Via de la Plata: Preparação / Getting prepared for Via de la Plata

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Desde que terminara o Caminho Francês em 2011, a vontade de voltar ao Caminho para um novo desafio começou a crescer e a direcção tomada, sem saber muito bem explicar porquê, direccionou-se para a Via de la Plata. O plano era ter ido no Verão de 2013, mas por motivos vários acabou por não se proporcionar. Em vez do desejo se ter esbatido, teve precisamente o efeito contrário e a “necessidade” de partir aumentava a cada dia. O contexto não era o mais propício, mas há coisas que não se explicam e a única certeza é que desse por onde desse, tinha mesmo de ir!

Assim sendo, desta vez, decidi que tudo seria um pouco diferente:

– Não ter nada demaisadamente planeado: sabia onde iria começar, Sevilha, e onde terminar, Santiago de Compostela. Tinha os guias e o mínimo de informação necessária para o dia-a-dia, tinha objectivos diários, mas devia deixar que fosse o corpo a estabelecer os seus limites.

– Ir com data de término flexível: sendo uma caminhada de longa duração, tudo poderia acontecer, poderia precisar de alguns dias de repouso e/ou de recuperação de alguma mazela, etc. Assim, tinha uma ideia de em quantos dias queria terminar o caminho, mas tinha flexibilidade nos mesmos. Ter um objectivo ajuda a não estender demasiado o prazo (senão deixava de ser uma peregrinação para ser apenas um passeio), mas dá margem de manobra para algum precalço.

– Ir sozinha: Nas 2 vezes anteriores tinha ido (bem) acompanhada, mas agora faltava esta experiência que torna a percepção de tudo tão diferente! Também já sabia que para uma empreitada tão longa, é difícil arranjar alguém que tenha o mesmo objectivo e flexibilidade de datas similares, por isso, nem tentei perguntar se alguém gostaria de fazer este caminho. Receios? Claro que sim, mas todos vieram mostrar-se infundados. :)

– Estar aberta a novas experiências: já que tudo tenderia a ser diferente das vezes anteriores, porque não alargar mais um pouco? Opção de viagens para o ponto de partida, partilha de carro (BlaBlaCar), opção para o dia e meio em Sevilha, couchsurfing (que, infelizmente, veio a não ser possível), …

– Fazer o MEU caminho: mais do que seguir as opções dos outros, o andamento de terceiros, etc., seguir o que eu achava ser melhor mediante cada contexto. Claro que, quando se começa a caminhar em grupo, há essa influência do mesmo, mas não deixa de haver liberdade nas opções dentro do grupo. Este foi o ponto que mais fiz questão de me lembrar e, nem sempre, foi fácil segui-lo.

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Ao nível do material, reutilizei praticamente tudo o que já tinha dos outros caminhos, excepção feita para 2 coisas que se tornaram essenciais:

– bastões: imprescindíveis! Ajudam em tudo, subidas, descidas, atravessar riachos, proteger dos cães, apoiar as pernas para descansar,.. tudo! Amigos inseparavéis!

– bolsa de água (com mangueira) para a mochila: facilita a hidratação durante a caminhada, sem andar sempre a tirar e pôr mochila e garrafas.

Guias utilizados:

Via de la Plata do Eroski (apenas em Espanhol)

– Aplicação telemóvel (gratuita) – Via de la Plata
Pelo que me apercebi, mesmo com os outros peregrinos, não há um guia ideal, que seja super completo. Estes 2 são bons, mas melhor ainda se complementados, ainda por cima a aplicação está disponível em 5 línguas (ES, EN, FR, IT, DE), tem altimetrias, contactos dos albergues em caso de necessidade, não necessita estar conectado à Internet, muito bom! Vi um guia inglês muito, muito fraco (tanto que acabou por ser deitado fora a 1/3 do caminho), vi um Francês que me pareceu o mais completo de todos, um alemão também não era mau. Opção melhor, levar 2, um impresso que vai sendo descartável e outro no telemóvel, que não pesa nada. :)

App mobile

Credencial:
Já levava uma de Portugal, mas acabei por adquirir outra em Sevilha, na Associação dos Amigos do Caminho de Santiago, onde tem vários panfletos , guias e informações disponíveis para quem precisar. Melhor ainda, fica mesmo ao longo do Caminho, não é preciso andar a fazer desvios.

Albergue:
Sevilha não tem albergue de peregrinos, mas há um no Bairro de Triana, especialmente conhecido por ficarem muitos peregrinos (e, por isso,  com uma pequena atenção no preço). Foi onde acabei também por ficar, já que a opção de couchsurfing não foi possível (não sabia que a semana da Páscoa era muito celebrada em Sevilha e os “sofás” já estavam reservados há muito tempo ou os donos dos mesmos tinham decidido ir de férias nessa semana).

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Vale a pena ir 1 ou 2 dias antes e conhecer um pouco da cidade… Adorei Sevilha e tenho de voltar um dia para visitar decentemente a cidade. Por agora, a vontade era apenas de pôr pés ao caminho e seguir as setas! :)

Seguir-se-ão os próximos capítulos ;)

Etapas Via de la Plata

LivroUm Caminho para Todos – Diário de uma peregrina no Caminho de Santiago, Via de la Plata e Camino Sanabrés

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EN

Since I finished the French Way in 2011, the desire to return to the camino for a new challenge began to grow and the option, not knowing to explain why, has directed to the Via de la Plata. The plan was to have gone in the summer of 2013, but for various reasons it wasn’t possible. The desire to go increased during this time. The context was not the most suitable, but there are things that can not be explained and the only certainty was that I had to go!

So, this time, I decided that somethings would be different:

– Do not have anything too much planned: I knew the starting point, Seville, and where to end, Santiago de Compostela. Had the guides and the minimum information necessary for the day-to-day, had daily targets, but should leave it to be the body to establish its limits.

– Go with flexible end date: being a long term walk, anything could happen, might need a few days of rest or recovery of any illness, etc. Thus, had an idea of how many days I wanted to finish the way, but had some flexibility on it. Having a goal helps to not extend the term too much (otherwise it wouldn’t be a pilgrimage but just a walk), but gives leeway for any mishap.

– Go alone: In the two previous times I had gone with friends, but now lacked this experience that makes the perception of all so different! Also knew that for such a long walk, it is difficult to find someone who has the same purpose and flexibility of dates, so I did not even try to ask if anyone would like to do this way. Fears? Sure, but all came prove unfounded. :)

– Be open to new experiences: since everything tends to be different from previous times, why not expand a little more? Travel option for the starting point was car sharing (BlaBlaCar), option for the day and a half in Seville, couchsurfing (which unfortunately came to not be possible), …

– Make my own way: rather than following the options of others, I’ve decided to follow what I tought it would be best by each context. Of course, when you begin to walk in group, there is the influence of it, but we still have the freedom to opt. This was the point that I had to remember more and not always was easy to follow.
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In terms of material, I used everything I had from other caminos, except 2 things that have become essential:
– Sticks: essential! Helpful in everything, uphill, downhill, to cross streams, protect from dogs, support legs to rest, .. everything! Inseparable friends!
– Water bottle (with hose) for backpacking: facilitates hydration while walking, without stopping forever to take and put bag and bottles.

Guides used:
Via de la Plata from Eroski (only in Spanish)
– Mobile phone application (free) – Via de la Plata
I realized with other pilgrims that there isn’t an ideal guide. These two are good, but even better if complemented. The application is available in 5 languages (ES, EN, FR, IT, DE), has altimetrias, hostel contacts in case of need, don’t need to be connected to the Internet to use it, very good! I saw an English guide very, very weak, a French one who seemed the most complete of all, a German also was not so bad. Best option, take 2, a printed one that can be disposable each day and one in the phone, which weighs nothing. :)

App mobile
Credential:
Already took one from Portugal, but I ended up acquiring another in Seville in the Association of Friends of the Camino de Santiago, which has several pamphlets, guides and information available to those who need it. Better yet, is just along the path.

Hostel:
Seville has no shelter for pilgrims, but there is one in the Triana district especially known for staying many pilgrims (and, therefore, with a little attention in the price). It was also where I ended up staying, since the couchsurfing option was not available (did not know that Easter week was very celebrated in Seville and the “sofas” were already booked long ago or the owners of had decided to go on holiday that week).

It is worth getting 1 or 2 days before and visit a little bit of the city … I loved Seville and I have to go back one day to visit it decently. For now, the desire was just to put feet to the path and follow the arrows! :)

The next chapters very soon ;)

Stages of Via de la Plata

Book: A Camino for All – A Pilgrim’s Diary on the Camino de Santiago, The Via de la Plata and the Camino Sanabrés

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3 thoughts on “Via de la Plata: Preparação / Getting prepared for Via de la Plata

  1. No ano passado fiz o caminho português, dentro de dias partirei para Santiago para completar até Finisterra – Muxia… mas já penso a médio prazo num caminho mais longo, o francês quiçá… e sozinho… pelos motivos referidos e não só.
    Bom caminho

    • Nelson,
      Um caminho de longa duração é outra experiência, nem melhor, nem pior, mas muito diferente. Sou cada vez mais fã! :)
      Quanto aos motivos, nem todos são dizíveis, não há necessidade.. mas cada um sabe bem o que o leva ao Caminho, isso basta ;)
      Desejo de um óptimo Caminho!
      Saudações peregrinas,
      luisa

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