pesado, mas tudo foi resolvido com a chegada da hospitaleira, que a dupla “perturbadora” para um anexo. Tudo ficou resolvido em bem!
Surpresa das surpresas, ao entrardecer, apareceu o Frank à nossa procura, tinha ficado no outro albergue. Fomos a um bar e voltámos ao albergue.

Conclusão do dia: Apesar de ser o primeiro dia no Caminho, tinha vindo de outra caminhada de 3 dias na Páscoa (Páscoandante) e pensei que iria acusar mais o cansaço. Felizmente, energia não faltou, ou não fosse o entusiasmo do início deste sonho!
Igualmente as rotinas de peregrino (preparar mochila, arrumar as coisas, etc.), pareceram-me muito naturais, como se não se tivesse passado 1 ano e meio desde a última vez.

Adormeci FELIZ de estar no e a Caminho! :)

Etapas Via de la Plata

LivroUm Caminho para Todos – Diário de uma peregrina no Caminho de Santiago, Via de la Plata e Camino Sanabrés

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EN

Stage 1: Sevilla – Guillena (22,2 km)

The day started early in the morning, although my roomates continued to rest. The night wasn’t bad, but the sleep was unstable due to the anxiety of starting the adventure. I had everything prepared, knew what time dawn and there was still time to leave, but since had awakened earlier, could at least do everything quietly. I ate the breakfast with things purchasedthe day before and saw other pilgrims preparing to leave (it’s curious that I would not find none of them later).

I open the door of the Hostel, the morning is still dark, hangs a morning fog, but I’m glad to not be to drizzle (as the day I arrived in Seville rained). I close the door and advance … the first steps of the next 1000km!

The beginning of the route I already know, as the day before had been doing that, so it was easy to proceed. I did not see anyone around.

A little further from the center, about 15 minutes later, I realize 2 pilgrims who come behind. Leaving the cities are always a little more confusing in terms of signaling and I follow with more caution. In the guide says that soon we’ll have two route options, by “Camas” or along the Guadalquivir river. This would be my choice. The two pilgrims approximate, we greet each other and they say that they will also follow that way. In the next steps we will be “bumping” constantly, sometimes I stay behind taking pictures other times was their turn. Decide to follow and know them. The oldest is José Luis (from San Sebastian) and Frank (from Barcelona), a veteran of the camino, particularly the Via de la Plata.

Almost two hours later, we reach Santiponce. Here there is the possibility to visit the Archaeological Ensemble of Ítalaca, Roman ruins of the 206 b. C. Frank decides to stop for breakfast, me and Jose Luis continue without haste, thinking to gather again along the route.

This stage has no major difficulties, although the long straight (that no matter how much you walk, you seem to be always at the same place), the ups and downs are few. From Santiponce, the landscape is not very catchy and worth by the chat with Jose Luis.

My biggest fear was the crossing of the “Arroyo de los Molinos” (stream). Had seen in forums that depending on the time of year and rainfall, its passage could become very complicated! Fortunately, in the days before had not rained a lot, but still the we couldn’t crosse it. We turned to the right, looking for better way that would allow us to cross the stream, without having to give great back. I’m too “chicken” in these adventures and see mud everywhere, not helped to maintain the confidence. Risk to twist a foot on day 1 was not on my plans. Thankfully, José Luís (and the sticks) helped me to go down, cross the stream and go up again. Ufff, the first hurdle of this pilgrimage (according to the guide), was outdated.

We returned to the endless road, Guillena was already ahead of us, but took  while to arrive.

Finally arrived, posters announcing a private hostel, but we chose to go to “albergue municipal”. The door was closed, but with a number to call. After a while came a man, the husband of hospitable, but with the wrong key. I waited sitting on the floor with my legs straight, wanting to take a shower. We had not made any break along the way and the feet, after the ending of the adrenaline of the first day, complained rest. The hospitaleira arrived later, she explained the functioning of the hostel and warned that she would return in the evening. For now, we had the house on our own and we would advance the tasks: bathing, washing clothes, get to bed, get some rest before going to buy groceries. Gradually were arriving other pilgrims, mostly French, and I was played the role of hospitable. :)

Guillena has not much to see, so after a walk, bought stamps (which Sevilla were sold out everywhere, even in the post office) for postcards and groceries for dinner and the next day and went back to the albergue.
Meanwhile had come a pilgrim with a dog and settled in one of the rooms. The other pilgrims didn’t like to have as companion a dog and began to complain, making the environment get heavy. The arrival of hospitable was in good time and took the pilgrim and his dog to an annex. Peace was restored!

To our surprise, Frank came looking for us, as he had stayed in another hostel. We have a drink before the deserved rest.

Final thoughts of the day: Despite being the first day on the way, I had come from another walk of three days at Easter (Páscoandante) and thought I would accuse more tiredness. To my surprise, did not have lack of energy, thanks to the enthusiasm of the beginning of this dream!
Also the pilgrim routines (prepare backpack, pack up, washing clothes, preparing for the next day, etc.), seemed very natural, as if the time didn’t pass (1 year and a half since the French camino).
I fell asleep HAPPY to be in and on the Way! :)

Stages of Via de la Plata

Book: A Camino for All – A Pilgrim’s Diary on the Camino de Santiago, The Via de la Plata and the Camino Sanabrés

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2 thoughts on “Via de la Plata: 1. Sevilla – Guillena, A Materialização de um Sonho / The Materialization of a Dream

  1. Obrigado pela partilha. Embora tenha percorrido a “Via…” em 2010, esta descrição além de poder actualizar-me, também será um reactivador da memória. Quiçá um novo guia na próxima repetição. É que nestas andanças há “ir e voltar”! Cumprimentos Vasco da gama Date: Thu, 23 Apr 2015 23:35:16 +0000 To: vascodagamaporto@hotmail.com

    • Vasco, que alegria!!
      E tanto lhe devo, pelas partilhas que fez do seu caminho e que me ajudaram a preparar para o meu! Muito grata!!
      Quando voltar, encontrará certamente muitas diferenças. Estão a surgir albergues (muitos deles eram relativamente recentes, menos de 5 anos), sente-se o “comércio” em crescendo…
      Já agora, se disser alguma barbaridade ao longo do percurso, corrija-me :)
      Beijinhos,
      luisa

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