4 Filmes inspiradores / 4 Motivational movies

PT / EN

Muitos são os filmes que de alguma forma me inspiraram (ex.: Ferrugem e Osso, 127 Horas, O Impossível, Soul Surfer: Coragem de Viver, etc.), tendo todos em comum a superação dos intervenientes, o conseguir ir muito além dos limites auto-impostos ou das barreiras impostas por terceiros. No entanto, a selecção que decidi aqui fazer, é heterogénea, baseada em histórias de vida e abarca vários pontos que considero essenciais nesta nova descoberta da minha vida: as caminhadas, nomeadamente, as de longa duração.

Diários de Che Guevara

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Ernesto “Che” Guevara e o seu amigo Alberto Granado, em 1952, decidem fazer uma viagem de 8000 km pela América do Sul, começando na sua cidade, Buenos Aires. A viagem seria feita de mota, mas a meio caminho “la Poderosa” não resistiu e tiveram de seguir o percurso a pé. A partir deste momento, quase que começa um novo filme. Antes, era a viagem pela viagem, a aventura, dois amigos à descoberta do mundo, mas é a partir do momento que começam a caminhar, com o tempo a “desacelerar”, que o contacto com os terceiros melhor se estabelece e começam realmente a conhecer a realidade das outras pessoas e dos locais por onde passam. Vantagens de se caminhar! :)

“Este não é um relato de feitos impressionantes. É uma parte de duas vidas, num momento em que seguiram juntas um determinado trecho, com  mesma comunhão. Foi a nossa visão muito estreita, muito parcial, muito apressada? Foram as nossas conclusões muito rígidas? Talvez… mas este deambular sem rumo, pela nossa imensa América, mudou-me mais do que pensei. Eu… já não sou eu! Pelo menos, não sou o mesmo eu interior.”

Uma História de Sobrevivência (Touching the Void)

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Nos anos 80, dois alpinistas, Joe Simpson e Simon Yates, tentaram escalar o cume Grande Siula, no Perú, por uma vertente em que já tinha havido várias tentativas, mas nunca ninguém tinha conseguido alcançar o objectivo. Joe e Simon conseguiram-no, apesar de muitas dificuldades (e da extrema vertiticalidade da vertente escolhida), mas na descida, tudo o que havia para correr mal, aconteceu.
O filme conta com os testemunhos dos 2 sobreviventes e é um exemplo fantástico de superação física e mental (e, acrescentaria, espiritual, embora nenhum deles o reconheça dessa forma), a forma como o cérebro funciona, os diálogos internos, o vazio, o medo, a solidão, o confronto consigo mesmo, a dor (in)ultrapassável, o confronto desistir vs continuar, e para quê?, a esperança, sempre a esperança, até ao fim.
Afinal, os limites, todos eles, estão muito além do que imaginamos!

Livre (Wild)

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Cheryl Strayed, após o fim do casamento e da morte da sua mãe, num fase crítica, decide afastar-se do seu dia-a-dia e percorrer o Pacific Crest Trail, que atravessa os Estados Unidos desde a fronteira com o México até a fronteira com o Canadá.

O filme não me cativou tanto quanto esperava (talvez pela elevada expectativa ou pela forma de narrar os acontecimentos), ainda assim, há tantos pontos reconhecíveis: começar a caminhar sem grande preparação, mochila cheia de coisas que “podem vir a ser necessárias” e acabam por ficar a meio do caminho, “o que faço aqui?”, os medos, a superação, a natureza, o encontro com os outros ou a fuga dos mesmos, a reflexão, o valor das pequenas coisas, os “sinais”, o silêncio.
Como todas as (grandes) caminhadas, o destino, é sempre o mais fundo de nós mesmos!

O Grande Silêncio

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Filmado no Convento dos Cartuxos, mosteiro de clausura e de silêncio imposto, excepto nas orações e num dia por ano, mostra a vida austera, de oração e de trabalho dos monges que ali vivem.
Quando ouvi falar do filme há muitos anos, disseram-me “tens de ir preparada, são 3 horas de filme em que ninguém fala”. O primeiro pensamento é “vai ser uma seca!”. Mas fui e vi e gostei!! Talvez tenha sido dos primeiros “passos para o silêncio”, muito antes dos Caminhos. O facto de ninguém falar, não faz com que deixe de haver comunicação, partilha, alegria, bem-estar e musicalidade em tudo o que nos rodeia e passa despercebido pelos ruídos constantes dos dias apressados. Quando o filme termina, apetece prolongar o silêncio e, de repente, os ruídos exteriores ferem os ouvidos de forma atroz.
Cada vez aprecio mais o silêncio e este não é sinónimo de solidão ou tristeza, pelo contrário, quão íntimo poderá ser um momento de silêncio partilhado com outrém!
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EN

There are many films that somehow inspired me (ex .: Rust and Bone, 127 Hours, The Impossible, Soul Surfer, etc.), all of them are about to overcoming, to go far beyond the self-imposed limits or barriers imposed by the others. However, the selection that I decided to do here is heterogeneous, based on real life stories and covers several points that I consider essential in this new discovery in my life: walking, in particular, the long-term walks.

The Motorcycle Diaries

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Ernesto “Che” Guevara and his friend Alberto Granado, in 1952, decided to travel through South America 8000km, starting in their city, Buenos Aires. The trip would be by motorcycle, but halfway “the Powerful/ la Poderosa” did not resist and they had to follow the route on foot. From this moment, almost starts a new movie. Before, it was the trip by trip, adventure, two friends discovering the world, but from the moment they start walking, time “slows down”, the contact with the others get deeper and they really start to know the reality of the other people and places. Advantages of walking! :)

 “(…) Wandering around our America has changed me more than I thought. Me, I’m not the same me, at least not the same spiritual me.”

Touching the Void

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In the 80s, two climbers, Joe Simpson and Simon Yates, tried to climb the Siula Grande in Peru, by a shed where there had been several attempts, but no one had ever been able to achieve it. Joe and Simon managed it, despite many difficulties, but on the way down everything went wrong.
The movie features the testimonies of the 2 survivals and is a fantastic example of physical and mental resilience (and, I would add, spiritual, although none of them recognizes it), how the brain works, internal dialogues, emptiness, fear, loneliness, the confrontation with himself, pain (un)surpassable, the confrontation give up vs  to continue, “what for ?”, hope, always hope until the end.
After all, the limits, all of them, are far beyond of what we imagine!

Wild

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Cheryl Strayed, after the divorce and the death of her mother, in a critical phase, decides to go away for a while and to walk the Pacific Crest Trail, which crosses the United States from the border with Mexico to border with Canada.
The film does not captivated me as much as expected (perhaps for the high expectation or by the way of narrating the events), yet there are so many recognizable points: start walking without much preparation, backpack full of things that “may be necessary” and then stays halfway, “What am I doing here?”, fears, overcoming, the nature, the encounter with others or escape thereof, the reflection, to value the small things, the “signs”, the silence.
Like all (large) hiking, the destination it’s always the deepest of ourselves!

Into Great Silence

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Filmed at the Convent of the Carthusians, cloistered monastery and silence imposed, except in prayers and one day a year, shows the austere life of prayer and work of the monks who live there.
When I heard about the film many years ago, they told me “you have to go prepared, are 3-hour film in which no one speaks.” The first thought was “Oh no!” But I watched and liked it !! Perhaps it was my first “step into silence”, long before the Ways/caminos. The fact that no one speak, does not mean the absence of communication, sharing, joy, well-being and musicality in everything around us, things unnoticed by the constant noise of the rushing life. When the movie ends, we just wish to prolong the silence and suddenly, the outside noises hurt the ears atrociously.
More and more I appreciate the silence and this is not synonymous of loneliness or sadness, on the contrary, how close can be a moment of silence shared with someone else!

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