Incongruências dos viajantes

mala_3d-brainedComo anteriormente já referi, gosto de acompanhar as aventuras e pontos de vista de quem anda por esse mundo fora, sejam viajantes, turistas, andarilhos, peregrinos, aventureiros. A designação ou o intuito da viagem não são são o aspecto essencial.

Algo que comecei rapidamente a notar é que é senso comum dizer que o aspecto mais importante das viagens, são as pessoas. Tanto os “locais” do destino, como todas aquelas pessoas com quem se vai interagindo, mesmo que sejam conterrâneos.

Assim sendo, supus eu, que estes “viajantes profissionais” seriam pessoas mais abertas ao outro no seu dia-a-dia, afinal de contas, não há só pessoas interessantes no fim do mundo. Errado! A realidade é diferente! Eles conseguem estar horas a falar, autênticos monólogos, sem mostrar o mínimo interesse no ouvinte. E este, não passa disso mesmo, passivo, que de preferência nem tente interagir e interromper a linha de raciocínio.
Nestes “viajantes profissionais”, os olhos já não brilham ao relembrarem os locais visitados, a emoção deu lugar ao tom monocórdico da voz, têm opinião formada sobre todos os países e culturas por onde passaram, mesmo que só lá tenham estado 3 dias e falam com tanta altivez como a quantidade de quilómetros percorridos. Mas, se há coisa que ainda os emociona, é contarem o número de países visitados/carimbos no passaporte, esse é o seu troféu.

Para mim, foi uma desilusão! O conceito de viagem e do conhecimento do outro deveriam ser a abertura, tolerância, compreensão, disponibilidade, respeito e, ao voltar para casa, aplicar isso no dia-a-dia. Talvez esta, embora as excepções, (ainda) seja a grande diferença entre viajantes e peregrinos.

Nota: “Viajantes profissionais” da forma que é mencionada neste texto, é apenas uma questão de atitude e não de quilómetros percorridos.

“Trips are not the essential to grow, but the way you travel and put yourself in the position to learn, makes all the difference.”

Luís Simões, World Sketching Tour, 24/05/13

(Fonte Imagem: aqui)
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4 thoughts on “Incongruências dos viajantes

  1. Interessante artigo sobre um ponto que muita gente esquece…

    “o brilho nos Olhos” seja ele para viajantes ou para não viajantes.

    Conheço muita gente que tem brilho nos olhos, mesmo que não viaje, e outros que viajam, que não têm.

    Perder ou não ter os olhos a brilhar requer um trabalho interior de procurar ser mais feliz com aquilo que se tem, com aquilo que se quer e que se busca – independentemente da viagem.

    Sem dúvida e falando da minha experiência, para mim viajar, estar em contacto com outros povos, descobrir paisagens novas, ter vários momentos de contemplação em locais mágicos, sem dúvida que me despertam mais liberdade na alma, mais curiosidade de explorar e amor por estar Vivo…

    Boas viagens!

    Grande abraço desde a Venezuela!

    João Leitão

    http://www.joaoleitao.com/viagens

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